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GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

Sem dúvida, São Francisco, é o Santo que mais ocupa o mundo dos ensaios, artigos, textos e teses. É o Santo presente nas artes plásticas e em debates de diversos setores de assuntos religiosos ou não. Conhecido dentro e fora do cristianismo tem o respeito e a admiração de protestantes, anglicanos, ortodoxos. Atravessa a fronteira do ocidente e é conhecido na Índia, China e Japão. Um pastor calvinista, professor em Strasburgo, o grande Paul Sabatier, o trouxe para o mundo das Fontes Franciscanas com um sério estudo histórico-crítico de seus Escritos e Biografias. Personalidades conhecidas da política e dos espaços acadêmicos se referiram a ele, como por exemplo Lênin e Renan.

Francisco é seguido por muitos discípulos e discípulas nas suas Três Ordens, das Terceiras Ordens Regulares, das muitas famílias religiosas e leigas que brotaram da sua inspiração e Regra de Vida. Irrompeu desde os Concílios de Latrão em 1216, como seu espírito estava presente em tantas  propostas, mesmo a partir  do Vaticano II que gritou pelo retorno às Fontes, quando  Francisco já era uma Fonte consolidada. Sua cidade, Assis, atrai peregrinos de todas as partes do mundo. Buscar Francisco é entrar no modo de ser de Jesus Cristo. Um Santo de ontem, de hoje e do futuro. Os jesuítas Lippert, Von Galli  e Van Doornik o consideram um profeta de nosso tempo. O fato é que este Poverello de Assis abre trilhas de seguimento natural de Cristo. Um Santo com jeito ecumênico, interdisciplinar, holístico e inter-religioso, da unicidade e da reconciliação, da paz e da sonhada fraternidade universal.

“A santidade de um só superava a multidão dos imperfeitos”

“Mas Francisco era consolado abundantemente pelas visitas de Deus, que lhe davam segurança de que as bases de sua Ordem haveriam de permanecer firmes. Recebeu até a promessa de que os escolhidos haveriam de substituir sempre, garantidamente, os que fossem indo embora. Numa ocasião em que estava sofrendo por causa dos maus exemplos e se apresentou perturbado na oração, recebeu do Senhor esta interpelação:” Por que te perturbas, homenzinho? Será que eu te coloquei como pastor da minha Ordem para desconheceres que o patrono principal sou eu? Foi para isto que eu te escolhi, homem simples, a fim de que siga quem quiser as obras que eu fizer em ti e que devem ser imitadas por todos os demais.  Eu chamei, guardarei e apascentarei. Para reparar a queda de uns colocarei outros, de maneira que, se não vierem ao mundo, eu mesmo os farei nascer. Por isso, não te perturbes, mas cuida da tua salvação porque, mesmo que a Ordem ficasse reduzida a três frades, permanecerá sempre firme pela minha proteção”. A partir daí, dizia que a santidade de um só superava a multidão dos imperfeitos, porque são inumeráveis as trevas que se dissipam com um só raio de luz” (2Cel 158)

Tudo foi colorido e florido na vida de Francisco? Não! É só conferirmos 2Cel 157 e  sentiremos suas crises sobre si mesmo, crises ao ver o mau exemplo dos que o seguiam: “Dizia que os bons frades são confundidos pelas ações dos maus frades e, mesmo não tendo pecado, são postos em julgamento pelo exemplo dos perversos. Por isso estão atravessando com uma cruel espada, que enterraram o dia inteiro em meu coração.”

Afastava-se às vezes dos frades “para não ter sua dor renovada por ouvir alguma coisa má contada a respeito de alguns deles” ( 2 Cel 157). E dizia: “Tempo virá em que esta Ordem, amada por Deus, vai ser difamada pelos maus exemplos, a ponto de ficarem envergonhados de sair em público. Mas os que entrarem na Ordem neste tempo serão trazidos unicamente pela ação do Espírito Santo, não terão mancha alguma da carne e do sangue, e serão verdadeiramente abençoados por Deus. Em seu meio, não haverá grandes ações meritórias, pelo resfriamento da caridade, que faz com que os santos ajam com fervor, mas terão provações imensas, e os que forem aprovados nesse tempo serão melhores que seus predecessores” (idem).

Podemos pesquisar muitos autores e o grande apreço que se tem por São Francisco de Assis. Embora cada um tenha o seu ponto de vista, todos convergem para uma mesma verdade: Francisco irradia Cristo, mostra de um modo transparente o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar, o Evangelho vivido a partir de virtudes evangélicas encarnadas, a identificação com a Senhora Dama Pobreza,  a nítida humildade, a vivência indiscutível do amor fraterno, a pequenez, a simplicidade, a filiação divina, a liberdade de espírito, a disponibilidade, o espírito cortês-cavaleiresco, a nobreza de alma, a alegria, a liberdade e a responsabilidade, a grande presença e compreensão de estar entre os pobres e os pequenos, os acenos de uma nascente compreensão de gênero no modo de chamar tudo e todos de irmãos e irmãs, seu modo de tratar as mulheres, os pecadores, as plantas, os animais, os vermes da estrada e a verdade contida nos sinais e símbolos. Francisco é um grande ser humano e santo que nos provoca, interpela, vai fundo no pisar o chão da existência, um ser medieval e global. Um santo de ontem, de hoje e do nosso futuro.

