Arquivo da categoria: Espiritualidade Franciscana

GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

O Pai é para Francisco o Altíssimo, o Inefável, o Íntimo, o que está presente e operante em suas obras. Ele é o Bem, o Sumo Bem. Doador da Bondade esparramada em todas as suas obras, o jardim natural da redenção. Deus se faz Doador e Dom na casa do mundo, preparada para a morada do Filho e do Espírito Santo. Francisco vive trinitariamente de forma total, em comunhão de vida e afeto com o Pai que se espelha no Filho; com o Filho que se faz Irmão, e com o Espírito que reúne uma Fraternidade de Filiação. O Espírito gera a unidade de Pai e Filho, de Humanidade e Criação.  Expressa isso na oração que atravessa horas: “ Meu Deus é meu Tudo!”.

Louva um Amor que se dá por inteiro, agradece sua intervenção nos detalhes da vida e pede perdão por não amar o suficiente. Para expressar esta sua relação íntima com a Trindade, precisa de todas as formas de vida para colocá-las numa união amorosa. Derrama em suas palavras a certeza de ser mãe, pai, filho, irmão, irmã, esposo, esposa, noivo, noiva, amigo e amiga, Leão e Clara, Rufino, Ângelo e Jacoba de Settesoli.

Na Carta aos Fiéis escreve nos versículos 48 a 60: “E à medida que todos aqueles e aquelas fizerem tais coisas e perseverarem até o fim, pousará sobre eles o Espírito do Senhor e fará neles habitação em um lugar de repouso, e serão filhos do Pai celestial, cujas obras realizam. E são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma fiel se une pelo Espírito Santo a Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus; somos mães, quando o trazemos em nosso coração e nosso corpo através do Amor e da consciência pura e sincera; damo-lo à luz por santa operação que deve brilhar como exemplo para os outros. Como é glorioso, santo e sublime ter nos céus um Pai! Como é santo, consolador, belo e admirável ter um esposo! Como é santo e dileto, aprazível, humilde, pacífico, doce, amável e acima de tudo desejável ter tal irmão e filho que expôs a sua vida pelas suas ovelhas e orou ao Pai por nós, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste. Pai, todos os que me deste no mundo eram teus e a mim os deste. E as palavras que me deste, eu lhas dei; e eles aceitaram e reconheceram verdadeiramente eu sai de ti e creram que tu me enviaste ( Jo 17 ); rogo por eles e não pelo mundo; abençoa-os e santifica-os. E por eles santifico-me a mim mesmo, para sejam santificados na unidade assim como também nós o somos. E quero, Pai, que onde eu estou, também eles estejam comigo, para que vejam minha glória em teu Reino” (Jo 17, 24).

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Frei Vitório Mazzuco, OFM

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GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

Tudo o que queremos escrever ou falar de São Francisco parece novo, mas não é. Ele é inesgotável e sempre traz algo diferente ou dá um novo brilho as palavras que estão nas Fontes. Sua história é regida pelo Espírito e Vida.

Uma vida que só se pode conhecer pelo viés do caminho espiritual, um caminho que propõe crescimento, maturação, renovação constante, que vão além de qualquer palavra, de qualquer letra, de qualquer texto. Ele é o Santo da unicidade, da unificação de todos os seres do universo, o ser humano em crescente realização, a profunda comunhão com Deus que é Amor, Bondade e Beleza.

Ele é muito original e criativo em viver a plenitude de Deus e a inteireza do humano junto com todo ser criado. Para ele não existe superficialidade de conhecimento, mas intimidade de relacionamento. Sua pessoa funde-se com a Trindade Santa, a Fraternidade  Fontal, Francisco une-se à todas as criaturas para dizer que todos tem nas veias o sangue do mesmo Pai, a irmandade do mesmo Filho e  o feitio santo do mesmo Espírito.

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Fonte: Blog Frei Vitório Mazzuco, OFM


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GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

Podemos entender que em Francisco a Palavra de Deus é o próprio Amor de Deus. Faz deste Amor a meta e o grande projeto de sua vida. O Amor equilibra qualquer interpretação radical da Palavra de Deus. Mesmo sendo pobre e desprezando o dinheiro foi flexível em situações como estas, vejamos aqui nas Fontes: “A mãe de dois irmãos veio uma vez ter com o santo, pedindo esmola com confiança. Compadecendo-se dela, o santo pai disse a Frei Pedro Cattani, seu vigário: “Podemos dar alguma esmola à nossa mãe?”

Na verdade, ele dizia que a mãe de algum irmão era também sua mãe e de todos os irmãos. Respondeu-lhe Frei Pedro: “Nada há em casa que lhe possa ser dado”. E acrescentou: “Temos um Novo Testamento em que, por não termos breviários, fazemos as leituras das Matinas”. Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Dá o Novo Testamento à nossa mãe para que ela o venda para sua necessidade, porque por ele somos admoestados a ajudar os pobres. Creio realmente que mais agradará a Deus a doação que a leitura. “Portanto, o livro dado à mulher, e o primeiro Testamento que houve na Ordem se vai por esta sagrada piedade.” (2Cel 91).

Outro texto muito significativo é este: “Certa vez, vendo o vigário do santo, Frei Pedro Cattani que Santa Maria da Porciúncula era frequentada por multidão de irmãos de fora e que as esmolas não eram suficientes para prover as coisas necessárias, disse a São Francisco: “Irmão, não sei o que fazer e não tenho com que prover suficientemente aos irmãos que afluem aos bandos de toda parte. Peço-te que permitas que se reservem algumas coisas dos noviços que entram, às quais se possa recorrer para gastar em tempo oportuno”.

Respondeu o santo: “Irmão caríssimo, Deus nos livre desta piedade: que por qualquer homem se aja de maneira ímpia contra a Regra”. E ele disse: “Então, o que farei?”

