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Homilia – 19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

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A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta, uma vez mais, da preocupação de Deus em oferecer aos homens o “pão” da vida plena e definitiva. Por outro lado, convida os homens a prescindirem do orgulho e da auto-suficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus.

O Evangelho apresenta Jesus como o “pão” vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse “pão” sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é preciso “acreditar”, isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projeto,  segui-lo no “sim” a Deus e no amor aos irmãos.
A segunda leitura mostra-nos as consequências da adesão a Jesus, o “pão” da vida… Quando alguém acolhe Jesus como o “pão” que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver no caridade, a exemplo de Cristo.

ALELUIA – Jo 6,51

Aleluia. Aleluia.

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu, diz o Senhor; quem comer deste pão viverá eternamente.

Anúncio do Evangelho (Jo 6,41-51)

O Senhor esteja convosco.

Ele está no meio de nós!

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 41 os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”.

42 Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que desceu do céu?”

43 Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna.

48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

O AMBIENTE

No seu “Livro dos Sinais” (cf. Jo 4,1-11,56), João apresenta-nos um conjunto de cinco catequeses sobre Jesus; e, em cada uma delas, usando diferentes símbolos, Jesus é apresentado como o Messias que veio ao mundo para cumprir o plano do Pai e fazer aparecer um Homem Novo. Todas essas catequeses (“Jesus, a água que dá a vida” – cf. Jo 4,1-5,47; “Jesus, o verdadeiro pão que sacia todas as fomes” – cf. Jo 6,1-7,53; “Jesus, a luz que liberta o homem das trevas” – cf. Jo 8,12-9,41; “Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas” – cf. Jo 10,1-42; “Jesus, vida e ressurreição para o mundo” – cf. Jo 11,1-56) terminam com uma secção onde se manifesta a oposição dos judeus a essa vida nova que Jesus veio propor aos homens. João vai, dessa forma, preparando os seus leitores para aquilo que vai acontecer em Jerusalém no final da caminhada histórica de Jesus: a morte na cruz.
O texto que nos é hoje proposto apresenta-nos uma dessas histórias de confronto entre Jesus e os judeus. No final do discurso explicativo da multiplicação dos pães e dos peixes, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,22-40), Jesus propusera-Se como “o Pão da vida” e convidara os seus interlocutores a aderirem à sua proposta para nunca mais terem fome. O nosso texto é a sequência desse episódio. Refere a murmuração dos judeus a propósito das palavras de Jesus e descreve a controvérsia que se seguiu.

A MENSAGEM

Os interlocutores de Jesus não aceitam a sua pretensão de Se apresentar como “o pão que desceu do céu”. Eles conhecem a sua origem humana, sabem que o seu pai é José, conhecem a sua mãe e a sua família; e, na sua perspectiva, isso exclui uma origem divina (vers. 41). Em consequência, eles não podem aceitar que Jesus Se arrogue a pretensão de trazer aos homens a vida de Deus.
Em lugar de discutir a questão da sua origem divina, Jesus prefere denunciar aquilo que está por detrás da atitude negativa dos judeus face à proposta que lhes é feita: eles não têm o coração aberto aos dons de Deus e recusam-se a aceitar os desafios de Deus… O Pai apresenta-lhes Jesus e pede-lhes que vejam em Jesus o “pão” de Deus para dar vida ao mundo; mas os judeus, instalados nas suas certezas, amarrados às suas seguranças, acomodados a um sistema religioso ritualista, estéril e vazio, já decidiram que não têm fome de vida e que não precisam para nada do “pão” de Deus. Não estão, portanto, dispostos, a acolher Jesus, “o pão que desceu do céu” (vers. 43-46). Eles não escutam Jesus, porque estão instalados num esquema de orgulho e de auto-suficiência e, por isso, não precisam de Deus.
Para aqueles que, efetivamente, o querem aceitar como “o pão de Deus que desceu do céu”, Jesus traz a vida eterna. Ele “é”, de facto, o “pão” que permite ao homem saciar a sua fome de vida (“Eu sou o pão da vida” – vers. 48). A expressão “Eu sou” é uma fórmula de revelação (correspondente ao nome de Deus – “Eu sou aquele que sou” – tal como aparece em Ex 3,14) que manifesta a origem divina de Jesus e a validade da proposta de vida que Ele traz. Quem adere a Jesus e à proposta que Ele veio apresentar (“quem acredita” – vers. 47) encontra a vida definitiva. O que é decisivo, neste processo, é o “acreditar” – isto é, o aderir efetivamente a Jesus e aos valores que Ele veio propor.
Essa vida que Jesus está disposto a oferecer não é uma vida parcial, limitada e finita; mas é uma vida verdadeira e eterna. Para sublinhar esta realidade, Jesus estabelece um paralelo entre o “pão” que Ele veio oferecer e o maná que os israelitas comeram ao longo da sua caminhada pelo deserto… No deserto, os israelitas receberam um pão (o maná) que não lhes garantia a vida eterna e definitiva e que nem sequer lhes assegurava o encontro com a terra prometida e com a liberdade plena (alimentada pelo antigo maná, a geração saída da escravidão do Egito nunca conseguiu apropriar-se da vida em plenitude e nem sequer chegou a alcançar essa terra da liberdade que buscavam); mas o “pão” que Jesus quer oferecer ao homem levará o homem a alcançar a meta da vida plena (vers. 49-50). “Vida plena” não indica aqui, apenas, um “tempo” sem fim; mas indica, sobretudo, uma vida com uma qualidade única, com uma qualidade ilimitada – uma vida total, a vida do homem plenamente realizado.
Jesus vai dar a sua “carne” (“o pão que Eu hei-de dar é a minha carne” – vers. 51) para que os homens tenham acesso a essa vida plena, total, definitiva. Jesus estará aqui a referir-se à sua “carne” física? Não. A “carne” de Jesus é a sua pessoa – essa pessoa que os discípulos conhecem e que se lhes manifesta, todos os dias, em gestos concretos de amor, de bondade, de solicitude, de misericórdia. Essa “pessoa” revela-lhes o caminho para a vida verdadeira: nas atitudes, nas palavras de Jesus, manifesta-se historicamente ao mundo o Deus que ama os homens e que os convida, através de gestos concretos, a fazer da vida um dom e um serviço de amor.

