O meu reino não é deste mundo!

Amadas irmãs e amados irmãos, saudações de Paz e Bem!

Celebramos hoje, pelo Calendário Litúrgico, a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Vejamos a leitura evangélica indicada:

Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo. Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz. (Jo 18:33-37)

Deparamo-nos na leitura evangélica acima apresentada com um diálogo entre Jesus e Pilatos, cuja pergunta inicialmente feita pelo prefeito da província romana da Judéia, fora se Jesus seria o rei dos judeus.

Tal questionamento poderia ter duas conotações. A primeira relacionar-se-ia à condução política terrena do povo de Israel, os judeus, e, a segunda, poderia estar ligada ao aspecto religioso, não mundano. No caso da primeira das possibilidades, flagrantemente, Jesus poderia representar uma ameaça ao império romano, o que seria, certamente, inaceitável. Já na segunda condição, dificilmente Jesus poderia representar qualquer afronta ao império, tendo em vista que este pouco se imiscuía com as questões religiosas dos judeus. Frente a tais possibilidades, Nosso Senhor não apenas respondeu a pergunta com um sim ou um não, Ele devolveu o questionamento com uma afirmativa associada a uma explicação: “O meu Reino não é deste mundo”.

A resposta de Jesus foi tão nebulosa para Pilatos, como ainda é para aqueles que não compreendem a verdadeira existência de seu reino e de sua realeza.

O Reino de Deus já fora anunciado pelos profetas, a exemplo de Isaias, Jeremias e Daniel, mas a grande questão é o reconhecimento do verdadeiro rei, da delimitação de seu reino e da participação dos homens e das mulheres nele. Eis a grande dificuldade para a humanidade daquela época e que perdura até os nossos dias.

Ao longo de sua passagem conosco como Homem-Deus, Cristo Jesus, em diversas oportunidades, demonstrou que não viera, somente, para um povo escolhido, para uma raça específica, para um gênero determinado, se quer, exclusivamente para pessoas boas ou não pecadoras. Afirmou, várias vezes, que viera para todos e aguardaria o aceite de todos (de todas as regiões e de todas as épocas) ao seu convite para a vida eterna, para o seu Reino. Ninguém está excluído e nunca esteve. Deus não seria amor em essência se, a priori, eliminasse quem quer que seja de seu Reino. Não existe povo escolhido, o indivíduo eleito, existe sim, pessoas que O escolhem como seu Rei, como soberano de um reino que deseja participar e, com isso, incluem-se em tal universo.

Permitam-me ir mais além, caros irmãos e caras irmãs. Jesus, ao responder a Pilatos seu questionamento disse-lhe que “todo o que é da verdade” ouve a sua voz. Se associarmos tal fala aos seus diversos posicionamentos anteriores, fica-nos evidente de que não há, a princípio, exclusão por Ele de qualquer ser humano, pois todos são convidados, desde que sigam a sua verdade, os seus ensinamentos, que vivenciem o amor por Ele propalado, reconhecendo-o como sendo o verdadeiro mandamento. Assim, não apenas estamos reconhecendo seu reino como o reino do amor, da paz e não mundano, como também, O estamos reconhecendo como nosso verdadeiro Rei, explicitando o universo que optamos por participar.

Muitos não têm a oportunidade de nascer em um lar ou uma comunidade que reconhecem Jesus Cristo como o Senhor. Muitos, se quer, já ouviram falar seu nome em toda sua vida. Estariam estes, necessariamente, excluídos do Reino de Deus? Claro que não! Desde que tais pessoas “sejam da verdade”, desde que vivam a fraternidade, o amor e a paz anunciados por Cristo Jesus, eles poderão fazer parte de seu reino. Seriam eles piores do que aqueles que batem no peito e dizem: “Jesus, Jesus”, mas vivem alheios ao amor por Ele apregoado? Caso as pessoas disseminem o verdadeiro amor e a caridade entre os irmãos, estarão propalando a verdade cristã exposta por Jesus, com palavras e atos, e, certamente, pelo Deus todo poderoso será aceito em seu reino.

Atualmente, as pessoas buscam as riquezas do reino material, a prosperidade relacionada as coisas deste mundo, a aparente e temporária felicidade que elas propiciam, e pior, ainda dizem que tudo isso faz parte do universo do Reino de Deus!!

O Reino mencionado por Jesus não é o reino material, não está relacionado ao universo das coisas mundanas, é o reino espiritual, que não está fora de nós, mas sim, dentro de cada um. Como poderemos ir em sua busca no nosso exterior? Eis a razão de muitos passarem toda a vida procurando o Reino de Deus e terem enorme dificuldade de encontra-lo. Eles o procuram onde não está!!

Sabemos que tudo o que é material tem fim. Pode durar mais ou menos, pode resistir ao tempo no limite máximo possível, mas teve um início e há de se findar. Entretanto, o Reino de Deus é eterno, ou seja, não teve início, tampouco terá fim, não envolve, assim, coisas materiais ou temporais, relacionando-se, então, ao mundo espiritual, ao interior de cada um, à essência de todos os seres humanos.

Busquemos o Reino de Deus e O aceitemos como soberano de nossa vida. Porém, tal busca jamais poderá ocorrer dentre as coisas terrenas, nas alegrias superficiais e passageiras que este mundo pode oferecer, na paz provisória que poderemos obter no aqui e agora. O Reino de Deus está dentro de nós e nele seu verdadeiro soberano, basta que o encontremos e o reconheçamos como o único rei de nossa vida, ao invés dos deuses materiais e dos prazeres que neste mundo, provisório e temporário, poderemos encontrar.

Entreguemo-nos nas mãos de Deus, sem questionamentos ou dúvidas, para que possamos fazer parte de seu Reino, o reino do amor e da verdade, reconhecendo-O como o nosso verdadeiro e único soberano.

Um fraterno abraço e fiquem com Deus!

Frei João Milton, OSF


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Sobre Frei Fábio, OSF

Formando em Filosofia, Ministro Provincial da Ordem de São Francisco, OSF no Brasil, amante e um defensor da ecologia. Apoia e desenvolve trabalhos com moradores de rua, e os mais oprimidos pela sociedade, realiza palestras sobre franciscanismo, bíblia, ecologia, amorização.

Publicado em 22/11/2015, em Homilia Dominical, Sem categoria e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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