Disse São Francisco: “Despoja o altar da Virgem e retira o ornato variegado, quando de outra maneira não puderes socorrer aos necessitados. Crê em mim, agradar-lhe-á mais que seja observado o Evangelho de seu Filho e que seu altar seja despojado do que ter o altar ornado e o Filho desprezado. O Senhor enviará quem restitua à Mãe o que ela nos emprestou” (2Cel 67).

Imagem: Porciúncula, em Santa Maria dos Anjos

Fonte: Blog Frei Vitório Mazzuco, OFM


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FRANCISCO E A AMIZADE

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Francisco de Assis, amigo de Clara de Assis, amigo de Ângelo, de Rufino, de Leão, seu amigo pessoal, confidente, confessor e secretário. Francisco amigo de todos da Fraternidade, Francisco amigo e Irmão de todos os seres da natureza. Uma amizade de presença, carinho, reconhecimento, retribuição, elogios, uma amizade realmente fraterna. Ao seu redor todos se sentem amados.

No caminho de Francisco a amizade é uma seta indicativa de lugar relacional, porque traz a raiz sólida de uma força de convivência. Todo o bom relacionamento tem interferência  na vida e na prática. Como atuar no comum sem a força de um amor fraterno pessoal?  Olhemos para Francisco como ele se aproximava de tudo e de todos: como amigo e irmão, com amor cálido, cordial e intimidade fraterna. Temos que aprender com ele!

Nossas aproximações às vezes são de interesse, de afirmar nosso lado de saber, ter e poder. Isto atinge nossa formação, nossa eclesialidade e vivência comum. Nem sempre foi priorizado o âmbito do coração, do sentimento, da afetividade e da emotividade. Muitas vezes, quando temos aproximações marcantes com alguém, somos rotulados de carentes, além de aparecerem expressões de inveja, ciúme, repressões, tensões e rupturas.

Há amigos, se é que assim podemos chama-los,  que se aproximam enquanto levam vantagem. Depois entram num ostracismo sem tamanho quando você deixou de ser útil para eles. Porém,  há aqueles que despojadamente são fiéis escudeiros de uma vida.

Imagem acima de Piero Casentini: Francisco e seus companheiros.

Continua

Fonte: Blog do Frei Vitório Mazzuco, OFM


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O Que Significa Evangelizar?

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Nos tempos atuais tão marcados pelo marketing, começamos a duvidar daqueles que nos prometem algo de bom. Neste contexto, o verbo «evangelizar» do Novo Testamento pode trazer-nos algum receio. Temos vergonha de propor a nossa a fé a outra pessoa, como se estivéssemos a tentar vender algo. E estamos tão preocupados em respeitar os outros que não queremos dar a impressão de que tentamos impor as nossas ideias ou convencê-los, especialmente quando se trata de uma questão tão íntima como a da confiança em Deus.

Mas será que sabemos realmente o que o Novo Testamento quer dizer com «evangelizar»?

Em grego, o verbo é utilizado para resumir a expressão «anunciar boas notícias»: alguém que é «evangelizado» é, basicamente, alguém a quem «foi dado a conhecer». Pode ser usado para anunciar um nascimento, um armistício ou um novo líder. Não tem, por si só, um significado religioso. No entanto, e apesar de ser quase um lugar-comum, foi esta a palavra escolhida pelos cristãos para descrever o aspecto mais precioso da sua fé: o anúncio da ressurreição de Cristo. O que é interessante é que, gradualmente, a palavra perdeu o seu complemento. Não se dizia «dar a conhecer a alguém a ressurreição de Cristo» mas, simplesmente, «evangelizar alguém». Além de ser para poupar tempo, o desaparecimento do complemento tem também um significado mais profundo.

Para os cristãos, proclamar a Boa Nova da ressurreição de Cristo não é falar de uma doutrina que deve ser decorada ou de qualquer aspecto sapiencial para ser meditado. Acima de qualquer outra coisa, evangelizar significa ser testemunha de uma transformação que ocorre dentro do ser humano: pela ressurreição de Cristo já se iniciou a nossa própria ressurreição. Ao mostrar um respeito infinito por todos aqueles que encontrou (visível nas curas que encontramos nos Evangelhos), ao assumir o lugar mais baixo para que, desse modo, ninguém pudesse estar abaixo dele (é o significado do seu baptismo), Jesus Cristo devolveu valor e dignidade a cada pessoa. Mais do que isso, Jesus esteve connosco na morte para que nós possamos estar perto dele na sua comunhão com o Pai. Com esta «admirável permuta de dons» (liturgia da Páscoa), descobrimos que somos plenamente aceites em Deus, plenamente acolhidos por ele, tal como somos. Os cristãos dos primeiros séculos resumiram tudo isto dizendo: «Deus tornou-se homem para que o homem se pudesse tornar Deus!»

Evangelizar não significa portanto, em primeiro lugar, falar de Jesus a alguém, mas, a um nível muito mais profundo, fazer com que essa pessoa perceba o valor que tem para Deus. Evangelizar é comunicar estas palavras de Deus que surgem cinco séculos antes de Cristo: «És precioso aos meus olhos, eu estimo-te e amo-te» (Isaías 43,4). Desde a manhã de Páscoa, sabemos que Deus não hesitou em dar-nos tudo, para que nunca nos esqueçamos do nosso valor.

Podemos «evangelizar» alguém ao mesmo tempo que respeitamos a sua liberdade?

Fazer com que as pessoas percebam o seu valor para Deus não é uma opção. S. Paulo chega mesmo ao ponto de dizer «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Coríntios 9,16). Para S. Paulo, a evangelização surge como a consequência directa da sua ligação a Cristo. Pela sua ressurreição, Cristo une-nos a Deus de um modo inseparável. Mais ninguém se pode sentir excluído desta união. E, ao mesmo tempo, a humanidade já não se encontra fragmentada: desde a ressurreição, pertencemos uns aos outros.