ATUALIZAÇÃO

• Repetindo o tema central do texto que refletimos no passado domingo, também o Evangelho que hoje nos é proposto nos convida a acolher Jesus como o “pão” de Deus que desceu do céu para dar a vida aos homens… Para nós, seguidores de Jesus, esta afirmação não é uma afirmação de circunstância, mas um facto que condiciona a nossa existência, as nossas opções, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar à vida verdadeira e definitiva. Que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? É à volta d’Ele que construímos a nossa existência? O projeto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas opções que fazemos em cada instante?

• “Quem acredita em Mim, tem a vida eterna” – diz-nos Jesus. “Acreditar” não é, neste contexto, aceitar que Ele existiu, conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considerações teológicas a propósito da sua mensagem… “Acreditar” é aderir, de facto, a essa vida que Jesus nos propôs, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-l’O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos; é fazer da própria vida – como Ele fez da sua – uma luta coerente contra o egoísmo, a exploração, a injustiça, o pecado, tudo o que desfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objectividade, que “acredito” em Jesus?

• No seu discurso, Jesus faz referência ao maná como um alimento que matou a fome física dos israelitas em marcha pelo deserto, mas que não lhes deu a vida definitiva, não lhes transformou os corações, não lhes assegurou a liberdade plena e verdadeira (só o “pão” que Jesus oferece sacia verdadeiramente a fome de vida do homem). O maná pode representar aqui todas essas propostas de vida que, tantas vezes, atraem a nossa atenção e o nosso interesse, mas que vêm a revelar-se falíveis, ilusórias, parciais, porque não nos libertam da escravidão nem geram vida plena. É preciso aprendermos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança no “pão” que não sacia a nossa fome de vida definitiva; é necessário aprendermos a discernir entre o que é ilusório e o que é eterno; é preciso aprendermos a não nos deixarmos seduzir por falsas propostas de realização e de felicidade; é necessário aprendermos a não nos deixarmos manipular, aceitando como “pão” verdadeiro os valores e as propostas que a moda ou a opinião pública dominante continuamente nos oferecem…

• Porque é que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e não estão dispostos a aceitá-l’O como “o pão que desceu do céu”? Porque vivem instalados nas suas grandes certezas teológicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imutável e estéril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles construíram um Deus fixo, calcificado, previsível, rígido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abundância. Esta “doença” de que padecem os líderes e “fazedores” de opinião do mundo judaico não é assim tão rara… Todos nós temos alguma tendência para a acomodação, a instalação, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias política ou religiosamente corretas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elaborações teológicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espaço para o mistério de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. É preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pré-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; é preciso termos sempre o coração aberto e disponível para esse Deus sempre novo e sempre dinâmico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abundância.

BILHETE DE EVANGELHO
Antes de nos pormos a caminho para receber o Pão da Vida, Jesus recorda-nos que, antes de mais, somos convidados, que é Deus que dá o primeiro passo: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor!” De seguida, pede-nos que façamos um acto de fé: “Dizei uma palavra e serei salvo!” Crer n’Aquele que Deus enviou… Crer, isto é, ter confiança nas suas palavras e nos seus gestos. Aquele que tem confiança sabe que não ficará decepcionado. O que Cristo quer é que vivamos plenamente, enquanto vamos ao seu encontro: a sua palavra é alimento, a sua carne (a sua pessoa) é alimento, com Ele ficamos saciados. Ele vem até nós para que vivamos d’Ele e, por Ele, a nossa vida ganhe sentido, os nossos gestos possam dar a vida, as nossas palavras possam exprimir a ternura, a nossa oração se torne relação filial com o Pai.

À ESCUTA DA PALAVRA
Os judeus recriminavam Jesus: “Esse homem não é Jesus, filho de José? Conhecemos bem seu pai e sua mãe. Como pode dizer «Eu desci do céu»?” Os adversários de Jesus discutiam a sua origem e a sua pretensão exorbitante. Devemos reconhecer que a dificuldade dos compatriotas não era pequena. Jesus não tinha nada de extraterrestre. Se estivéssemos lá, talvez tivéssemos a mesma atitude… Ora, para descobrir o mistério profundo de Jesus, é preciso ir para além das aparências. Para conhecer Jesus, é preciso acolher a luz que vem da Palavra de Deus, ter o olhar da fé. A fé é uma “luz obscura”, pede um salto numa “confiança nocturna”, na noite. Isso verifica-se já nas nossas relações humanas de amor e de amizade. A fé-confiança não é uma evidência “científica” que leva a uma adesão imediata da inteligência. A fé só se pode aceitar e viver numa relação de amor, de amizade. Para além das aparências… Só podemos aceitar a Palavra de Jesus se nos abrirmos a Deus. Jesus pede aos seus discípulos para terem confiança: “Crede em Deus, crede também em Mim”. A fé é uma graça, um dom gratuito. Mas é também um combate, segundo São Paulo: “Combati até ao fim o bom combate… guardei a fé”. Em definitivo, somos reenviados a uma escolha que, certamente, não suprime as exigências da nossa razão, mas ultrapassa-as, porque aceitamos entrar numa relação de amor e de amizade com Jesus, “o filho de José”, que reconhecemos também como “o Filho de Deus”.

PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Saborear Deus, saborear a bondade da Criação…Vamos saborear a bondade do Senhor através da beleza da sua Criação. Paisagens, elementos naturais, animais, astros, etc… E, no cume, as pessoas que encontramos, todas criadas à imagem do Criador!

Abraços fraternos e solidários a todos, e uma abençoada semana, paz e bem!


Frei Fábio, OSF
 

Frei Fábio, OSF é formando em Filosofia, professo perpétuo, hoje o Ministro-Geral da Ordem  de São Francisco, OSF no Brasil, diácono transitório, amante e um defensor da ecologia,  desenvolve trabalhos com moradores de rua, e os mais oprimidos pela sociedade, realiza  palestras sobre franciscanismo, bíblia, ecologia, cura interior e amorização. Atualmente reside em  Florianópolis, SC.


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O que a Bíblia tem de bom para oferecer?

Leitura da Bíblia

leitura da Bíblia

O que a Bíblia aborda?

Se fosse preciso definir em uma frase, caberia dizer que a Bíblia trata da história da relação entre Deus e o ser humano, do início até o fim dos tempos.

Como conhecemos esta história? Porque Deus a revelou a nós.

Considere isso: se você quisesse conhecer um ser inferior a você – imaginemos um inseto, por exemplo –, você poderia olhar para ele, examiná-lo, dissecá-lo, e assim saber como ele é; se você desejasse conhecer alguém semelhante a você, poderia também descobrir muitas coisas somente olhando, já que, em muitos aspectos, ele se parece a você – mas seria de grande ajuda se ele lhe contasse algo sobre si.

Agora, se você quisesse conhecer um ser muito superior a você, isso seria completamente impossível, se ele não o permitisse.

Você não poderia averiguar nada por contra própria: Ele teria de revelar as coisas a você. E foi exatamente isso que aconteceu com Deus.

Ele tomou a iniciativa de nos revelar coisas que jamais teríamos podido conhecer de outra maneira, e essa revelação é a que está contida na Bíblia.

O que a Bíblia nos revela?

Ela nos revela, com verdade e sem erro, que Deus é o Criador de tudo que existe; que Ele criou o ser humano por amor e para o amor, e quando este escolheu se afastar desta vocação à qual havia sido chamado, Deus não o abandonou, mas lhe enviou seu Filho para salvá-lo do pecado e da morte.

A Bíblia conta a história da salvação da humanidade, uma história que abrange todos nós e, por isso, vale a pena conhecê-la.

De que maneira a Bíblia está estruturada?

A palavra “Bíblia” significa biblioteca.

Quando abrimos uma Bíblia pela primeira vez, percebemos que o que parece ser um só volume, na verdade é um conjunto de 73 livros! E eles estão agrupados em duas grandes partes: 46 livros no Antigo Testamento, e 27 no Novo Testamento.

Cabe esclarecer que o termo “testamento” não se refere ao legado que alguém deixa a outra pessoa; neste contexto, a palavra significa “aliança”.

O Antigo Testamento mostra como Deus, Criador do mundo e do homem, estabeleceu com este uma aliança de amor; e quando o homem rompeu esta aliança, Deus não só a renovou, mas também prometeu enviar alguém para consolidar com o homem uma aliança eterna.

O Novo Testamento narra como Deus cumpre esta promessa em Jesus, seu Filho amado, Deus feito Homem.

Os livros desta “biblioteca” foram escritos em um período aproximado de mil anos, razão pela qual abrangem não só autores muito diferentes, mas também diversos gêneros literários.

Assim, temos crônicas, relatos épicos, censos, ensinamentos e conselhos, poemas, relatos míticos, profecias, cartas e alguns textos com um gênero próprio, que não se encontra em nenhum outro lugar: os Evangelhos.

Como você pode ver, há um pouco de tudo e para todos os gostos.

Assim, se até agora você achava que a Bíblia só continha histórias chatas que pertencem a um passado que não tem nada a ver com você, deixe esta ideia de lado, porque ela é falsa!

Adentrar na Bíblia é iniciar uma viagem maravilhosa, em um mundo fascinante, que sempre terá algo novo e interessante para lhe oferecer.

Em suas páginas, você sempre encontrará o que precisa ouvir.

O fato de ser formada por tantos livros, de diversos gêneros literários, diferentes autores, enfoques, intenções e formas de comunicá-las, garante que sua leitura jamais seja entediante.

Nunca deixe de encontrar algo que fale direto ao seu coração!

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Nossa “Casa Comum”: Natureza, dádiva do Criador. – Frei Fábio Machado, OSF

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Vivemos na natureza. Aliás, seria mais correto dizer que somos vivificados por ela, porque para viver necessitamos de tudo que ela nos fornece, desde vegetais, grãos, hortaliças, carnes variadas e obviamente a água bem tão precioso nos tempos atuais. Sem tudo isso não sobreviveríamos por muito tempo, se dúvida, experimente ficar uma semana sem comer e beber água.

Ar, água, vegetais, animais, tudo faz parte da natureza. Vivemos nessa terra devido as dádivas preciosas da natureza e ao Amor de Deus, e isso é uma grande benção de nosso Criador.

O Sol ilumina a Terra, é fonte de energia, e por ordem da natureza alterna-se entre dia e noite, nos proporcionando bem estar entre o dia e a noite.

Entretanto a natureza esta se alterando gradualmente. Áreas verdes diminuem cada vez mais, devido ao desmatamento, queimadas e a ganância do homem por lucros diários.