Podemos consultar as Fontes Franciscanas e Clarianas, os Escritos de São Francisco, as Legendas, as Biografias Hagiográficas, o que ele disse, o que disseram sobre ele, a opinião de seus companheiros, há a prova de tudo o que falamos acima, e nos remete a conhecer seu espírito, sua vida, seu jeito, seu tempo, seu modo de compreender e resgatar a eclesiologia da época, de ser um sinal para o mundo de então, e para os tempos de agora.

Francisco de Assis é uma fonte inesgotável de palavras e interpretações, porque tem o manancial dos segredos do Evangelho. Um humano santo que soube escutar, ler e praticar uma inspiração divina e fazer dela uma honesta e profunda convicção e uma prática saudável e eficaz. Nele a Palavra de Deus, especificamente do Evangelho, se funde com sua escolha e vida.

Para Francisco Jesus Cristo não é um ser histórico descrito em letras, mas a mais eloquente encarnação de Deus na terra dos humanos. Ele não se apegou literalmente a trechos do Evangelho, assim como fizeram os valdenses, cátaros e “umiliati”. Não é um inovador fanático que repete versículos apenas por repetir e moralizar. Não representa o poder que exalam  alguns pregadores  de se apegarem  a esta ou aquela palavra do texto evangélico e se descuidam da vivência.

Ele é a maior prova de que assumir o Espírito  vivifica, como dizem João e Paulo; mas a letra mata. Francisco não morre nas palavras, mas funde-se nelas para espiritualizar-se primeiro antes de falar.

Fonte: Blog Carisma Franciscano – Frei Vitório Mazzuco Filho, OFM
É natural de Campo Limpo Paulista, São Paulo. Nasceu no dia 28 de abril de 1953 e ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 20 de janeiro de 1973. Fez a profissão solene no dia 2 de agosto de 1977 e foi ordenado sacerdote no dia 7 de julho de 1979. Estudou Filosofia e Teologia de 1974-1979 no Instituto Teológico Franciscano, Petrópolis. Fez Mestrado em Teologia com especialização em Teologia Espiritual Pontificium Athenaeum Antonianum, Roma, Itália.

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GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

O Pai é para Francisco o Altíssimo, o Inefável, o Íntimo, o que está presente e operante em suas obras. Ele é o Bem, o Sumo Bem. Doador da Bondade esparramada em todas as suas obras, o jardim natural da redenção. Deus se faz Doador e Dom na casa do mundo, preparada para a morada do Filho e do Espírito Santo. Francisco vive trinitariamente de forma total, em comunhão de vida e afeto com o Pai que se espelha no Filho; com o Filho que se faz Irmão, e com o Espírito que reúne uma Fraternidade de Filiação. O Espírito gera a unidade de Pai e Filho, de Humanidade e Criação.  Expressa isso na oração que atravessa horas: “ Meu Deus é meu Tudo!”.

Louva um Amor que se dá por inteiro, agradece sua intervenção nos detalhes da vida e pede perdão por não amar o suficiente. Para expressar esta sua relação íntima com a Trindade, precisa de todas as formas de vida para colocá-las numa união amorosa. Derrama em suas palavras a certeza de ser mãe, pai, filho, irmão, irmã, esposo, esposa, noivo, noiva, amigo e amiga, Leão e Clara, Rufino, Ângelo e Jacoba de Settesoli.

Na Carta aos Fiéis escreve nos versículos 48 a 60: “E à medida que todos aqueles e aquelas fizerem tais coisas e perseverarem até o fim, pousará sobre eles o Espírito do Senhor e fará neles habitação em um lugar de repouso, e serão filhos do Pai celestial, cujas obras realizam. E são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando a alma fiel se une pelo Espírito Santo a Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus; somos mães, quando o trazemos em nosso coração e nosso corpo através do Amor e da consciência pura e sincera; damo-lo à luz por santa operação que deve brilhar como exemplo para os outros. Como é glorioso, santo e sublime ter nos céus um Pai! Como é santo, consolador, belo e admirável ter um esposo! Como é santo e dileto, aprazível, humilde, pacífico, doce, amável e acima de tudo desejável ter tal irmão e filho que expôs a sua vida pelas suas ovelhas e orou ao Pai por nós, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste. Pai, todos os que me deste no mundo eram teus e a mim os deste. E as palavras que me deste, eu lhas dei; e eles aceitaram e reconheceram verdadeiramente eu sai de ti e creram que tu me enviaste ( Jo 17 ); rogo por eles e não pelo mundo; abençoa-os e santifica-os. E por eles santifico-me a mim mesmo, para sejam santificados na unidade assim como também nós o somos. E quero, Pai, que onde eu estou, também eles estejam comigo, para que vejam minha glória em teu Reino” (Jo 17, 24).

Continua

Frei Vitório Mazzuco, OFM

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GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

Podemos entender que em Francisco a Palavra de Deus é o próprio Amor de Deus. Faz deste Amor a meta e o grande projeto de sua vida. O Amor equilibra qualquer interpretação radical da Palavra de Deus. Mesmo sendo pobre e desprezando o dinheiro foi flexível em situações como estas, vejamos aqui nas Fontes: “A mãe de dois irmãos veio uma vez ter com o santo, pedindo esmola com confiança. Compadecendo-se dela, o santo pai disse a Frei Pedro Cattani, seu vigário: “Podemos dar alguma esmola à nossa mãe?”

