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Corpo de Padre Pio será exposto no Vaticano no Jubileu da Misericórdia

Corpo de Padre Pio será exposto no Vaticano no Jubileu da Misericórdia

 “O corpo incorrupto de São Pio de Pietrelcina, o santo capuchinho dos estigmas, será exposto e venerado pelos fiéis na Basílica de São Pedro durante o Jubileu da Misericórdia, entre os dias 8 e 14 de fevereiro de 2016, a pedido do Papa Francisco”, informou o Convento Santuário de São Pio de Pietrelcina.
Através de uma nota difundida na sua página (leia o texto abaixo, em italiano), o Convento informou que o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, enviou uma carta ao Arcebispo de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo (Itália), Dom Michele Castoro, para transmitir o desejo do Pontífice.
“O Santo Padre expressou o grande desejo de que os restos de São Pio de Pietrelcina sejam expostos na Basílica de São Pedro na Quarta-feira de Cinzas do próximo Ano Santo Extraordinário, dia no qual serão enviados do mundo inteiro os missionários da misericórdia, a quem se confere o mandato especial de pregar e confessar, para que sejam testemunhos vivos de como o Pai acolhe todos aqueles que estão buscando seu perdão”.
Nesse sentido, a carta afirma que “a presença dos restos de São Pio será um sinal precioso para todos os missionários e sacerdotes, os quais encontrarão força e sustento para a própria missão em seu exemplo admirável de confessor incansável, acolhedor e paciente, autêntico testemunho da Misericórdia do Pai”.
Do mesmo modo, informou-se que no sábado, 13 de fevereiro, o Papa Francisco receberá em audiência privada os filhos espirituais de São Pio de Pietrelcina, provenientes do mundo inteiro.
Fonte:Comunidade Shalom

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Santoral Franciscano: 19 de julho – Bem-aventurado Nicanor Ascánio (1814 – 1860)

Bem - aventurado Nicanor Ascanio

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1814-1860). Beatificado por Pio XI no dia 10 de outubro de 1926.

Nicanor Ascanio  nasceu no Vilarejo de Salvanés, província de Madrid, em 1814. Aos 16 anos tomou o hábito dos Frades Menores, continuou seus estudos e foi ordenado sacerdote. Ele foi diretor das Irmãs Concepcionistas e pároco em sua terra natal. Muito devoto, penitente, zeloso, desejava se consagrar por inteiro às missões. Essa vontade fez dele um sacerdote modelo.

Na sua juventude, ele tinha sonhado com a vida apostólica, o sacrifício e o martírio, mas em 26 anos, esses desejos não passaram de meros sonhos. A venerável Irmã Maria das Dores, morta com a fama de santidade em 27 de janeiro de 1891, tinha assegurado a ele que Deus queria que ele fosse à Terra Santa, como missionário e mártir na pátria de Jesus. O Bem-aventurado Nicanor, obediente à voz celestial, muitas vezes ouviu, em suas longas horas de oração, o chamado para partir à Terra Santa, uma terra que seria o palco de seu apostolado dinâmico, de lutas, sacrifícios e martírio.

Chegando a Jerusalém, orou intensamente no Santo Sepulcro, no Calvário e no Getsêmani, na gruta de Belém e em todos os outros santuários. Ele foi enviado a Damasco para aprender a língua árabe sob a direção do bem-aventurado Carmelo Volta, quando a perseguição religiosa estava por vir.

Em 10 de julho de 1860, os muçulmanos ordenaram a ele renunciar ao cristianismo e abraçar a religião de Maomé para salvar sua vida. Nicanor, ainda não muito familiarizado com a língua árabe, não compreendeu imediatamente o que lhe foi perguntado, mas como ele conseguia entender, respondeu enfaticamente: “Eu sou um cristão, matem-me. Eu acredito em Cristo e não no profeta Maomé”. Foi imediatamente morto por decapitação. Assim se cumpriu a profecia de Irmã Maria das Dores.