Em consequência disso a população de animais invade fazendas buscando alimentos e uma nova morada, sendo muita das vezes abatida, assim diminuindo a população desses animais e alguns chegando a extinção de fato.

As plantas recebem luz solar, produzem oxigênio e reduzem o gás carbônico. Com a diminuição das florestas, reduz o oxigênio da atmosfera, aumenta a proporção de gás carbônico e ocorre o aquecimento do planeta, que se transforma em uma verdadeira estufa, e quem sofre com tudo isso?

Tudo isso esta ocorrendo pela ganância do homem, sua falta de educação ambiental, e não é apenas uma parte da humanidade, mas sim a maioria da população só pensa na conveniência e na comodidade e se esquecem de zelar e agradecer a Deus pela Criação da Irmã Natureza, que é tão preciosa para a humanidade.

Se o homem continuar à agredir a natureza dessa forma, as consequências serão cada dia piores, e logo perderemos a benção de viver em um planeta vivificante e verdejante.

Cada um deve fazer sua parte para cuidar dessa “Casa” enorme, porém deve ser feito in loco, e devemos começar educando nossas crianças sobre ter uma consciência ecológica. Que os adultos se espelhem nessas crianças e pensem que o Planeta está pedido socorro, e se não cuidamos dele de uma forma correta, logo não teremos mais “Casa”.

Que Nosso Pai Criador, nos impulsione a sermos cuidadores de nosso Planeta. Amém. T

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Frei Fabio Machado, OSF (Ministro-Geral OSF)
Formando em Filosofia, trabalha como Gerente Comercial.
Desenvolve trabalho com os irmãos de rua, defensor da ecologia e dos animais. Reside atualmente em Florianópolis (SC).

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O cordão e os três nós – Frei Fábio Machado, OSF

Nos franciscanos

O cordão significa o elo que une a forma de vida franciscana.

É o fio condutor do Evangelho.

A síntese da Boa-Nova são os três conselhos evangélicos: obediência, pobreza, pureza de coração.

Obediência significa acolhida para escutar o valor maior.

Quem abre os sentidos para perceber o maior e o melhor não tem medo de obedecer e mostra lealdade a um grande projeto.

Pobreza não é categoria econômica de quem não tem, mas é valor de quem sabe colocar tudo em comum.

Ser pobre, no sentido bíblico-franciscano, é a coragem da partilha.

Ser puro de coração é ser transparente, casto, verdadeiro.

É revelar o melhor de si.

Os três nós significam que o obediente é fiel a seus princípios; o pobre vive na gratuidade da convivência; o casto cuida da beleza do seu coração e de seus afetos.

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Santoral Franciscano: 2 de julho – Bem-Aventurado Carmelo Volta (1803-1860).

carmelo

Santoral Franciscano: 2 de julho
Bem-Aventurado Carmelo Volta (1803-1860).

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1803-1860). Beatificado por Pio XI no dia 10 de outubro de 1926.

Carmelo Volta é modelo e protetor dos párocos e de todos os que fazem a cura d’almas. Foi pároco zeloso primeiro em Ein-karem (São João da Montanha) e depois em Damasco, onde ele e seus irmãos sofreram martírio por Cristo. Ele nasceu em Real de Candia, perto de Valência, Espanha, em 1803. Seu pai, José e sua mãe, Josefina Bamez, depois de educá-lo santamente em família, o confiaram aos Irmãos das Escolas Pias, onde foi educado e instruído.

Ele tinha 22 anos quando finalmente pôde realizar seu desejo de dedicar sua vida a Deus na Ordem dos Frades Menores. Depois da formação e estudos, foi ordenado sacerdote. Em 1831 veio para a Terra Santa, onde se encontrou com o beato Manuel Ruiz. Seus espíritos estarão sempre unidos no mesmo ideal para compartilhar no mesmo campo as lutas do apostolado e o triunfo do martírio.

Animado pelo espírito de Deus, trabalhou com grande zelo para o bem das almas a ele confiadas. Aos 57 anos de idade, o incansável ministério pastoral havia limitado suas forças, razão pela qual pediu um coadjutor, e o teve na pessoa do jovem Engelberto Kolland.

A popularidade de Carmelo era singular: em Ein Karem e, especialmente, em Damasco, ele foi amado e respeitado até mesmo pelos muçulmanos.

Na noite de 10 de julho de 1860 os drusos invadiram o convento e Carmelo buscou refúgio em um canto na escola paroquial, mas foi descoberto por um turco, que o atingiu com um bastão. Um jovem viu isso, correu para ajudar o seu pastor, mas ele aconselhou-o a fugir. Logo depois veio outros muçulmanos que prometeram salvá-lo com a condição de que ele renunciasse à sua fé em Cristo e aderisse a Maomé. A esta proposta, justamente indignado, gritou: “Sou sacerdote e cristão. Quero morrer no seguimento de Cristo”. Os muçulmanos não permitiram que ele continuasse falando e o cercaram, especando-o até a morte, enquanto ele invocava a Deus. Carmelo tinha 57 anos.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

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Programação do IV Encontro Provincial da IATB

GEDC3573

Já se encontra no site da Igreja Anglicana Tradicional do Brasil – IATB, toda a programação do encontro nacional.