Na verdade, ele dizia que a mãe de algum irmão era também sua mãe e de todos os irmãos. Respondeu-lhe Frei Pedro: “Nada há em casa que lhe possa ser dado”. E acrescentou: “Temos um Novo Testamento em que, por não termos breviários, fazemos as leituras das Matinas”. Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Dá o Novo Testamento à nossa mãe para que ela o venda para sua necessidade, porque por ele somos admoestados a ajudar os pobres. Creio realmente que mais agradará a Deus a doação que a leitura. “Portanto, o livro dado à mulher, e o primeiro Testamento que houve na Ordem se vai por esta sagrada piedade.” (2Cel 91).

Outro texto muito significativo é este: “Certa vez, vendo o vigário do santo, Frei Pedro Cattani que Santa Maria da Porciúncula era frequentada por multidão de irmãos de fora e que as esmolas não eram suficientes para prover as coisas necessárias, disse a São Francisco: “Irmão, não sei o que fazer e não tenho com que prover suficientemente aos irmãos que afluem aos bandos de toda parte. Peço-te que permitas que se reservem algumas coisas dos noviços que entram, às quais se possa recorrer para gastar em tempo oportuno”.

Respondeu o santo: “Irmão caríssimo, Deus nos livre desta piedade: que por qualquer homem se aja de maneira ímpia contra a Regra”. E ele disse: “Então, o que farei?”

Disse São Francisco: “Despoja o altar da Virgem e retira o ornato variegado, quando de outra maneira não puderes socorrer aos necessitados. Crê em mim, agradar-lhe-á mais que seja observado o Evangelho de seu Filho e que seu altar seja despojado do que ter o altar ornado e o Filho desprezado. O Senhor enviará quem restitua à Mãe o que ela nos emprestou” (2Cel 67).

Imagem: Porciúncula, em Santa Maria dos Anjos

Fonte: Blog Frei Vitório Mazzuco, OFM


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Santoral Franciscano: 04 de agosto – São João Maria Batista Vianney

São João Maria Vianney

Sacerdote pároco de Ars, da Terceira Ordem (1786-1859). Canonizado por Pio XI no dia 31 de maio de 1925. 

João Maria Batista Vianney nasceu em 8 de maio de 1786, no povoado de Dardilly, ao norte de Lyon, França. Seus pais, Mateus e Maria, tiveram sete filhos, ele foi o quarto. Gostava de frequentar a igreja e desde a infância dizia que desejava ser um sacerdote. Vianney só foi para a escola na adolescência, quando abriram uma na sua aldeia, escola que frequentou por dois anos apenas, porque tinha de trabalhar no campo. Foi quando se alfabetizou e aprendeu a ler e falar francês, pois em sua casa se falava um dialeto regional.

Para seguir a vida religiosa, teve de enfrentar muita oposição de seu pai. Mas com a ajuda do pároco, aos vinte anos de idade ele foi para o Seminário de Écully, onde os obstáculos existiam por causa de sua falta de instrução. Foram poucos os que vislumbraram a sua capacidade de raciocínio. Para os professores e superiores, era considerado um rude camponês, que não tinha inteligência suficiente para acompanhar os companheiros nos estudos, especialmente de filosofia e teologia. Entretanto era um verdadeiro exemplo de obediência, caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo.

Em 1815, João Maria Batista Vianney foi ordenado sacerdote. Mas com um impedimento: não poderia ser confessor. Não era considerado capaz de guiar consciências. Porém para Deus ele era um homem extraordinário e foi por meio desse apostolado que o dom do Espírito Santo manifestou-se sobre ele. Transformou-se num dos mais famosos e competentes confessores que a Igreja já teve.

Durante o seu aprendizado em Écully, o abade Malley havia percebido que ele era um homem especial e dotado de carismas de santidade. Assim, três anos depois, conseguiu a liberação para que pudesse exercer o apostolado plenamente. Foi então designado vigário geral na cidade de Ars-sur-Formans. Isso porque nenhum sacerdote aceitava aquela paróquia do norte de Lyon, que possuía apenas duzentos e trinta habitantes, todos não-praticantes e afamados pela violência. Por isso, a igreja ficava vazia e as tabernas lotadas.

Ele chegou em fevereiro de 1818, numa carroça, transportando alguns pertences e o que mais precisava, seus livros. Conta a tradição que na estrada ele se dirigiu a um menino pastor dizendo: “Tu me mostraste o caminho de Ars: eu te mostrarei o caminho do céu”. Hoje, um monumento na entrada da cidade lembra esse encontro. Ele chegou como bom filho de São Francisco, humildemente, um pobre entre os pobres e pronto para conquistar almas. O espírito franciscano que havia assimilado ao entrar na Terceira Ordem da Penitência o guiou no ministério pastoral.

