Da Pureza do Coração

Por Frei Edson Matias, OFMCap

pureza de coração

A pureza do coração foi refletida intensamente na escola Franciscana. A pureza trata de uma atitude diante de Deus, de si e do mundo. Pode-se pensar que tal ideia seja a de deixar de ter fantasias, desejos, afetos, etc. Entretanto a proposta possui uma profundeza significante. Disse São Francisco:

“Bem-aventurado os puros de coração porque verão a Deus. São verdadeiramente puros os que desprezam as coisas terrenas, buscam as celestiais e não deixam de adorar sempre e ver o Senhor Deus, vivo e verdadeiro, de ânimo e de coração puro” (Adm 16).

As “coisas terrenas” são tudo aquilo que nos prende. Podem ser bens materiais, posse afetiva de pessoas, nossas próprias verdades, etc. Aquilo que enche o coração de preocupação. Quando o coração está assim, não existe espaço para Deus. E dando um passo a mais em nossa reflexão, as próprias imagens errôneas que fazemos de Deus é um embaraço para nossa vida espiritual. Quando estamos cheios não vemos o fundo do coração. Como a água turva de um rio. A pureza pode ser comparada a um riacho límpido, que segue seu caminho. Olhamos nele e conseguimos ver o fundo. A pureza do coração revela como ele é. Não se esconde, é gratuito, segue seu caminho.

Quem consegue desprezar as coisas terrenas? Como ficar livre dos apegos que acabam preenchendo (tentando) nosso vazio? A angústia parace ser um caminho para todos que querem despertar o olhar para essa via. Falamos angústia, pois não se refere a uma escolha puramente racional, como se de uma hora para outra dissesse: “vou começar agora… vou fazer isso e aquilo”. Entretanto, se tal desejo não for acompanhado pelos afetos, de uma atração pela busca divina, a mudança verdadeira não ocorre. O que pode acontecer é construir uma fantasia. Neste caso, os frutos serão a tristeza, o moralismo, o desapontamento e por fim, desistência do objetivo.

São bem-aventurados os puros de coração porque deixam que Deus seja. Estão abertos as inspirações divina, não denominam de seus os dons que possuem. São desapegados, pois sabem que não podem fabricar deuses para si. Sabem também do perigo do orgulho e não confiam em si mesmos. Mais isso não é inferioridade, como se poderia pensar. Se tais fossem, andariam tristes, cabisbaixos, entretanto, demonstram a alegria da espontaneidade, do encontro. No Abismo insondável que é Deus, os ‘puros’ são mansos de coração e conseguem carregar o peso da Cruz. T

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Sobre Frei Fábio, OSF

Formando em Filosofia, Ministro Provincial da Ordem de São Francisco, OSF no Brasil, amante e um defensor da ecologia. Apoia e desenvolve trabalhos com moradores de rua, e os mais oprimidos pela sociedade, realiza palestras sobre franciscanismo, bíblia, ecologia, amorização.

Publicado em 24/07/2015, em Formação e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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