IV Encontro Provincial da IATB

Salvador-BA – 10 a 12 de julho de 2015

Programação do IV Encontro da IATB

Sexta feira – 10/07/2015

15:00 hs – Recepção dos participantes pelos bispos
17:00 hs – Mesa Redonda com os participantes presentes e os bispos
20:00 hs – Abertura Solene com Celebração Eucarística celebrada pelo Arcebispo e concelebrada pelos bispos e demais clérigos
22:00 hs – Recolhimento

Sábado – 11/07/2015

06:00 hs – Despertar
06:30 hs – Desjejum
07:10 hs – Orações matutinas
08:00 hs – Apresentação do tema: “Conexão entre Liturgia e Missão” – Rev. Wagner Araújo – São Paulo
09:00 hs – Apresentação do tema: “Fenômenos religiosos do pós-modernismo. Todos os caminhos levam a Deus?” – Dom José Ziliotto – Curitiba
09:40 hs – Lanche da manhã
10:00 hs – Apresentação do tema: “Igrejas Anglicanas Continuantes – Esta expressão corresponde à realidade?” – Dom Ricardo dos Anjos – Belém/PA
11:30 hs – Participação das pessoas convidadas ao Encontro com informes
12:00 hs – Almoço
13:15 hs – Apresentação do tema: “A Igreja e a Inclusão” – Padre Alfredo Dorea – Salvador
14:15 hs – Apresentação do tema: “Serviço Social na Igreja” – Padre Moisés – Salvador
14:45 hs – Apresentação do tema “Juntos em prol do Reino” – Candidato ao Diaconato Wanderson Pereira – Natal/RN
15:15 hs – Lanche da tarde
15:45 hs – Apresentação do tema: “Fundamentação Bíblico-teológica do Pensamento Social da Igreja no Brasil” Dom Orvandil Moreira Barbosa – Goiânia
17:45 hs – Debates sobre os temas apresentados
18:30 hs – Encerramento das apresentações
19:00 hs – Jantar
21:00 hs – Reunião da Câmara dos Bispos
23:00 hs – Recolhimento

Domingo – 13/07/2015

06:00 hs – Despertar
06:30 hs – Desjejum
07:10 hs – Orações matutinas
09:00 hs – Ordenações Diaconais celebrada pelo Arcebispo e concelebrada pelos bispos
12:30 hs – Almoço
14:00 hs – Elaboração da Carta de Salvador
15:00 hs – Encerramento do IV Encontro

Veja abaixo como chegar ao local do IV Encontro a partir do Aeroporto Luis Eduardo Magalhães.

MapaLocalEncontro

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Santoral Franciscano: 29 de junho – Bem-Aventurado Benvindo de Gúbio (+1232).

bemvindo-de-Gubio

Religioso da Primeira Ordem (+1232). Gregorio IX e Inocêncio XII em 1697 concederam em sua honra ofício e Missa.

Benvindo era natural de Gúbio, na Úmbria, e soldado de profissão e analfabeto. Sofreu a influência franciscana e tomou o hábito dos Menores em 1222. Desde o momento em que ingressou na Ordem, modelou sua vida inteiramente pela de São Francisco.

Encarregado de cuidar dos leprosos, a seu próprio pedido, tratava-os como se fossem o Senhor, em pessoa, pensando-lhes as chagas, dando-lhes banho, e jamais evitando os casos mais repulsivos e os ofícios mais humildes. Ele os servia em tudo, sempre alegre, sempre afável. Sua compaixão por eles era tanto maior talvez, sobretudo, pelo fato de que ele próprio padecia de várias enfermidades, que suportava com inesgotável paciência. Passava grande parte da noite em oração, e, muitas vezes, durante a missa, teve a visão de uma criancinha linda, para a qual estendia os braços como se procurasse abraçá-la. Sua conduta era tão exemplar, que, ao que se sabe, nunca mereceu uma única censura. Ele teria podido viver ignorado do mundo exterior, no isolamento da vida religiosa, não fossem os dons sobrenaturais de natureza superior que Deus lhe concedera. Esses dons propagaram sua fama por toda a parte.

Benvindo morreu em Corneto, na Apúlia, em 1232. Cinco anos depois de sua morte, os bispos de Veneza e de Amalfi se dirigiram à S. Sé, pedindo-lhe que aprovasse o seu culto, e citaram muitos milagres em apoio à sua petição. O papa Gregório IX concedeu-a para as duas dioceses.

Parece que não se tem notícia de uma biografia independente, mas vejam-se Acta Sanctorum, junho, vol. VII; Wadding, Annales O.M.; e Léon, Auréole Séraphique (traduzida para o inglês), vol. lI, p, 427-429.

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Francisco de Assis: um homem Santo! – Frei Marcelo Veronez, OFMConv

 

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Frei Marcelo Veronez, OFMConv

Não é fácil falar de São Francisco como um personagem, “nem tanto santo, nem tanto pecador”. Poderíamos dizer que, por vezes, Francisco parece-nos tão distante, tão longe da realidade do cotidiano em que vivemos. Mencionar São Francisco poeticamente é lirismo, até porque, nós ocidentais somos dotados de um romantismo em relação a ele, por causa dos cachorrinhos, dos passarinhos e de seu amor por todas as criaturas. Essa visão romântica retratada nos quadros pela nossa cultura ibérica não nos revela um autêntico São Francisco de Assis. Vale a pena falar um pouco sobre esta visão, porque São Francisco é um homem muito complexo. Não foi um palhaço, nem um boneco, nem alguém que não tivesse carne e osso, que não tivesse sentimentos, que não viveu os dramas da vida que nós “normais” vivemos, que não viveu também a felicidade e a tristeza, a dor e a plenitude da vida. Este Francisco pintado pelos artistas, talhado nas esculturas, descrito nos livros de romance, é uma leitura que nos encanta. Não nos deixa pasmados a sua vivência? Porém, a visão romântica e poética de São Francisco não nos ensina a sua realidade mais concreta, mas nos vicia catequeticamente. Ela não nos traz a espiritualidade autêntica do homem santo e real que foi Francisco de Assis. A verdadeira espiritualidade de São Francisco é encarnada, é muito viva e é muito completa.