Treze anos depois, com seu exemplo e postura caridosa, mas também severa, conseguiu mudar aquela triste realidade, invertendo a situação. O povo não ia mais para as tabernas, em vez disso lotava a igreja. Todos agora queriam confessar-se, para obter a reconciliação e os conselhos daquele homem que eles consideravam um santo.

Na paróquia, fazia de tudo, inclusive os serviços da casa e suas refeições. Sempre em oração, comia muito pouco e dormia no máximo três horas por dia, fazendo tudo o que podia para os seus pobres. O dinheiro herdado com a morte do pai gastou com eles.

A fama de seus dons e de sua santidade correu entre os fiéis de todas as partes da Europa. Muitos acorriam para paróquia de Ars com um só objetivo: ver o cura e, acima de tudo, confessar-se com ele. Mesmo que para isto tivessem que esperar horas ou dias inteiros. Assim, o local tornou-se um centro de peregrinações.

O Cura de Ars, como era chamado, nunca pôde parar para descansar. Morreu serenamente, consumido pela fadiga, na noite de 4 de agosto de 1859, aos setenta e três anos de idade. Muito antes de ser canonizado pelo papa Pio XI, em 1925, já era venerado como santo. O seu corpo, incorrupto, encontra-se na igreja da paróquia de Ars, que se tornou um grande santuário de peregrinação. São João Maria Batista Vianney foi proclamado pela Igreja Padroeiro dos Sacerdotes e o dia de sua festa, 4 de agosto, escolhido para celebrar o Dia do Padre.


 

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Que todos tenham pão!

multiplicação dos pães

Amadas irmãs e amados irmãos em Cristo, que todas e todos vocês estejam em paz!

A narrativa da multiplicação dos pães é a única que se repete, com muita similitude e de forma detalhada, nos quatro evangelhos canônicos.

Vamos ler o citado episódio e, em seguida, refletirmos juntos a respeito.

A essa notícia, Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé. Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes. Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: “Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia”. Jesus, porém, respondeu: “Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer”. Mas, disseram eles: “Nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes”. “Trazei-nos”, disse-lhes o Senhor. Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo. Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios. Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças.

Muitos se atem ao significado literal da Sagrada Escritura, em seu contexto histórico, cultural e geográfico, especialmente no que concerne aos milagres realizados por Jesus e narrados pelos evangelistas.

Em que pese a importância de tais sinais, todos levados pelo infinito amor de Cristo pela humanidade, alimentando os famintos, aliviando os sofredores, curando os doentes e, até mesmo, ressuscitando os mortos, vamos conduzir nossas reflexões sobre a narrativa acima apresentada ampliando nosso foco, tentando abrir nossa mente e nosso coração para as revelações divinas que poderemos nela encontrar.

Aplacar a fome de alguém, apesar de ser um evidente ato de bondade, que o próprio homem poderia incluir em seu cotidiano, por mais simples e óbvio que possa parecer, ainda é algo a ser mais desejado, e rotineiramente introjetado no seio da humanidade. Jesus, por amor, por compaixão, repartiu o pão e aliviou a fome de muitos. Uma ação, aparentemente simples, mas que ainda não a rotinizamos em nossa vida.

Apesar de milhões de famintos no mundo chegarem a morrer de fome, mesmo perplexos e com um sentimento de pena, não de compaixão, assistimos passivamente tal acontecimento. Gasta-se muito mais em armamentos para matar o próximo do que para alimentar os desvalidos. E o mundo, atônito, acaba tomando partido de um dos lados dos conflitos, mas muito pouco, efetivamente, mobiliza-se para reverter, pelo menos parte desses gastos, para alimentar aqueles que mal conseguem levantar-se por causa da fome que lhes consome. Chegamos a ficar aliviados de nossa culpa pela condição de abastados, ao darmos migalhas que nos sobram aos necessitados que chegam próximos de nós, pois o deslocamento maior para irmos até eles não nos é possível pela “falta de tempo e de oportunidade”, belas justificativas para esconder nossa falta de disposição e interesse. Ajudamos, quando muito, a quem está próximo, com o que nos excede, enquanto os que estão distantes, além do nosso campo de visão, sequer chegam a incomodar nossa consciência, é algo que “não nos compete”, está “fora de nossa responsabilidade”.

Qual a obrigação que tinha Jesus com aquela multidão faminta, além de seu amor incomensurável por cada um deles? E nós, quando apregoamos nossa cristandade, como buscamos nos assemelhar a Jesus, em sua trajetória humana por este mundo? Buscar seus ensinamentos e seu exemplo, quando o fazemos, sem que os convertamos em prática de vida, jamais nos fará um cristão, no máximo um simpatizante pelas obras e orientações de Nosso Senhor.

Pois bem, além da compaixão infinita do Cristo Jesus pelos necessitados, mobilizando-o à concretude da ação de alimentá-los, ele o fez por intermédio da ajuda dos seus discípulos. Solicitou a eles que buscassem o que dispunham, mesmo que pouco, ou quase nada diante da multidão, mas servia, sempre serve, sempre é possível dividir, repartir o que se tem, objetivando compartilhar com nossos irmãos, sempre é possível ajudar quem necessita, mesmo que se disponha de pouco.

Por intermédio dos discípulos, Jesus repartiu o pão, deu do pouco que dispunha a quem nada tinha, e assim o fez com tamanho amor que, além de alimentar os famintos, sobrou muito mais do que se tinha antes, para que se pudesse utilizar, posteriormente, com outros necessitados.