Foi um episódio triste, principalmente devido ao fanatismo e à crueldade dos drusos, que na noite entre 9 e 10 de julho, em Damasco, invadiram o convento dos franciscanos no bairro cristão, centro reconhecido e florescente. Também se refugiaram dentro do convento três cristãos maronitas, martirizados juntamente com os oito franciscanos. Nicanor tinha 46 anos.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola

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Santoral Franciscano: 10 de julho – Santa Verônica Giuliani (1660-1727)

Giuliani

Santoral Franciscano: 10 de julho
Santa Verônica Giuliani (1660-1727)

Mística e religiosa da Segunda Ordem (1660-1727). Canonizada por Gregório XVI no dia 26 de maio de 1839.

Verônica nasce, pois, em 27 de dezembro de 1660, em Mercatello, no vale de Metauro, filha de Francisco Giuliani e Benedita Mancini; é a última de sete irmãs, das quais outras três abraçaram a vida monástica; deram-na o nome de Úrsula. Aos sete anos de idade, perde a sua mãe, e o pai muda-se para Piacenza como superintendente da alfândega do Ducado de Parma. Nesta cidade, Úrsula sente crescer em si o desejo de dedicar a vida a Cristo. O chamado se faz sempre mais presente, tanto que, aos 17 anos, entra na restrita clausura do mosteiro das Clarissas Capuchinhas da cidade de Castello, onde permanecerá por toda a sua vida. Lá recebe o nome de Verônica, que significa “verdadeira imagem”, e, de fato, ela se torna uma verdadeira imagem de Cristo Crucificado. Um ano depois, emite a solene profissão religiosa: inicia um caminho de configuração a Cristo, por meio de muitas penitências, grandes sofrimentos e algumas experiências místicas ligadas à Paixão de Jesus: a coroação de espinhos, o casamento místico, a ferida no coração e os estigmas. Em 1716, aos 56 anos, torna-se abadessa do mosteiro e será confirmada no cargo até a sua morte, em 1727, depois de uma dolorosíssima agonia de 33 dias que culminou numa profunda alegria, tanto que suas últimas palavras foram: “Encontrei o Amor, o Amor deixou-Se contemplar!” (Summarium Beatificationis, 115-120). No dia 9 de julho, deixa a morada terrena para encontrar-se com Deus. Tem 67 anos, 50 deles vividos no mosteiro da cidade de Castello. É proclamada Santa em 26 de maio de 1839 pelo Papa Gregório XVI.

Verônica Giuliani escreveu muito: cartas, relações autobiográficas, poesias. A fonte principal para reconstruir o seu pensamento é, no entanto, o seu Diário, iniciado em 1693: são 22 mil páginas manuscritas, que abrangem 34 anos de vida em clausura. A escritura flui espontânea e contínua, não existem riscos ou correções, nenhum sinal de interrupção ou distribuição do material em capítulos ou partes de acordo com um padrão predeterminado. Verônica não desejava compor uma obra literária; na verdade, foi obrigada a colocar por escrito suas experiências pelo Padre Jerônimo Bastos, religioso das Filipinas, de acordo com o Bispo diocesano Antonio Eustachi.

Santa Verônica possui uma espiritualidade marcadamente cristológico-esponsal: é a experiência de ser amada por Cristo, Esposo fiel e sincero, e de desejar corresponder com um amor sempre mais envolvido e apaixonado. Nela, tudo é interpretado através da chave do amor, e essa lhe dá uma profunda serenidade. Cada coisa é vivida em união com Cristo, por amor seu, e com a alegria de poder demonstrar a Ele todo o amor do qual é capaz uma criatura.

O Cristo ao qual Verônica está profundamente unida é aquele sofredor, da paixão, morte e ressurreição; é Jesus no ato da oferta ao Pai para salvar-nos. Dessa experiência, deriva também o amor intenso e sofredor pela Igreja, na dupla forma da oração e da oferta. A Santa vive nesta óptica: ora, sofre, busca a “pobreza santa”, como expropriação, perda de si (cfr. ibid., III, 523), propriamente para ser como Cristo, que doou tudo de si mesmo.