No entanto, a questão mantém-se: como podemos anunciar essa Boa Nova a quem não conhece nada de Deus e parece nada esperar de Deus?

Primeiro do que tudo, pela nossa própria ligação a Cristo. S. Paulo disse: «Vós revestiste-vos de Cristo» (Gálatas 3,27). A evangelização apela a que comecemos por nós próprios. É, sobretudo, com a nossa vida, e não com palavras, que damos testemunho da realidade da ressurreição: «Assim posso conhecê-lo a ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos» (Filipenses 3,10-11). É pela nossa certeza, pela nossa alegria serena em saber que somos amados por toda a eternidade, que Cristo se torna credível aos olhos daqueles que não o conhecem.

Porém, há situações em que as palavras são necessárias. S. Pedro diz isso muito bem: «Estai sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça» (1 Pedro 3,15). É claro que falar de um amor íntimo requer muita sensibilidade e, por vezes, é difícil encontrar as palavras correctas, especialmente em situações em que a fé é fortemente posta em questão. Jesus tinha consciência disso e disse aos seus discípulos: «Quando vos levarem (…) às autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, pois o Espírito Santo vos ensinará, no momento próprio, o que deveis dizer» (Lucas 12,11-12).

Porque Cristo se revestiu da nossa humanidade e nós nos revestimos de Cristo, nunca deveríamos ter medo de não saber como falar. A vocação cristã de acolher todos sem discriminação, em detrimento de escolher apenas aqueles que amamos, tem em si uma generosidade que é tocante e, mais do que isso, que cobre o outro com a vida de Cristo. Enquanto servos, partilhamos o nosso manto com aqueles a quem servimos, à semelhança do próprio Cristo que, quando lavou os pés dos seus discípulos, «tirou o manto» (João 13,4). É, acima de tudo, a gratuidade dos nossos actos que falará por nós e que dará autenticidade às palavras que proferimos.

Paz e Bem !

Fontes : Comunidade Ecumênica de Taizé e Site Peregrino Franciscano

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A verdadeira história da “Oração de São Francisco” ou “Oração pela Paz”

Oração de São Francisco

As Origens do Texto Atribuído a São Francisco de Assis 

Por Egidio Picucci – Osservatore Romano

É excepcional a difusão da oração simples atribuída a São Francisco de Assis, conhecida em todo o mundo, graças, sobretudo, à sua espontaneidade e à sua referência às expectativas mais humanas. Traduzida em todas as línguas, foi e é recitada no âmbito de numerosíssimos encontros e por eminentes personalidades do mundo eclesiástico, literário e político. Tendo que fazer uma escolha, basta recordar que em 1975 ela foi recitada em Nairobi durante uma reunião do Conselho ecumênico das Igrejas; que em 1986 esteve no centro das orações dos participantes do encontro dos representantes de todas as religiões, organizado por João Paulo II em Assis; que em 1989 em Basileia abriu o Congresso ecumênico europeu.

A oração não deixara de espantar Madre Teresa de Calcutá, que brevemente explicou sua importância, e convidou a recitá-la no dia em que, em Oslo, recebeu o prêmio Nobel da paz (1979), revelando que, em seu instituto, ela era rezada todos os dias, depois da comunhão; Helder Pessoa Câmara, o então Arcebispo de Olinda e Recife (Brasil), a incluiu nas “Páginas do Caminho para as comunidades abramíticas”; Margaret Thatcher recitou uma parte dela em 4 de Maio de 1979, dia da sua nomeação como primeiro ministro; o Bispo anglicano Desmond Tutu (Nobel pela paz em 1984), confessou que “ela fazia parte integrante” de sua devoção; Bill Clinton a inseriu no discurso de saudação a João Paulo II ano aeroporto de Nova York em 1995, acrescentando com mal disfarçada altivez que “muitos americanos, católicos ou não, a tem em seu bolso, na bolsa ou em suas agendas”.

oobservatorio romano

O elenco poderia continuar e longamente, mas a nós interessa fazer conhecer somente um aspeto da longa história que circunda a oração, e isto é o papel que teve o “Osservatore Romano” ao fazê-la conhecer do grande público.

Em 1915no dia seguinte da declaração da primeira guerra mundialBento XVcompôs uma oração pela paz, traduzida em francês, inglês, alemão, espanhol, português, russo e polaco, convidando todos os católicos da Europa a recitá-la no domingo, 7 de Janeiro, no mesmo momento em que ele mesmo a teria rezado diante do altar de São Pedro, junto com os Cardeais e com a Cúria pontifícia.

“Na França – afirma Christian Renoux, docente de história na universidade de Orleans – o Governo se opôs a tal recitação, temendo que o Papa convidasse a rezar pela vitória do catolicíssimo império austro-húngaro. Confiscou, pois, todos os folhetos em que a oração fora impressa e censurou os boletins paroquiais que a reproduziam”.

Algum tempo antes, o Marquês Stanislas de A Rochethulon, presidente da associação anglo-francesa Souvenir Normand – que se qualificava como “obra de paz e de justiça ideal, inspirada no testamento de Guilherme, o Conquistador, considerado antepassado de todas as famílias reais da Europa, para fazer ressaltar o papel que tiveram a lei e o direito estabelecidos pelos conquistadores normandos” – tinha feito chegar ao Papa duas orações pela paz e um cântico dedicado a Nossa Senhora das Normandias. A primeira oração era uma invocação “à Nossa Senhora dos Normandos e aos seus santos e santas padroeiros”; a segunda, uma “bela oração a recitar durante a Missa”, publicada por um certo abbé Bouquerel, redator do semanário católico “A Croix de Orne“, retomada no número de Dezembro de 1912 do periódico “La Clochette“, um revistinha católica de caráter devocional fundada em Outubro de 1901, e que se qualificava como “boletim da Liga da Santa Missa”.