Não há limites para a compaixão com o próximo. O amor é a única coisa no mundo que, ao ser aplicado, não diminui, pelo contrário, multiplica-se com o uso. Do pouco que se tem muito se pode dar, e quanto mais se dá, maior é a quantidade disponível para se ofertar.

Vejam que extrapolamos o pão físico. A revelação evangélica ultrapassa os limites da fome física. Levemos o ensinamento com a passagem de hoje para além da concretude do alimento do corpo. Percebam que a multiplicação dos pães nos revela, não apenas o alimento físico que se multiplicou pela compaixão de Cristo pela humanidade, mas também a possibilidade e a importância de multiplicarmos o amor pelos nossos irmãos, por menos que dispomos, por maiores que sejam nossas amarguras, apesar de todas as nossas limitações.

O pão multiplicado, além do alimento do corpo, representa o alimento da alma, sendo distribuído, por solicitação de Cristo Jesus, pelos discípulos, grupo esse que nos inserimos, ao reconhecermos em nós a essência cristã.

Ser cristão, ser discípulo de Jesus, vai muito mais além de práticas formais religiosas. Necessariamente, envolve ações cotidianas, atitudes diárias discipulares, a busca contínua de imitarmos Jesus em sua natureza humana. Ao orientar seus discípulos a darem de alimento para os famintos, de corpo e de alma, mesmo com a ínfima quantidade de pão (pão da vida) disponível, aparentemente incompatível com a necessidade, não se limitava aos discípulos presentes naquele momento, tampouco aos famintos que lá se encontravam, nosso Senhor apontava o caminho para todos os que desejam segui-lo, dispor do que tem, mesmo sendo pouco, e sempre compartilhar com os que necessitam. Certamente, tal atitude terá sua bênção, propiciando que repartir o disponível seja suficiente para todos, havendo, inclusive, após a partilha, a sobra para que mais e mais pessoas possam se beneficiar.

Que nós saibamos repartir o que temos com nossos irmãos, tanto bens materiais, como espirituais. Não por obrigação, ou por expiação relacionada a faltas preteritamente cometidas, ou ainda para conquistar “olhares” melhores do Altíssimo, mas por compaixão, sem qualquer intencionalidade egoística, por puro amor que, em essência, se encontra em todos os seres. Assim, fatalmente, tais bens serão multiplicados.

Cuidado, esse caminhar não aponta para os benefícios materiais que poderemos ter com a repartição dos bens. Não estou me referindo a uma possível prosperidade material em decorrência de compartilharmos o que dispomos. Estou falando da multiplicação do que temos e, com isso, a possibilidade de ajudarmos a muito mais do que poderíamos imaginar. É a multiplicação do alimento, do corpo e da alma, para que possamos, apesar das aparentes limitações, avançar no apoio de um maior número de pessoas, comparado a nossa expectativa inicial.

Incluamo-nos dentre os discípulos de Cristo Jesus e busquemos seguir suas orientações como tal, em especial, no compartilhar com o que temos, mesmo sendo pouco, com aqueles que têm menos do que nós.

Um fraterno abraço e que a paz do Senhor esteja sempre na vida de vocês!

11650636_865689293515412_703155432_n João Milton, OSF é médico clínico geral , sanitarista, professo perpétuo,  presbítero, atual Secretário Geral da Ordem de São Francisco, mestre em teologia, mestre em educação pela PUC, especialista em terapia comunitária, especialização em teologia bíblica pela Universidade Mackenzie e  curso de semântica, lexicografia e o simbologismo dos objetos litúrgicos cristãos pelo Centro Universitário Claretiano entre outros cursos. Hoje atua no atendimento público de Brasília DF , e aos mais necessitados em diversos trabalhos pastorais. Vive atualmente em Brasília, DF.
Contato: freijomilton@fradesfranciscanos.com


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FRANCISCO E A AMIZADE

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Francisco de Assis, amigo de Clara de Assis, amigo de Ângelo, de Rufino, de Leão, seu amigo pessoal, confidente, confessor e secretário. Francisco amigo de todos da Fraternidade, Francisco amigo e Irmão de todos os seres da natureza. Uma amizade de presença, carinho, reconhecimento, retribuição, elogios, uma amizade realmente fraterna. Ao seu redor todos se sentem amados.

No caminho de Francisco a amizade é uma seta indicativa de lugar relacional, porque traz a raiz sólida de uma força de convivência. Todo o bom relacionamento tem interferência  na vida e na prática. Como atuar no comum sem a força de um amor fraterno pessoal?  Olhemos para Francisco como ele se aproximava de tudo e de todos: como amigo e irmão, com amor cálido, cordial e intimidade fraterna. Temos que aprender com ele!

Nossas aproximações às vezes são de interesse, de afirmar nosso lado de saber, ter e poder. Isto atinge nossa formação, nossa eclesialidade e vivência comum. Nem sempre foi priorizado o âmbito do coração, do sentimento, da afetividade e da emotividade. Muitas vezes, quando temos aproximações marcantes com alguém, somos rotulados de carentes, além de aparecerem expressões de inveja, ciúme, repressões, tensões e rupturas.