Em cada página dos seus escritos, Verônica recomenda algumas pessoas ao Senhor, oferecendo suas orações de intercessão com a oferta de si mesma em cada sofrimento. O seu coração se dilata a todas “as necessidades da Santa Igreja”, vivendo com ansiedade o desejo da salvação de “todo o universo” (ibid., III-IV, passim). Verônica grita: “Ó pecadores, ó pecadoras… todos e todas, vinde ao coração de Jesus; vinde lavar-vos no seu preciosíssimo sangue… Ele vos espera com os braços abertos para abraçar-vos” (ibid., II, 16-17). Animada por uma ardente caridade, dá às irmãs do mosteiro atenção, compreensão, perdão; oferece as suas orações e seus sacrifícios pelo Papa, o seu bispo, os sacerdotes e por todas as pessoas necessitadas, incluindo as almas do purgatório. Resume sua missão contemplativa nestas palavras: “Nós não podemos andar pregando pelo mundo para converter almas, mas somos obrigados a orar continuamente por todas as almas que estão a ofender a Deus… particularmente com os nossos sofrimentos, ou seja, com um princípio de vida crucificada” (ibid., IV, 877). A nossa Santa cumpre essa missão como um “estar em meio” aos homens e Deus, entre os pecadores e Cristo Crucificado.

Verônica vive de modo profundo a participação no amor sofredor de Jesus, certa de que o “sofrer com alegria” seja a “chave do amor” (cfr ibid., I, 299.417; III, 330.303.871; IV, 192). Ela evidencia que Jesus padece pelos pecados dos homens, mas também pelos sofrimentos que os seus servos fiéis haveriam de suportar ao longo dos séculos, no tempo da Igreja, propriamente através de fé solida e coerente. Escreve: “O Eterno Pai Lhe fez ver e sentir naquele ponto todos os sofrimentos que haveriam de padecer os seus eleitos, as almas Suas mais queridas, isto é, aquelas que saberiam aproveitar do Seu Sangue e de todos os Seus sofrimentos” (ibid., II, 170). Como disse o Apóstolo Paulo de si mesmo: “Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que faltou às aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a Igreja” (Col 1,24). Verônica chega a pedir a Jesus para ser crucificada com Ele. “Em um instante – escreve –,vi sair de Suas santíssimas chagas cinco raios resplandecentes; e todos vieram em minha direção. E eu via esses raios transformarem-se em pequenas chamas. Em quatro haviam pregos; e em um havia uma lança, como de ouro, toda inflamada: e me passou o coração, de lado a lado… e os pregos passaram as mãos e os pés. Eu senti grande dor; mas, na mesma dor, me via, me sentia toda transformada em Deus” (Diário, I, 897).
A Santa está convencida de participar já no Reino de Deus, mas, ao mesmo tempo, evoca todos os Santos da pátria celeste para que venham ajudá-la no caminho terreno da sua doação, em expectativa da bem-aventurança eterna; é essa a constante aspiração de sua vida (cfr ibid., II, 909; V, 246). Em comparação às pregações da época, centrada não raramente na “salvação das almas” em termos individuais, Verônica mostra forte sentido “solidário”, de comunhão com todos os irmãos e irmãs em caminho rumo ao Céu, e vive, reza, sofre por todos. As coisas penúltimas, terrenas, no entanto, ainda que apreciadas no sentido franciscano como dom do Criador, resultam sempre relativas, em tudo subordinadas ao “gosto” de Deus e sob o sinal de uma pobreza radical. Na communio sanctorum, ela esclarece sua doação eclesial, bem como o relacionamento entre a Igreja peregrina e a Igreja celeste. “Os Santos todos – estão lá em cima através dos méritos e da paixão de Jesus; mas a tudo aquilo que fez Nosso Senhor, esses cooperaram, de modo que suas vidas foram ordenadas, reguladas pelas mesmas obras (suas)” (ibid., III, 203).