Poderíamos também falar de São Francisco como “reconhecidamente” o homem deste último milênio. Vocês sabem que a revista Times elegeu São Francisco como a maior personalidade do último milênio? Foi ele um dos homens que influenciaram “efetivamente” a política do seu tempo, a cultura, a sociedade, a religião, gerando um Estado em transformação. Quando no pós feudalismo nascia a abertura das cidades e a sua formação, o desenvolvimento do mercado, a troca e a venda, o nascimento das universidades, São Francisco estava lá na praça, pregando o Evangelho, questionando os modelos da nascente burguesia, julgando-os à luz da dignidade cristã, trazendo às consciências a penitência que coloca o ser humano no seu original. Falando de assistência social, de política, do sagrado, de paz, São Francisco grita e denuncia, pelo seu exemplo, a entediante riqueza, a falta de distribuição de renda, tão presente na realidade em que vivemos hoje. São Francisco foi um homem encarnado em seu tempo, não isolado, mas um homem que foi capaz de encontrar-se com o outro, de olhar o próximo, de perceber o caminho que lhe conduzia a Deus. São Francisco que parece sempre debruçado sobre a rocha, contemplando a cruz, profundamente místico, não está muito distante de nós. Mas é importante desmistificar isso, para “encarnar” a realidade e aprender de forma catequética o modelo que foi e é Francisco. Diria que deveríamos gerar e transformar a ilusão de um “santinho” em realidade de um verdadeiro “Santo”. Falo isso, porque esperamos, quando celebramos uma memória, uma festa, ouvir coisas bonitas acerca de um determinado santo ou beato, mas os santos, beatos e ainda outros que fazemos memória não estão aí para serem adorados, a exemplo do que faziam os gregos e romanos diante de seus deuses, mas a Igreja os colocou e os canonizou, não como grandes personalidades humanas que foram divinizadas, não só para serem pintados e aparecerem nas esculturas e ícones das igrejas, mas, porque são uma história concreta, que transformou vidas, que transformou a sociedade, o mundo, com o desapego e com suas virtudes.

Francisco é um modelo de ser humano que despertou o mundo para encontrar e experimentar o Cristo “humano, apesar do divino”, não o Cristo “Divino, apesar de humano”. Seria como encontrar em Cristo “o Jesus”, muito próximo de nós e igual a nós, irmão, pobre, sofredor, amigo e amado. É muito interessante e inovadora essa visão simplória de Francisco. Para ele, isso era fundamental e de profunda sabedoria. Uma sabedoria que lhe foi dada na experiência do vazio “bom”, da pobreza e da simplicidade.

São Francisco não buscou a sabedoria nos livros, nem nas pós graduações, nem nos mestrados, nem nos doutorados, dizem seus biógrafos “era um ignorante” e “sem letras”. São Francisco foi direto à raiz essencial da existência humana, na raiz do que nos faz entender-se “criatura” como Deus nos fez e não como donos da criação. Encontrou ele, a verdadeira sabedoria em Deus, pois Deus é a fonte e a força motivadora da existência humana, é o criador. D’Ele provém o conhecimento verdadeiro, no mais estreito da palavra. Para esta sabedoria não se faz necessário o conhecimento palpável, mas àquela que vai além dos nossos sentidos, além do que pode ser contemplado ou verificável, a isso nós chamamos fé.

Francisco, após sua conversão, não quis acessórios para sua experiência de fé, não quis encher-se de supérfluos, pois uma só coisa lhe bastava, a cruz de sua existência. Neste estado entendeu o que é amar profundamente, o que é ser gratuito, o que é doar. No estado extremo de um limite ímpar ele viu em Jesus um aliado, no sofrimento, na dor, nas imperfeições, na fragilidade da Cruz e na morte corporal. A morte, para Francisco de Assis é a verdadeira desapropriação que imita o estado perfeito da criatura.

O mistério da cruz, do ponto de vista espiritual, não é dado a entender para quem quer fazer ciência, não é para quem quer fazer psicologia, não é para quem quer fazer teologia, indagando a si mesmo: como estava o corpo de Jesus naquele momento? Que tipo de sangue é o de Jesus? O mistério da cruz é um mistério profundamente espiritual, uma construção teológica da nossa própria existência, que é a minha vida, pois não consigo descrevê-la por palavras verbalmente. Viver é dar sentido a minha existência, isto é, a minha cruz com tudo o que ele me propõe.

Francisco tomou esta cruz e deu sentido a ela. Perguntaríamos ainda: qual é a razão de fazer memória deste homem? – Ele não quis nada, disse não à propriedade, não ao dinheiro, não às riquezas, não ao poder, não à autoridade. A razão de cultuá-lo é antes de tudo sugar dele um modelo espetacular de singularidade existencial. Uma doutrina que nos revela o Evangelho no mais original, sem véus e bem transparente, porque Francisco, viu em Jesus um “igual”, daí que na doutrina franciscana somos todos iguais. Ninguém é maior do que ninguém. O Filho de Deus, para Francisco de Assis, é pobre, humilde, sem nada de próprio e casto. São Francisco de Assis recria uma fraternidade baseada na palavra de Deus, na descrição mais originária dos Evangelhos sobre o Messias.