Há amigos, se é que assim podemos chama-los,  que se aproximam enquanto levam vantagem. Depois entram num ostracismo sem tamanho quando você deixou de ser útil para eles. Porém,  há aqueles que despojadamente são fiéis escudeiros de uma vida.

Imagem acima de Piero Casentini: Francisco e seus companheiros.

Continua

Fonte: Blog do Frei Vitório Mazzuco, OFM


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Santoral Franciscano: 02 de agosto – Bem-Aventurado Vicente de Aquila (1435 – 1504)

Bem-Aventurado Vicente de Aquila

Religioso da Primeira Ordem (1435-1504). Aprovou seu culto Pio VI no dia 19 de setembro de 1787.

Vicente nasceu em Aquila, em Abruzzo, por volta de 1435. Aos 14 anos ingressou na Ordem dos Frades Menores no convento de São Julião, fundado pelo beato Antonio de Stroncone, perto dos portões da cidade. Admitido ao noviciado e feita a profissão dos votos perpétuos passou os primeiros anos de sua vida conventual retirado em uma cabana no bosque do convento, que só o deixava para cumprir os serviços que lhe eram atribuídos, em especial, o de sapateiro, talvez, sua primeira profissão.

Era tanta a sua aplicação na oração, que Frei Marcos de Lisboa escreveu sobre ele: “Vincente permanecia abstraído e elevado no ar, parecendo que seu corpo estava sem sentidos, como uma pessoa morta”. Os superiores ao vê-lo tão exemplar, para afastá-lo da mortificação excessiva, pediram a ele para mendigar. Entre as pessoas que se inspiraram em sua santidade, devemos lembrar da jovem Matía di Luculi, que depois se tornou religiosa agostiniana em Aquila, com o nome de Irmã Cristina, e hoje é venerada no altar com o título de bem-aventurada.

Vincente foi enviado para o convento em Penne, em seguida para ficar 10 anos em Sulmona, de onde retornou para São Julião de Aquila. O príncipe de Cápua, a Rainha Joana, segunda esposa de Fernando I e irmã de Fernando o Católico, Rei da Espanha buscavam seus conselhos. Ele previu a coroa real para o Duque de Calabria, filho mais velho de Fernando I de Aragão.

Um mal que afligia há algum tempo Vincente foi se agravando até não conseguir deixar mais sua cela. Ele suportou tudo com grande resignação e serenidade dos santos. Na noite de 7 de agosto de 1504 veio a falecer na paz no Senhor, amorosamente assistido por seus confrades. A Bem-aventurada Matia Ciccarelli, de sua janela viu a luz do convento de São Julião, com grande esplendor e a alma de seu diretor espiritual voar para o céu, acompanhada por uma multidão de anjos. Ele tinha 69 anos. Ele foi sepultado na igreja de São Julião de Aquila. Seu corpo incorrupto é preservado em uma urna artística. Seu culto foi aprovado por Pio VI no dia 19 de setembro de 1787.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.


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O Que Significa Evangelizar?

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Nos tempos atuais tão marcados pelo marketing, começamos a duvidar daqueles que nos prometem algo de bom. Neste contexto, o verbo «evangelizar» do Novo Testamento pode trazer-nos algum receio. Temos vergonha de propor a nossa a fé a outra pessoa, como se estivéssemos a tentar vender algo. E estamos tão preocupados em respeitar os outros que não queremos dar a impressão de que tentamos impor as nossas ideias ou convencê-los, especialmente quando se trata de uma questão tão íntima como a da confiança em Deus.

Mas será que sabemos realmente o que o Novo Testamento quer dizer com «evangelizar»?

Em grego, o verbo é utilizado para resumir a expressão «anunciar boas notícias»: alguém que é «evangelizado» é, basicamente, alguém a quem «foi dado a conhecer». Pode ser usado para anunciar um nascimento, um armistício ou um novo líder. Não tem, por si só, um significado religioso. No entanto, e apesar de ser quase um lugar-comum, foi esta a palavra escolhida pelos cristãos para descrever o aspecto mais precioso da sua fé: o anúncio da ressurreição de Cristo. O que é interessante é que, gradualmente, a palavra perdeu o seu complemento. Não se dizia «dar a conhecer a alguém a ressurreição de Cristo» mas, simplesmente, «evangelizar alguém». Além de ser para poupar tempo, o desaparecimento do complemento tem também um significado mais profundo.

Para os cristãos, proclamar a Boa Nova da ressurreição de Cristo não é falar de uma doutrina que deve ser decorada ou de qualquer aspecto sapiencial para ser meditado. Acima de qualquer outra coisa, evangelizar significa ser testemunha de uma transformação que ocorre dentro do ser humano: pela ressurreição de Cristo já se iniciou a nossa própria ressurreição. Ao mostrar um respeito infinito por todos aqueles que encontrou (visível nas curas que encontramos nos Evangelhos), ao assumir o lugar mais baixo para que, desse modo, ninguém pudesse estar abaixo dele (é o significado do seu baptismo), Jesus Cristo devolveu valor e dignidade a cada pessoa. Mais do que isso, Jesus esteve connosco na morte para que nós possamos estar perto dele na sua comunhão com o Pai. Com esta «admirável permuta de dons» (liturgia da Páscoa), descobrimos que somos plenamente aceites em Deus, plenamente acolhidos por ele, tal como somos. Os cristãos dos primeiros séculos resumiram tudo isto dizendo: «Deus tornou-se homem para que o homem se pudesse tornar Deus!»