Nos escritos de Verônica, encontramos muitas citações bíblicas, algumas vezes de modo indireto, mas sempre pontual: ela revela familiaridade com o Texto sacro, do qual se nutre a sua experiência espiritual. Nota-se, também, que os momentos fortes da experiência mística de Verônica não são nunca separados dos eventos salvíficos celebrados na Liturgia, onde há um lugar particular para a proclamação e a escuta da Palavra de Deus. A Sagrada Escritura, assim, ilumina, purifica, confirma a experiência de Verônica, tornando-a eclesial. Por outro lado, no entanto, exatamente a sua experiência, ancorada na Sagrada Escritura com intensidade incomum, guia a uma leitura mais profunda e “espiritual” do mesmo Texto, entra na profundidade escondida do texto. De fato, ela não somente se exprime com as palavras da Sagrada Escritura, mas realmente também vive por essas palavras, tornam vida n’Ela.

Santa Verônica Giuliani convida-nos a fazer crescer, na nossa vida cristã, a união com o Senhor no ser pelos outros, abandonando-nos à Sua vontade com confiança completa e total, e a união com a Igreja, Esposa de Cristo; convida-nos a participar do amor sofredor de Jesus Crucificado pela salvação de todos os pecadores; convida-nos a ter o olhar fixo no Paraíso, meta do nosso caminho terreno, onde viveremos junto a tantos irmãos e irmãs a alegria da comunhão plena com Deus; convida-nos a nutrir-nos cotidianamente da Palavra de Deus para aquecer o nosso coração e orientar nossa vida. As últimas palavras da Santa podem ser consideradas a síntese da sua apaixonada experiência mística: “Encontrei o Amor, o Amor deixou-Se contemplar!”.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

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Santoral Franciscano: 1º de julho – São Teodorico Endem (1499-1572)

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Mártir em Gorcum. Sacerdote da Primeira Ordem (1499-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867

Mártir em Gorcum. Nascido em 1499, na cidade de Amersfoot, Holanda, quando jovem era um estudante aplicado e dedicado às obras de caridade e de misericórdia. Possuía um caráter manso e sereno. Em um determinado dia revelou a seus pais: “Já escolhi o meu caminho. Serei religioso franciscano e sacerdote”.

Sua família não aceitou passivamente a decisão dele dedicar-se à vida religiosa, de tudo fazendo para dissuadi-lo, mas sua veemência estava sustentada pela graça divina. Aos familiares respondia sempre que “quando o Senhor chama não se pode dizer não. Deve-se responder a Seu chamado, Ele é nosso Pai e nosso Deus”.

Conseguiu vencer a oposição familiar, que aceitou a sua decisão de ingressar na vida religiosa, mas com uma condição: deveria entrar em uma ordem beneditina. Esta condição deveu-se ao fato dos franciscanos serem muito pobres e conviverem com regras muito rígidas. Quanto aos beneditinos, seriam estes possuidores de dotes intelectuais e nobres de coração, podendo chegar, inclusive, à condição de Abade e levar uma vida de regalias.

Mas Teodorico estava decidido a seguir os passos de São Francisco e, novamente, sua vontade prevaleceu sobre a oposição paterna. A vida de pobreza, orações e penitências era o que o atraia. Ingressou na Ordem dos Irmãos Menores e após cumprir o noviciado e os estudos exigidos foi ordenado sacerdote, em solenidade que contou com a presença dos seus pais.

Durante um período de vários anos de isolamento foi um severo e fiel observador das Regras criadas por São Francisco, sendo muito respeitados pelos fiéis e pelos irmãos de ordem, sendo considerado um modelo de santidade e erudição.

Foi designado para o Convento de Gorcum, onde assumiu a missão de confessor, passando a maior parte do dia ouvindo as confissões dos fiéis. Também, no mesmo período, foi confessor e orientador espiritual no Mosteiro das Irmãs Terciárias Franciscanas.

Na época da rebelião de Lutero e Calvino diversos católicos do norte da Europa se afastaram da Igreja, ocorrendo muitas rebeliões e conflitos. Após assumirem o poder na Holanda os calvinistas passaram a perseguir duramente os católicos. Durante a ocupação da cidade de Gorcum, no ano de 1572, todos os irmãos franciscanos foram presos, juntamente com outros sacerdotes, humilhados e ridicularizados. Foram conduzidos através de cidades e povoados sendo expostos publicamente a todo tipo de ridicularização por parte das pessoas inimigas do catolicismo.