Era a atual Oração Simples – assim a chamou Giuseppe João Lanza del Vasto, e assim é conhecida na Itália – apareceu anônima pela primeira vez na “La Clochette” (“A campainha”), termo claramente designativo da pequena campainha que se toca durante a celebração eucarística. A oração agradou seja ao Papa como ao Cardeal Pietro Gasparri, Secretário de Estado, mesmo porque o Marquês a tinha feito apresentar como “oração ao Sagrado Coração”, devoção cara ao Papa, o qual, na oração pela paz de 1915, tinha feito várias vezes referência ao Sagrado Coração.

“A pedido do Papa (e do Cardeal Gasparri) – acrescenta Christian Renoux – a Secretaria de Estado enviou o texto ao “Osservatore Romano” que a publicou na primeira página no dia 20 de Janeiro de 1916, traduzida em italiano, junto com uma breve informação explicativa, intitulada “As orações do Souvenir Normand pela paz”   O redator, que fez algumas correções secundárias, não obstante tivesse escrito que a apresentava “textualmente na sua tocante simplicidade”, explicava: “O Souvenir Normand” fez chegar ao Santo Padre o texto de algumas orações pela paz. Entre elas nos agrada reportar particularmente aquela dirigida ao Sagrado Coração, inspirada no testamento de Guilherme, o Conquistador”.

Foi o lançamento mundial da Oração Simples. No dia 28 de Janeiro sucessivo “La Croix” reportou o artigo do quotidiano da Santa Sé, deixando inalterado seja o título seja as informações incompletas sobre a exata origem do texto. Por escrúpulo o Marquês escreveu ao jornal para completar as informações, mas calando volutamente “La Clochette“, a primeira publicação que a tinha reportado: ele queria apenas esclarecer que não tinha sido composta pelo “Souvenir Normand“. Passando por cima sobre as vicissitudes ligadas à famosa Oração (traduções, adaptações, títulos); sobre as intermináveis pesquisas de autor (até agora desconhecido); sobre o por que da atribuição a São Francisco, queremos sublinhar que a oração teve aquele sucesso mundial que desejava o Cardeal Gasparri em uma carta de 24 de Janeiro de 1916 ao Marquês Stanislas de A Rochethulon, e desejado pelo Papa, conforme quanto se lê naquele número do jornal do Papa: “O Santo Padre agradou-se sumamente com esta comovente oração que seria de se desejar achasse um eco em todos os corações e fosse a expressão do sentimento universal”. T

Fonte: Reflexões Franciscanas

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Franciscanos celebram em agosto o Perdão de Assis

porciunculaNos dias 1º e 2 de agosto será celebrado em todas as paróquias do mundo e em todas as igrejas franciscanas o Perdão de Assis, ou, a Indulgência da Porciúncula. A origem desta graça está ligada à história da pequena Porciúncula, dentro da Basílica Santa Maria dos Anjos, em Assis, de São Francisco e de toda a Ordem Franciscana.

A visão

“Na noite do ano do Senhor de 1216, Francisco estava mergulhado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula quando, improvisadamente, uma luz muito forte tomou conta do local e Francisco viu sobre o altar o Cristo revestido de luz e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundada por uma multidão de Anjos”.

Este é o início da história, atestada pelo Diploma de Teobaldo (FF 3391 – 3399), que deu início a este evento celebrado no início de agosto. Prostrado com a visão mística, Francisco pediu a Jesus uma graça: “Senhor, peço que todos aqueles que, arrependidos e confessados, entrando nesta igrejinha, tenham o perdão de todos os seus pecados e a completa remissão das penas devidas às suas culpas”.

Jesus respondeu a ele: “Grande é a graça que me pedes, ó Francisco; todavia, a concedo a ti, se minha Mãe me pedir”. Francisco então pediu a mediação da Virgem Maria, a qual com sua súplica, seu Divino Filho concedeu a graça. Porém, quis que apresentasse ao seu Vigário, o Sumo Pontífice, para obter a sua confirmação.

Papa Honório III

Dito isto, cessou a visão e Francisco imediatamente foi ao Papa Honório III e ele, depois de várias dificuldades, lhe confirmou a graça, limitando-a, porém, a um dia somente, por todos os anos e fixando para esta o dia 2 de agosto, a começar das Vésperas da Vigília.

Indulgência estendida a todas igrejas franciscanas

Mais tarde, com a Bula do dia 4 de julho de 1622, o Papa Gregório XV estendeu esta grande indulgência a todas as Igrejas da Ordem Franciscana e prescreveu que, além da confissão, era necessária a comunhão e a oração pelo Sumo Pontífice. Em 12 de janeiro de 1678, o Papa Inocêncio XI declarou que a dita indulgência estava aplicada também às almas do Purgatório.

Toties quoties

Esta indulgência tornou-se célebre pela sua origem extraordinária e pela circunstância singularíssima que esta pode ser lucrada toties quoties, isto é, tantas vezes quanto se visita a igreja que goza de tal favor e nas quais se cumprem as prescrições requeridas, fato confirmado pela Santa Sé.

O Papa Pio X permitiu, para maior comodidade dos fiéis, que o Perdão de Assis poderia ser obtido também nas igrejas ou oratórios que, na aplicação do privilégio com o consenso do Bispo e que o Perdão de Assis pudesse ser transferido do dia 2 de agosto para o Domingo seguinte.

O Papa Bento XV, em 16 de abril de 1921, estendeu esta indulgência do Perdão de Assis a todos os dias do ano, in perpetuo, mas somente na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis. Ainda hoje, em todas as Igrejas do mundo, a indulgência é aplicada neste dia.

Jubileu do Perdão

Particularmente solenes e participadas, como em todos os anos, serão as celebrações na Basílica Santa Maria dos Anjos, onde os Freis preparam-se para festejar, no próximo ano, um Grande Jubileu do Perdão no oitavo centenário (1216-2016) do pedido do Pobre de Assis na Porciúncula, em “feliz e providencial” concomitância com o Jubileu extraordinário da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco, de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016.