Evangelizar não significa portanto, em primeiro lugar, falar de Jesus a alguém, mas, a um nível muito mais profundo, fazer com que essa pessoa perceba o valor que tem para Deus. Evangelizar é comunicar estas palavras de Deus que surgem cinco séculos antes de Cristo: «És precioso aos meus olhos, eu estimo-te e amo-te» (Isaías 43,4). Desde a manhã de Páscoa, sabemos que Deus não hesitou em dar-nos tudo, para que nunca nos esqueçamos do nosso valor.

Podemos «evangelizar» alguém ao mesmo tempo que respeitamos a sua liberdade?

Fazer com que as pessoas percebam o seu valor para Deus não é uma opção. S. Paulo chega mesmo ao ponto de dizer «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Coríntios 9,16). Para S. Paulo, a evangelização surge como a consequência directa da sua ligação a Cristo. Pela sua ressurreição, Cristo une-nos a Deus de um modo inseparável. Mais ninguém se pode sentir excluído desta união. E, ao mesmo tempo, a humanidade já não se encontra fragmentada: desde a ressurreição, pertencemos uns aos outros.

No entanto, a questão mantém-se: como podemos anunciar essa Boa Nova a quem não conhece nada de Deus e parece nada esperar de Deus?

Primeiro do que tudo, pela nossa própria ligação a Cristo. S. Paulo disse: «Vós revestiste-vos de Cristo» (Gálatas 3,27). A evangelização apela a que comecemos por nós próprios. É, sobretudo, com a nossa vida, e não com palavras, que damos testemunho da realidade da ressurreição: «Assim posso conhecê-lo a ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos, conformando-me com ele na morte, para ver se atinjo a ressurreição de entre os mortos» (Filipenses 3,10-11). É pela nossa certeza, pela nossa alegria serena em saber que somos amados por toda a eternidade, que Cristo se torna credível aos olhos daqueles que não o conhecem.

Porém, há situações em que as palavras são necessárias. S. Pedro diz isso muito bem: «Estai sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça» (1 Pedro 3,15). É claro que falar de um amor íntimo requer muita sensibilidade e, por vezes, é difícil encontrar as palavras correctas, especialmente em situações em que a fé é fortemente posta em questão. Jesus tinha consciência disso e disse aos seus discípulos: «Quando vos levarem (…) às autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, pois o Espírito Santo vos ensinará, no momento próprio, o que deveis dizer» (Lucas 12,11-12).

Porque Cristo se revestiu da nossa humanidade e nós nos revestimos de Cristo, nunca deveríamos ter medo de não saber como falar. A vocação cristã de acolher todos sem discriminação, em detrimento de escolher apenas aqueles que amamos, tem em si uma generosidade que é tocante e, mais do que isso, que cobre o outro com a vida de Cristo. Enquanto servos, partilhamos o nosso manto com aqueles a quem servimos, à semelhança do próprio Cristo que, quando lavou os pés dos seus discípulos, «tirou o manto» (João 13,4). É, acima de tudo, a gratuidade dos nossos actos que falará por nós e que dará autenticidade às palavras que proferimos.

Paz e Bem !

Fontes : Comunidade Ecumênica de Taizé e Site Peregrino Franciscano

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Santoral Franciscano: 01 de agosto – Bem-Aventurado Francisco Pinazzo (1812 – 1860)

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Religioso e mártir da Primeira Ordem (1812-1860). Beatificado por Pio XI no dia 10 de outubro de 1926.

Francisco Pinazzo nasceu em Alpuente, província de Valência, Espanha, em 24 de agosto de 1812, de pais pobres, mas ricos em fé. Ele passou sua juventude nos campos e bosques pastoreando rebanhos. Seguindo o exemplo de São Pascoal Bailão, São Salvador de Horta, São Carlos de Sezze e muitos outros que entregaram sua vida a Deus, desde o grande livro da criação.

Com doze anos, seu pai morreu, e a mãe, por necessidade familiar, se casou pela segunda vez. Felizmente, Francisco teve um novo pai, religioso e cordial. Aos 20 anos, decidiu renunciar ao mundo para se dedicar a Deus.

No convento de Huelva tomou o hábito da Ordem dos Frades Menores como um irmão leigo. Durante 13 anos, ele desfrutou de uma grande paz com seus confrades. Um dos trabalhos que desempenhou foi o de sacristão no mosteiro de Gandia. Em 1843, ele obteve permissão para ir como missionário para o Oriente. Na Palestina, passou 17 anos em vários santuários, como Aim Karem, Haifa, Nazaré, Nicósia, em Chipre e, finalmente, em Damasco.