Conduzidos para a cidade de Brielle (Holanda) foram ali torturados, para que, pressionados, renunciassem à Igreja Católica, negando os dogmas da presença real de Cristo na Eucaristia e o primado do Sumo Pontífice. Porém todos permaneceram inabaláveis e confirmaram sua fé e não atenderam às exigências dos torturadores. Faleceu, martirizado na forca, juntamente com seus irmãos, no dia 09 de julho de 1572, aos 73 anos de idade. Desta forma Teodorico confirmou a sua fé, cheio da graça e do Espírito Santos. Foi canonizado por Pio IX em 29 de junho de 1867. Sua festa é comemorada em 1º de julho.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

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Francisco de Assis: um homem Santo! – Frei Marcelo Veronez, OFMConv

 

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Frei Marcelo Veronez, OFMConv

Não é fácil falar de São Francisco como um personagem, “nem tanto santo, nem tanto pecador”. Poderíamos dizer que, por vezes, Francisco parece-nos tão distante, tão longe da realidade do cotidiano em que vivemos. Mencionar São Francisco poeticamente é lirismo, até porque, nós ocidentais somos dotados de um romantismo em relação a ele, por causa dos cachorrinhos, dos passarinhos e de seu amor por todas as criaturas. Essa visão romântica retratada nos quadros pela nossa cultura ibérica não nos revela um autêntico São Francisco de Assis. Vale a pena falar um pouco sobre esta visão, porque São Francisco é um homem muito complexo. Não foi um palhaço, nem um boneco, nem alguém que não tivesse carne e osso, que não tivesse sentimentos, que não viveu os dramas da vida que nós “normais” vivemos, que não viveu também a felicidade e a tristeza, a dor e a plenitude da vida. Este Francisco pintado pelos artistas, talhado nas esculturas, descrito nos livros de romance, é uma leitura que nos encanta. Não nos deixa pasmados a sua vivência? Porém, a visão romântica e poética de São Francisco não nos ensina a sua realidade mais concreta, mas nos vicia catequeticamente. Ela não nos traz a espiritualidade autêntica do homem santo e real que foi Francisco de Assis. A verdadeira espiritualidade de São Francisco é encarnada, é muito viva e é muito completa.

Poderíamos também falar de São Francisco como “reconhecidamente” o homem deste último milênio. Vocês sabem que a revista Times elegeu São Francisco como a maior personalidade do último milênio? Foi ele um dos homens que influenciaram “efetivamente” a política do seu tempo, a cultura, a sociedade, a religião, gerando um Estado em transformação. Quando no pós feudalismo nascia a abertura das cidades e a sua formação, o desenvolvimento do mercado, a troca e a venda, o nascimento das universidades, São Francisco estava lá na praça, pregando o Evangelho, questionando os modelos da nascente burguesia, julgando-os à luz da dignidade cristã, trazendo às consciências a penitência que coloca o ser humano no seu original. Falando de assistência social, de política, do sagrado, de paz, São Francisco grita e denuncia, pelo seu exemplo, a entediante riqueza, a falta de distribuição de renda, tão presente na realidade em que vivemos hoje. São Francisco foi um homem encarnado em seu tempo, não isolado, mas um homem que foi capaz de encontrar-se com o outro, de olhar o próximo, de perceber o caminho que lhe conduzia a Deus. São Francisco que parece sempre debruçado sobre a rocha, contemplando a cruz, profundamente místico, não está muito distante de nós. Mas é importante desmistificar isso, para “encarnar” a realidade e aprender de forma catequética o modelo que foi e é Francisco. Diria que deveríamos gerar e transformar a ilusão de um “santinho” em realidade de um verdadeiro “Santo”. Falo isso, porque esperamos, quando celebramos uma memória, uma festa, ouvir coisas bonitas acerca de um determinado santo ou beato, mas os santos, beatos e ainda outros que fazemos memória não estão aí para serem adorados, a exemplo do que faziam os gregos e romanos diante de seus deuses, mas a Igreja os colocou e os canonizou, não como grandes personalidades humanas que foram divinizadas, não só para serem pintados e aparecerem nas esculturas e ícones das igrejas, mas, porque são uma história concreta, que transformou vidas, que transformou a sociedade, o mundo, com o desapego e com suas virtudes.