Marcha Franciscana

Da intensa programação, consta a chegada da XXXV Marcha Franciscana, com o tema este ano “Busco a tua face”, e que verá chegar na Porciúncula cerca de 1,6 mil jovens caminhantes provenientes de toda a Itália e também de países vizinhos, como Albânia, Croácia, Eslovênia e Áustria. Os jovens expressarão com uma festa na Praça diante da Basílica a alegria pelo Perdão recebido na Porciúncula.

Fonte: Radio Vaticano, Site Franciscanos – RS

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O que a Bíblia tem de bom para oferecer?

Leitura da Bíblia

leitura da Bíblia

O que a Bíblia aborda?

Se fosse preciso definir em uma frase, caberia dizer que a Bíblia trata da história da relação entre Deus e o ser humano, do início até o fim dos tempos.

Como conhecemos esta história? Porque Deus a revelou a nós.

Considere isso: se você quisesse conhecer um ser inferior a você – imaginemos um inseto, por exemplo –, você poderia olhar para ele, examiná-lo, dissecá-lo, e assim saber como ele é; se você desejasse conhecer alguém semelhante a você, poderia também descobrir muitas coisas somente olhando, já que, em muitos aspectos, ele se parece a você – mas seria de grande ajuda se ele lhe contasse algo sobre si.

Agora, se você quisesse conhecer um ser muito superior a você, isso seria completamente impossível, se ele não o permitisse.

Você não poderia averiguar nada por contra própria: Ele teria de revelar as coisas a você. E foi exatamente isso que aconteceu com Deus.

Ele tomou a iniciativa de nos revelar coisas que jamais teríamos podido conhecer de outra maneira, e essa revelação é a que está contida na Bíblia.

O que a Bíblia nos revela?

Ela nos revela, com verdade e sem erro, que Deus é o Criador de tudo que existe; que Ele criou o ser humano por amor e para o amor, e quando este escolheu se afastar desta vocação à qual havia sido chamado, Deus não o abandonou, mas lhe enviou seu Filho para salvá-lo do pecado e da morte.

A Bíblia conta a história da salvação da humanidade, uma história que abrange todos nós e, por isso, vale a pena conhecê-la.

De que maneira a Bíblia está estruturada?

A palavra “Bíblia” significa biblioteca.

Quando abrimos uma Bíblia pela primeira vez, percebemos que o que parece ser um só volume, na verdade é um conjunto de 73 livros! E eles estão agrupados em duas grandes partes: 46 livros no Antigo Testamento, e 27 no Novo Testamento.

Cabe esclarecer que o termo “testamento” não se refere ao legado que alguém deixa a outra pessoa; neste contexto, a palavra significa “aliança”.

O Antigo Testamento mostra como Deus, Criador do mundo e do homem, estabeleceu com este uma aliança de amor; e quando o homem rompeu esta aliança, Deus não só a renovou, mas também prometeu enviar alguém para consolidar com o homem uma aliança eterna.

O Novo Testamento narra como Deus cumpre esta promessa em Jesus, seu Filho amado, Deus feito Homem.

Os livros desta “biblioteca” foram escritos em um período aproximado de mil anos, razão pela qual abrangem não só autores muito diferentes, mas também diversos gêneros literários.

Assim, temos crônicas, relatos épicos, censos, ensinamentos e conselhos, poemas, relatos míticos, profecias, cartas e alguns textos com um gênero próprio, que não se encontra em nenhum outro lugar: os Evangelhos.

Como você pode ver, há um pouco de tudo e para todos os gostos.

Assim, se até agora você achava que a Bíblia só continha histórias chatas que pertencem a um passado que não tem nada a ver com você, deixe esta ideia de lado, porque ela é falsa!

Adentrar na Bíblia é iniciar uma viagem maravilhosa, em um mundo fascinante, que sempre terá algo novo e interessante para lhe oferecer.

Em suas páginas, você sempre encontrará o que precisa ouvir.

O fato de ser formada por tantos livros, de diversos gêneros literários, diferentes autores, enfoques, intenções e formas de comunicá-las, garante que sua leitura jamais seja entediante.

Nunca deixe de encontrar algo que fale direto ao seu coração!

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Santoral Franciscano: 16 de julho – Memória de Canonização de São Francisco de Assis

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Santoral Franciscano: 16 de julho

Memória de Canonização de São Francisco de Assis

No dia 16 de julho de 1228, dois anos depois de sua morte, São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Na ocasião, ele publicou a Bula de Canonização “Mira circa nos” “aos veneráveis irmãos arcebispos, bispos etc…”

1). É maravilhoso como Deus se digna ter piedade de nós e inestimável é o amor de sua caridade, pela qual entregou-nos o filho à morte para remir o escravo!
Sem renunciar aos dons de sua misericórdia e conservando com proteção contínua a vinha que foi plantada por sua destra, continua a mandar operários para ela mesmo na décima primeira hora para que a cultivem bem arrancando com a enxada e o arado com o qual Samgar abateu seiscentos Filisteus (Jz 6,31) os espinhos e as ervas más, para que, podados os ramos supérfluos e os brotos espúrios que não levam às raízes, e extirpados os espinheiros, ela possa amadurecer frutos suaves e saborosos.

Aqueles frutos que, purificados na prensa da paciência, poderão ser levados para a adega da eternidade, depois de ter queimado de uma vez, como com o fogo, a impiedade junto com a caridade esfriada de muitos, destinada a ser destruída na mesma ruina, como foram precipitados os filisteus caindo por causa do veneno da volubilidade terrena.