Até que um dia sofreram o martírio. Ele e seu confrade João Santiago Fernandez foram perseguidos pelos muçulmanos e, no momento de perigo, procuraram refúgio no campanário da igreja. Foram encontrados pelos perseguidores, que não tiveram piedade nem quando eles se ajoelharam em oração, com as mãos levantadas para o céu. Os muçulmanos quebraram suas colunas vertebrais com golpes fortíssimos e os jogaram do campanário para o pátio. Os corpos permaneceram no solo, como objetos de desprezo pela multidão, cheia de ódio contra os cristãos mártires.

O apostolado franciscano cresceu muito ao redor do convento franciscano, em Damasco, e outros massacres teriam acontecido se em favor dos cristãos não tivesse intervindo o mesmo Emir Abd-el-Kader. Embora muçulmano, ele apreciava o trabalho dos missionários franciscanos e estava muito triste por não poder impedir a matança de 10 de Julho.

Reconhecendo sua boa fé, o francês Lavigerie, alguns meses depois, foi visitar Emir e deu-lhe estas palavras: “O Deus que eu sirvo é o mesmo, sem dúvida, do seu Alá, que tem inspirado tanta devoção e generosidade”. Palavras que hoje, depois do Vaticano II, tornaram-se mais claras, mas que a Igreja nunca deixou de proclamar, especialmente com o sangue de seus mártires. Francisco tinha 48 anos.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

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Santoral Franciscano: 31 de julho – São Tomás Moro (1477-1535)

São Tomás Moro

Mártir da Terceira Ordem Franciscana (1477-1535). Canonizado por Pio XI em 1935.

Tomás Moro nasceu em Chelsea, Londres, na Inglaterra, no ano de 1478. Seus pais eram cristãos e educaram os filhos no seguimento de Cristo. Aos treze anos de idade, ele foi trabalhar como mensageiro do arcebispo de Canterbury, que, percebendo a sua brilhante inteligência, o enviou para a Universidade de Oxford. Seu pai, que era um juiz, mandava apenas o dinheiro indispensável para seus gastos.

Aos vinte e dois anos, já era doutor em direto e um brilhante professor. Como não tinha dinheiro, sua diversão era escrever e ler bons livros. Além de intelectual brilhante, tinha uma personalidade muito simpática, um excelente bom humor e uma devoção cristã arrebatadora. Chegou a pensar em ser um religioso, vivendo por quatro anos num mosteiro, mas desistiu. Tentou tornar-se um franciscano, mas sentiu que não era o seu caminho. Então, decidiu pela vocação do matrimônio. Casou-se, teve quatro filhos, foi um excelente esposo e pai, carinhoso e presente. Mas sua vocação ia além, estava na política e literatura.

Contudo Tomás nunca se afastou dos pobres e necessitados, os quais visitava para melhor atender suas reais necessidades. Sua casa sempre estava repleta de intelectuais e pessoas humildes, preferindo a estes mais que aos ricos, evitando a vida sofisticada e mundana da corte. Sua esposa e seus filhos o amavam e admiravam, pelo caráter e pelo bom humor, que era constante em qualquer situação. A sua contribuição para a literatura universal foi importante e relevante. Escreveu obras famosas, como: “O diálogo do conforto contra as tribulações”, um dos mais tradicionais e respeitados livros da literatura britânica. Outros livros famosos são “Utopia” e “Oração para o bom humor”.

Em 1529, Tomás Moro era o chanceler do Parlamento da Inglaterra e o rei, Henrique VIII.

No ano seguinte, o rei tentou desfazer seu legítimo matrimônio com a rainha Catarina de Aragão, para unir-se em novo enlace com a cortesã Ana Bolena. Houve uma longa controvérsia a respeito, envolvendo a Igreja, a Inglaterra e boa parte do mundo, que acabou numa grande tragédia. Henrique VIII casou com Ana, contrariando todas as leis da Igreja que se baseiam no Evangelho, que reconhece a indissolubilidade do matrimônio. Para isso usou o Parlamento inglês, que se curvou e publicou o Ato de Supremacia, que proclamava o rei e seus sucessores como chefes temporais da Igreja da Inglaterra.

A seguir, o rei mandou prender e matar seus opositores. Entre eles estavam o chanceler Tomás Moro e o bispo católico João Fisher, as figuras mais influentes da corte. Os dois foram decapitados: o primeiro foi João, em 22 de junho de 1535, e duas semanas depois foi a vez de Tomás, que não aceitou o pedido de sua família para renegar a religião católica, sua fé e, ainda, fugir da Inglaterra.

Ambos foram mártires na Inglaterra, os quais, com o testemunho cristão, combateram a favor da unidade da Igreja Católica Apostólica Romana, num tempo de violência e paixão. Suas lembranças continuam vivas em verso e prosa, nos teatros e nos cinemas. Seus exemplos são reverenciados pela Igreja, pois eles foram canonizados na mesma cerimônia pelo papa Pio XI, em 1935, que indicou o dia 22 de junho para a festa de ambos.

São Tomás Moro deixou registrada a sua irreverência àquela farsa real por meio da declaração pública que pronunciou antes de morrer: “Sedes minhas testemunhas de que eu morro na fé e pela fé da Igreja de Roma e morro fiel servidor de Deus e do rei, mas primeiro de Deus. Rogai a Deus a fim de que ilumine o rei e o aconselhe”. O papa João Paulo II, no ano 2000, declarou são Tomás More Padroeiro dos Políticos.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

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