Caros, não é à toa que desde o início do cristianismo, há dois mil anos, em lugares onde ocorriam os martírios foram construídas as primeiras igrejas. Um cristão ao morrer em nome de Cristo era sepultado em catacumbas subterrâneas. Nelas nasceu a igreja física e a partir delas a comunidade cristã dedicou essas igrejas aos mártires, aos santos. Percebe-se, pois, que não é em vão que uma igreja seja dedicada a São Francisco, que uma igreja seja dedicada a um santo qualquer, não é um fetiche religioso. Não é uma continuidade dos templos romanos dedicados a deuses de pedra, mas é uma dedicação que transborda em “espiritualidade” de vida concreta. Na prática, ter um padroeiro como São Francisco de Assis é ter uma espiritualidade que me una a Deus e me dê o limiar existencial e escatológico sobre a vida. É aprender com ele, é recolher da sua experiência de vida os elementos que me dão a razão de existir. Digo isto, porque tem gente que dá razão a sua existência em coisas temporais e efêmeras, dizendo: “eu sou feliz, porque eu tenho um bom emprego e um bom salário”. Ledo engando, pois a nossa existência não tem sentido no estar e adquirir coisas, senão na essência da vida criada e gerada em Deus.

Fazer memória de São Francisco é um convite a entender a visão otimista da vida, do cosmos, do mundo. Entender que este santo viu nas misérias humanas, nas coisas terríveis da nossa coletividade e até no pecado, a grande possibilidade de entrar em harmonia com o universo, com a criação. São Francisco não se coloca como aquele que quis destruir e dominar as criaturas, como aquele que corta as árvores, que mata os animais, que polui as cidades. Não se achava ele um ser diferente em dignidade criacional melhor que as plantas e os animais, maior que a terra ou os astros. Para Francisco, os seres humanos foram presenteados por uma criação especial, porém não por uma matéria melhor ou diferente daquela de todo o Criado. A espiritualidade que emerge dessa fabulosa e fantástica capacidade integradora de São Francisco é a espiritualidade da inclusão, da harmonia, da gratuidade, da fraternidade, do encontro com o próximo. Daí em diante, ele abraçou todo mundo, lançou-se universalmente de uma forma integradora que culminou nos estigmas: sinal de seu mais profundo desejo de ser como Cristo o verdadeiro homem, já que Jesus foi o verdadeiro Filho de Homem.

Esse “Universalismo Franciscano” não é de se perder de vista, uma vez que nos lança sempre mais a um otimismo significativo, cheio de desejo, transformação, construção de um mundo novo e buscá-lo é nosso dever. Na prática da vida precisamos conquistar espaços para nos tornar significativos. Lembram daquela história que eu sempre conto nas homilias? Abrindo a janela do convento em que morei na Itália, na cidade de Roma, em um museu à frente, tem escrito – “Itália: terra de santos, heróis e navegadores” – está frase fica na fachada do museu e nos faz recordar a essência histórica de uma nação que transformou a realidade, que questionou a os sistemas, que deu exemplo de cultura, de dignidade à sociedade e nela inclusa os homens e as mulheres de muitos tempos. Francisco de Assis nasceu em uma terra de cultura “secular”, para não falar em “milenar”. Uma terra que deu testemunho da ação e construção do cristianismo ocidental, um povo que não ficou só na palavra. A exemplo dessa São Francisco se fez pobre com os pobres, para que os seus percebessem os excluídos, os pobres fora dos muros das cidades. Francisco não fez e nem realizou somente uma “assistência social”, acolhendo, alimentando, cuidando ds leprosos, nem dando seu manto para um pobre, como se assistisse à miséria humana, mas São Francisco quis ser pobre com os pobres, em par de igualdade. Nós éramos quando entendemos a espiritualidade franciscana a partir do assistencialismo descomprometido com o ser humano, como fazem os sistemas de governo ao construir creches, dar cestas básicas, bolsa família, etc. Isto é assistência social ou simplesmente um assistencialismo. São Francisco não deu assistência material, contudo trouxe o sentido para vida dos pobres, percebem a diferença? – é para isso, “caros amigos”, que nós somos convocados e questionados. Enfim, percebemos que a espiritualidade de São Francisco está muito longe de nós.

Vemos, então, claramente que São Francisco na sua dimensão encarnada e real, nos leva ao foco da existência humana. Desta forma, nos encontramos como que diante de nós mesmos, vazios e sem respostas. São Francisco nos arrasta junto com ele, porque não esteve no mundo como passivo, mas na ação a serviço do ser humano. A exemplo dele nós podemos transformar a sociedade, transformar a vida da minha família, da escola, do trabalho. Os valores que posso colher da vida dele, não são somente imagens, não é um romance, é real.

É imprescindível que com o otimismo universal de São Francisco, jamais percamos de vista sua história e exemplo. Que possamos levá-lo para a nossa vida real, mesmo que nos sintamos incomodados porque não sabemos como realizar o que ele nos ensinou. Porém, animados pela força que o impulsionou possamos dizer que é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna. T

Fonte: Reflexões Franciscanas

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Santoral Franciscano: 28 de junho – Mártires na China (1900)

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SANTORAL FRANCISCANO – 28 de junho
Santa Maria Hermelina de Jesus, Maria da Paz, Maria Clara, Maria de Santa Natalia, Maria de São Justo, Maria Adolfina e Maria Amandina, Franciscanas Missionárias de Maria, Mártires de Tai-yuen-fu (+ 9 de julho de 1900).

Canonização por João Paulo II, em 1º de outubro de 2000.

Em 1900, sete Franciscanas Missionárias de Maria são martirizadas na China durante a revolução dos Boxers, dando à fundadora a alegria de ter agora sete verdadeiras Franciscanas Missionárias de Maria!. Elas foram para a China para trabalhar com doentes, órfãos e toda espécie de excluídos e fortificar a nova comunidade cristã do Chan-Si. Para substituí-las, a fundadora enviará um novo grupo e, entre elas, uma jovem, Irmã Maria Assunta, cuja generosidade silenciosa conquistou logo em seguida o afeto dos chineses, antes de morrer de tifo em 1905, aos 26 anos. Em 1954, Ir. Maria Assunta foi beatificada por Sua Santidade o Papa Pio XII.