2). Eis o Senhor que, enquanto destruía a terra com a água do dilúvio, guiou o justo em uma desprezível arca de madeira (Sb 10,4), não permitindo que a vara dos pecadores prevalecesse sobre a sorte dos justos (Sl 124,3), na hora undécima suscitou seu servo o bem-aventurado Francisco, homem verdadeiramente segundo o seu coração (Cfr. 1Sm 13,14), lâmpada desprezada no pensamento dos ricos mas preparada para o tempo estabelecido, mandando-o para a sua vinha para que arrancasse os seus espinhos e espinheiros, depois de ter aniquilado os filisteus que a estavam assaltando, iluminando a pátria, e para que a reconciliasse com Deus admoestando com assídua exortação Cfr. Jz 15.15).

3). O qual, quando ouviu interiormente a voz do amigo que o convidava, levantou-se sem demora, despedaçou os laços do mundo cheio de bajulações, como um outro Sansão prevenido pela graça divina e, cheio de Espírito de fervor, pegou uma queixada de asno (Jz 11,15), com uma pregação feita de simplicidade, não enfeitada com as cores de uma persuasiva sabedoria humana (1Cor 1,17), mas com a força poderosa de Deus, que escolhe as coisas fracas do mundo para confundir os fortes, prostrou não só mil mas muitos milhares de filisteus, com o favor daquele que toca os montes e os faz fumegar (Sl 103,32), e reduziu à servidão do espírito os que antes serviam às impurezas da carne.

Quando eles ficaram mortos para os vícios e vivos para Deus e não mais para si mesmos, pois a parte pior tinha perecido, saiu da mesma queixada água abundante (cfr. Jz 15,10), que restaurava, lavava e fecundava todos os que tinham caído, sórdidos e ressecados, aquela água que, brotando para a vida eterna, pode ser comprada sem dinheiro e sem nenhuma outra despesa (Is 55,1) . Expandindo-se por toda parte, seus regatos irrigam a vinha, estendendo até o mar seus ramos, até o rio os seus rebentos (Sl 79,12).

4). Afinal, imitou os exemplos de nosso pai Abraão, saindo espiritualmente de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai, para ir para a terra que o Senhor lhe havia mostrado com sua divina inspiração (Gn 12,1). Para correr mais expeditamente, para o prêmio da vocação celeste (Fl 3,34), e poder entrar mais facilmente pela porta estreita (Mt 7,15), deixou a bagagem das riquezas terrenas, conformando-se com Aquele que, de rico que era fez-se pobre por nós, distribuiu-as, deu-as aos pobres (2Cor, 8,9), para que assim, sua justiça perdurasse para sempre (Sl 111,9).

E quando chegou perto da terra da visão, na montanha que lhe tinha sido mostrada (Gn 22,3), isto é, sobre a excelência da fé, ofereceu ao Senhor em holocausto sua carne, que antes o havia enganado, como filha unigênita, à semelhança da Jefté (Cfr. Jz 11), colocando-se no fogo da caridade, macerando sua carne pela fome, sede, frio, nudez, vigílias sem conta e jejuns. Quando a tinha, assim, crucificado com os vícios e as concupiscências (Gl 5,24), podia dizer com o Apóstolo: Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim (Rm 4,25). E, de fato,  já não vivia para si mesmo mas para Cristo, que morreu por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação, para que já não servíssemos o pecado de maneira alguma.

Suplantando também os vícios, travou uma viril batalha contra o mundo, a carne e os poderes celestes. E, renunciando à mulher, à casa de campo e aos bois, que afastaram os convidados da grande ceia (Lc 14,15-22), levantou-se com Jacó (Cfr. Gn 35,1-11) ao comando do Senhor e, recebendo a graça septiforme do Espírito Santo, assistido pelas oito bem-aventuranças evangélicas, subiu através dos quinze degraus das virtudes, indicadas misticamente nos Salmos, para Betel, a casa do Senhor, que a tinha preparado para ele.

E lá, construindo o altar de seu coração para o Senhor, ofereceu sobre ele os aromas de suas devotas orações, que os anjos haveriam de levar à presença do Senhor com suas mãos, agora que já estava prestes a tornar-se um concidadão dos anjos.

5). Mas, para não ajudar somente a si mesmo lá na montanha, unido apenas no abraço de Raquel, bela mas estéril, isto é, na contemplação, desceu para o quarto proibido de Lia (Cfr. Gn 29), para conduzir o rebanho fecundo de filhos gêmeos através do deserto, procurando para eles as pastagens de vida, a fim de que, lá, onde o alimento é o maná celeste para os que se apartaram do estrépito do mundo, enterrando suas sementes com abundância de lágrimas (Sl 125, 5-6), pudesse colher exultando, os feixes para o celeiro da eternidade, ele destinado a ser colocado entre os príncipes de seu povo, coroado com a coroa de justiça.

É certo que ele não buscou seus próprios interesses mas antes o de Cristo (Fl 3,21), e o serviu como abelha industriosa; e, como estrela da manhã que aparece no meio das nuvens e como lua nos dias de seu pleno esplendor (Sl 50,6), e como sol resplandecente na Igreja de Deus, tomou em suas mãos a lâmpada e a trombeta para chamar para a graça os humildes com as provas de suas obras luminosas, e retirar os calejados no mal de suas graves culpas aterrando-os com uma dura reprovação.

Assim, inspirado pela virtude da caridade, irrompeu intrepidamente no acampamento dos madianitas, isto é, daqueles que evitam o juízo da Igreja por desprezo, com a ajuda daquele que, enquanto estava fechado dentro do seio da Virgem, atingia o mundo inteiro com o seu domínio; e arrebatou as armas em que punha sua confiança o forte armado que guardava sua casa (Lc 11,21-22), e distribuiu os despojos que ele mantinha, levando como escrava a escravidão (Ef 4,8) dele em homenagem a Jesus Cristo.