Palavras de Irmã Maria Hermínia, superiora da comunidade, que falou em nome de todas, quando o Bispo lhes propôs que partissem para outro lugar: “Por amor de Deus, não nos impeçais de morrer convosco. Se a nossa coragem é demasiada fraca para resistir à crueldade dos carrascos, acreditai que Deus, que nos envia a provação, nos dará também a força de sair vitoriosas. Não tememos nem a morte, nem os tormentos… Vivemos para praticar a caridade e derramar, se for necessário, o nosso sangue por amor de Jesus Cristo.”

Sete mulheres decidiram ser FIÉIS à mensagem de Jesus e ao povo a quem foram enviadas. Pagaram sua fidelidade com a própria vida… mas a Boa Nova continua a espalhar alegria… Outras Missionárias passaram – e passam ainda hoje – a chama da Fé.

No dia 10 de março de 2000, o Santo Padre João Paulo II, fixou para 1º de outubro de 2000 a canonização dos Mártires da China, entre eles, sete Religiosas Franciscanas Missionárias de Maria serão reconhecidas pela Igreja pelo testemunho de suas vidas heróicas.

Os mártires da China
A Igreja universal ratifica a santidade destes 120 mártires, que em diversas épocas e lugares deram a vida por fidelidade a Cristo: 32 deles foram martirizados entre 1814 e 1862; 86 morreram durante a revolta dos Boxers em 1900 e dois foram mortos em 1930. Entre eles sobressaem seis bispos europeus, 23 sacerdotes, um irmão religioso, sete religiosas, sete seminaristas e 72 leigos, dos quais dois catecúmenos. Os mártires tinham entre sete e 79 anos. Todos eles foram beatificados, uns em 1900 e outros em 1946. Muitos deles eram chineses das províncias de Guizhou, Hebei, Shanxi e Sichuão e 33 eram missionários europeus.

A perseguição religiosa na China ocorreu em diversos períodos da sua história. A primeira perseguição deu-se na dinastia Yuan (1281-1367). Prosseguiu mais tarde na dinastia Ming (1606-1907), recrudescendo de forma especial em 1900 com a revolta dos Boxers. E continuou durante as cinco décadas de governo sem interrupção. Grande parte destes canonizados deram a vida durante a revolta dos Boxers em 1900, que foi como que uma premonição do que iria acontecer nas cinco décadas de governo comunista na China.

Os missionários foram objeto de um édito imperial de 10 de Julho de 1900, que fomentou e provocou o massacre de milhares de cristãos. Outros morreram durante as perseguições religiosas das dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911). De fora ficarão as centenas de mártires que durante o regime comunista foram perseguidos e deram a vida por fidelidade ao Evangelho e a Cristo. Para a Igreja da China é um acontecimento importante pela magnitude e pelo contexto em que ocorre. É-o igualmente para a Igreja universal, bastante desconhecedora do que acontece com a Igreja da China. Eis algumas considerações sobre o significado do evento.

O martírio tem assinalado a Igreja da China ao longo dos séculos, desde a chegada da mensagem cristã no século VII com a vinda do monge sírio Alopen e dos nestorianos até Xian, capital da dinastia Tang, no ano de 635. Os estudiosos da Igreja na China, que falam de cinco tentativas de evangelização do país, concordam em afirmar que cada tentativa em estabelecer a presença do Evangelho no Império do Centro acarretou perseguições e martírio. Umas vezes pelas discrepâncias de credos, porque o imperador era considerado o Filho do Céu; outras pelos contrastes de culturas ou por motivos políticos; outras vezes por divisões entre as congregações religiosas presentes no território. O fato é que estamos diante de uma Igreja martirial. Mesmo hoje em dia isso é uma realidade permanente tanto para as comunidades subterrâneas como para as que conseguem atuar mais às claras.

O controlo e a perseguição variam conforme os lugares e as situações, mas os cristãos continuam a ser abertamente perseguidos e, por vezes, encarcerados e torturados. Como João Paulo II dizia na sua mensagem aos católicos da China por ocasião da celebração do ano jubilar: «O Jubileu será uma oportunidade para lembrar os trabalhos apostólicos, os sofrimentos, as dores e o derramamento de sangue que têm feito parte da peregrinação desta Igreja ao longo dos tempos. Também no meio de vós o sangue dos mártires se converteu em semente de uma multidão de autênticos discípulos de Jesus… E parece que este tempo de prova ainda prossegue nalgumas localidades.»

Com esta canonização, a Igreja da China envia uma mensagem profética ao mundo de hoje. Tanto pela singeleza com que afirmaram a sua fé como pela valentia em recusar a apostasia que os libertaria dos tormentos, da tortura e das infindáveis humilhações, o testemunho destes 120 mártires é a palavra viva de Deus, clara e ao mesmo tempo misteriosa. É sem dúvida alguma um encorajamento para as gerações vindouras de cristãos. Para além deste grupo de cristãos, muitos mais haveria a canonizar, mas, por falta de provas e informação, não puderam ser reconhecidos, embora a Igreja autentique como valores de ontem e de hoje a fidelidade a Cristo acima de qualquer ideologia, sistema ou tirania.

Os santos chineses espelham uma capacidade de doação e uma confiança ilimitada em Deus num contexto hostil à mensagem cristã. Se o autêntico tesouro do discípulo de Cristo é a cruz e se não há outra forma de seguimento de Cristo senão através da cruz, podemos dizer que a Igreja universal reconhece de forma pública o testemunho destes mártires como riqueza para toda a Igreja.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

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