6). Por isso, tendo superado enquanto estava na terra o tríplice inimigo, fez violência ao Reino dos Céus e com a violência arrebatou-o (Mt 11,12). E depois das numerosas e gloriosas batalhas desta vida, triunfando sobre o mundo, voltou ao Senhor, precedendo muitos dotados de ciência, ele que deliberadamente era sem ciência e sabiamente ignorante.

7). Na verdade, ainda que sua vida, tão santa, operosa e luminosa, tenha sido suficiente para que conquistasse a companhia da Igreja triunfante, a Igreja militante, que só vê a face exterior, não tem a presunção de julgar por sua própria autoridade aqueles que não são de sua alçada, para apresentá-los à veneração baseando-se só sobre a sua vida, principalmente porque algumas vezes o anjo de satanás transforma-se em anjo de luz (2Cor 11,14); o Onipotente e misericordioso Deus, por cuja graça o referido servo de Cristo serviu-o dignamente e com louvor, não permitindo que uma lâmpada tão maravilhosa ficasse escondida embaixo do alqueire, mas querendo colocá-la sobre o candelabro para oferecer a restauração de sua luz a todos aqueles que estão na casa (Lc 11,33), declarou com múltiplos e grandiosos milagres que a vida dele era agradável para ela e que sua memória devia ser venerada na Igreja militante.

8). Portanto, como já nos eram plenamente conhecidos os traços mais singulares de sua vida gloriosa, pela familiaridade que teve conosco quando estávamos constituídos em um cargo menor, e fosse feita fé plena a respeito do esplendor de seus múltiplos milagres, através de testemunhas idôneas de que nós e o rebanho a nós confiado seríamos ajudados por sua intercessão e teríamos como patrono no céu aquele que foi nosso amigo na terra, reunindo o consistório de nossos irmãos [os cardeais], e tendo obtido o consentimento deles, decretamos que o inscrevíamos no catálogo dos santos para a devida veneração.

9). Estabelecemos que a Igreja universal celebre devotamente e com solenidade o seu nascimento para o céu no dia 4 de outubro, o dia em que, livre do cárcere da carne, subiu ao Reino celeste.

10). Por isso pedimos, admoestamos e exortamos no Senhor a todos vós, e comunicando-o através deste escrito apostólico que, nesse dia, vos apliqueis intensa e alegremente aos divinos louvores na sua comemoração e imploreis humildemente que por sua intercessão e méritos possamos chegar à sua companhia. Que isso vos conceda Aquele que é bendito nos séculos dos séculos. Amém.

Dado em Perusa, no dia 19 de julho de 1228, no segundo ano de nosso pontificado.

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Santoral Franciscano: 10 de julho – Santa Verônica Giuliani (1660-1727)

Giuliani

Santoral Franciscano: 10 de julho
Santa Verônica Giuliani (1660-1727)

Mística e religiosa da Segunda Ordem (1660-1727). Canonizada por Gregório XVI no dia 26 de maio de 1839.

Verônica nasce, pois, em 27 de dezembro de 1660, em Mercatello, no vale de Metauro, filha de Francisco Giuliani e Benedita Mancini; é a última de sete irmãs, das quais outras três abraçaram a vida monástica; deram-na o nome de Úrsula. Aos sete anos de idade, perde a sua mãe, e o pai muda-se para Piacenza como superintendente da alfândega do Ducado de Parma. Nesta cidade, Úrsula sente crescer em si o desejo de dedicar a vida a Cristo. O chamado se faz sempre mais presente, tanto que, aos 17 anos, entra na restrita clausura do mosteiro das Clarissas Capuchinhas da cidade de Castello, onde permanecerá por toda a sua vida. Lá recebe o nome de Verônica, que significa “verdadeira imagem”, e, de fato, ela se torna uma verdadeira imagem de Cristo Crucificado. Um ano depois, emite a solene profissão religiosa: inicia um caminho de configuração a Cristo, por meio de muitas penitências, grandes sofrimentos e algumas experiências místicas ligadas à Paixão de Jesus: a coroação de espinhos, o casamento místico, a ferida no coração e os estigmas. Em 1716, aos 56 anos, torna-se abadessa do mosteiro e será confirmada no cargo até a sua morte, em 1727, depois de uma dolorosíssima agonia de 33 dias que culminou numa profunda alegria, tanto que suas últimas palavras foram: “Encontrei o Amor, o Amor deixou-Se contemplar!” (Summarium Beatificationis, 115-120). No dia 9 de julho, deixa a morada terrena para encontrar-se com Deus. Tem 67 anos, 50 deles vividos no mosteiro da cidade de Castello. É proclamada Santa em 26 de maio de 1839 pelo Papa Gregório XVI.

Verônica Giuliani escreveu muito: cartas, relações autobiográficas, poesias. A fonte principal para reconstruir o seu pensamento é, no entanto, o seu Diário, iniciado em 1693: são 22 mil páginas manuscritas, que abrangem 34 anos de vida em clausura. A escritura flui espontânea e contínua, não existem riscos ou correções, nenhum sinal de interrupção ou distribuição do material em capítulos ou partes de acordo com um padrão predeterminado. Verônica não desejava compor uma obra literária; na verdade, foi obrigada a colocar por escrito suas experiências pelo Padre Jerônimo Bastos, religioso das Filipinas, de acordo com o Bispo diocesano Antonio Eustachi.

Santa Verônica possui uma espiritualidade marcadamente cristológico-esponsal: é a experiência de ser amada por Cristo, Esposo fiel e sincero, e de desejar corresponder com um amor sempre mais envolvido e apaixonado. Nela, tudo é interpretado através da chave do amor, e essa lhe dá uma profunda serenidade. Cada coisa é vivida em união com Cristo, por amor seu, e com a alegria de poder demonstrar a Ele todo o amor do qual é capaz uma criatura.

O Cristo ao qual Verônica está profundamente unida é aquele sofredor, da paixão, morte e ressurreição; é Jesus no ato da oferta ao Pai para salvar-nos. Dessa experiência, deriva também o amor intenso e sofredor pela Igreja, na dupla forma da oração e da oferta. A Santa vive nesta óptica: ora, sofre, busca a “pobreza santa”, como expropriação, perda de si (cfr. ibid., III, 523), propriamente para ser como Cristo, que doou tudo de si mesmo.

Em cada página dos seus escritos, Verônica recomenda algumas pessoas ao Senhor, oferecendo suas orações de intercessão com a oferta de si mesma em cada sofrimento. O seu coração se dilata a todas “as necessidades da Santa Igreja”, vivendo com ansiedade o desejo da salvação de “todo o universo” (ibid., III-IV, passim). Verônica grita: “Ó pecadores, ó pecadoras… todos e todas, vinde ao coração de Jesus; vinde lavar-vos no seu preciosíssimo sangue… Ele vos espera com os braços abertos para abraçar-vos” (ibid., II, 16-17). Animada por uma ardente caridade, dá às irmãs do mosteiro atenção, compreensão, perdão; oferece as suas orações e seus sacrifícios pelo Papa, o seu bispo, os sacerdotes e por todas as pessoas necessitadas, incluindo as almas do purgatório. Resume sua missão contemplativa nestas palavras: “Nós não podemos andar pregando pelo mundo para converter almas, mas somos obrigados a orar continuamente por todas as almas que estão a ofender a Deus… particularmente com os nossos sofrimentos, ou seja, com um princípio de vida crucificada” (ibid., IV, 877). A nossa Santa cumpre essa missão como um “estar em meio” aos homens e Deus, entre os pecadores e Cristo Crucificado.

Verônica vive de modo profundo a participação no amor sofredor de Jesus, certa de que o “sofrer com alegria” seja a “chave do amor” (cfr ibid., I, 299.417; III, 330.303.871; IV, 192). Ela evidencia que Jesus padece pelos pecados dos homens, mas também pelos sofrimentos que os seus servos fiéis haveriam de suportar ao longo dos séculos, no tempo da Igreja, propriamente através de fé solida e coerente. Escreve: “O Eterno Pai Lhe fez ver e sentir naquele ponto todos os sofrimentos que haveriam de padecer os seus eleitos, as almas Suas mais queridas, isto é, aquelas que saberiam aproveitar do Seu Sangue e de todos os Seus sofrimentos” (ibid., II, 170). Como disse o Apóstolo Paulo de si mesmo: “Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que faltou às aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a Igreja” (Col 1,24). Verônica chega a pedir a Jesus para ser crucificada com Ele. “Em um instante – escreve –,vi sair de Suas santíssimas chagas cinco raios resplandecentes; e todos vieram em minha direção. E eu via esses raios transformarem-se em pequenas chamas. Em quatro haviam pregos; e em um havia uma lança, como de ouro, toda inflamada: e me passou o coração, de lado a lado… e os pregos passaram as mãos e os pés. Eu senti grande dor; mas, na mesma dor, me via, me sentia toda transformada em Deus” (Diário, I, 897).
A Santa está convencida de participar já no Reino de Deus, mas, ao mesmo tempo, evoca todos os Santos da pátria celeste para que venham ajudá-la no caminho terreno da sua doação, em expectativa da bem-aventurança eterna; é essa a constante aspiração de sua vida (cfr ibid., II, 909; V, 246). Em comparação às pregações da época, centrada não raramente na “salvação das almas” em termos individuais, Verônica mostra forte sentido “solidário”, de comunhão com todos os irmãos e irmãs em caminho rumo ao Céu, e vive, reza, sofre por todos. As coisas penúltimas, terrenas, no entanto, ainda que apreciadas no sentido franciscano como dom do Criador, resultam sempre relativas, em tudo subordinadas ao “gosto” de Deus e sob o sinal de uma pobreza radical. Na communio sanctorum, ela esclarece sua doação eclesial, bem como o relacionamento entre a Igreja peregrina e a Igreja celeste. “Os Santos todos – estão lá em cima através dos méritos e da paixão de Jesus; mas a tudo aquilo que fez Nosso Senhor, esses cooperaram, de modo que suas vidas foram ordenadas, reguladas pelas mesmas obras (suas)” (ibid., III, 203).

Nos escritos de Verônica, encontramos muitas citações bíblicas, algumas vezes de modo indireto, mas sempre pontual: ela revela familiaridade com o Texto sacro, do qual se nutre a sua experiência espiritual. Nota-se, também, que os momentos fortes da experiência mística de Verônica não são nunca separados dos eventos salvíficos celebrados na Liturgia, onde há um lugar particular para a proclamação e a escuta da Palavra de Deus. A Sagrada Escritura, assim, ilumina, purifica, confirma a experiência de Verônica, tornando-a eclesial. Por outro lado, no entanto, exatamente a sua experiência, ancorada na Sagrada Escritura com intensidade incomum, guia a uma leitura mais profunda e “espiritual” do mesmo Texto, entra na profundidade escondida do texto. De fato, ela não somente se exprime com as palavras da Sagrada Escritura, mas realmente também vive por essas palavras, tornam vida n’Ela.

Santa Verônica Giuliani convida-nos a fazer crescer, na nossa vida cristã, a união com o Senhor no ser pelos outros, abandonando-nos à Sua vontade com confiança completa e total, e a união com a Igreja, Esposa de Cristo; convida-nos a participar do amor sofredor de Jesus Crucificado pela salvação de todos os pecadores; convida-nos a ter o olhar fixo no Paraíso, meta do nosso caminho terreno, onde viveremos junto a tantos irmãos e irmãs a alegria da comunhão plena com Deus; convida-nos a nutrir-nos cotidianamente da Palavra de Deus para aquecer o nosso coração e orientar nossa vida. As últimas palavras da Santa podem ser consideradas a síntese da sua apaixonada experiência mística: “Encontrei o Amor, o Amor deixou-Se contemplar!”.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

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