Francisco é um modelo de ser humano que despertou o mundo para encontrar e experimentar o Cristo “humano, apesar do divino”, não o Cristo “Divino, apesar de humano”. Seria como encontrar em Cristo “o Jesus”, muito próximo de nós e igual a nós, irmão, pobre, sofredor, amigo e amado. É muito interessante e inovadora essa visão simplória de Francisco. Para ele, isso era fundamental e de profunda sabedoria. Uma sabedoria que lhe foi dada na experiência do vazio “bom”, da pobreza e da simplicidade.

São Francisco não buscou a sabedoria nos livros, nem nas pós graduações, nem nos mestrados, nem nos doutorados, dizem seus biógrafos “era um ignorante” e “sem letras”. São Francisco foi direto à raiz essencial da existência humana, na raiz do que nos faz entender-se “criatura” como Deus nos fez e não como donos da criação. Encontrou ele, a verdadeira sabedoria em Deus, pois Deus é a fonte e a força motivadora da existência humana, é o criador. D’Ele provém o conhecimento verdadeiro, no mais estreito da palavra. Para esta sabedoria não se faz necessário o conhecimento palpável, mas àquela que vai além dos nossos sentidos, além do que pode ser contemplado ou verificável, a isso nós chamamos fé.

Francisco, após sua conversão, não quis acessórios para sua experiência de fé, não quis encher-se de supérfluos, pois uma só coisa lhe bastava, a cruz de sua existência. Neste estado entendeu o que é amar profundamente, o que é ser gratuito, o que é doar. No estado extremo de um limite ímpar ele viu em Jesus um aliado, no sofrimento, na dor, nas imperfeições, na fragilidade da Cruz e na morte corporal. A morte, para Francisco de Assis é a verdadeira desapropriação que imita o estado perfeito da criatura.

O mistério da cruz, do ponto de vista espiritual, não é dado a entender para quem quer fazer ciência, não é para quem quer fazer psicologia, não é para quem quer fazer teologia, indagando a si mesmo: como estava o corpo de Jesus naquele momento? Que tipo de sangue é o de Jesus? O mistério da cruz é um mistério profundamente espiritual, uma construção teológica da nossa própria existência, que é a minha vida, pois não consigo descrevê-la por palavras verbalmente. Viver é dar sentido a minha existência, isto é, a minha cruz com tudo o que ele me propõe.

Francisco tomou esta cruz e deu sentido a ela. Perguntaríamos ainda: qual é a razão de fazer memória deste homem? – Ele não quis nada, disse não à propriedade, não ao dinheiro, não às riquezas, não ao poder, não à autoridade. A razão de cultuá-lo é antes de tudo sugar dele um modelo espetacular de singularidade existencial. Uma doutrina que nos revela o Evangelho no mais original, sem véus e bem transparente, porque Francisco, viu em Jesus um “igual”, daí que na doutrina franciscana somos todos iguais. Ninguém é maior do que ninguém. O Filho de Deus, para Francisco de Assis, é pobre, humilde, sem nada de próprio e casto. São Francisco de Assis recria uma fraternidade baseada na palavra de Deus, na descrição mais originária dos Evangelhos sobre o Messias.

Caros, não é à toa que desde o início do cristianismo, há dois mil anos, em lugares onde ocorriam os martírios foram construídas as primeiras igrejas. Um cristão ao morrer em nome de Cristo era sepultado em catacumbas subterrâneas. Nelas nasceu a igreja física e a partir delas a comunidade cristã dedicou essas igrejas aos mártires, aos santos. Percebe-se, pois, que não é em vão que uma igreja seja dedicada a São Francisco, que uma igreja seja dedicada a um santo qualquer, não é um fetiche religioso. Não é uma continuidade dos templos romanos dedicados a deuses de pedra, mas é uma dedicação que transborda em “espiritualidade” de vida concreta. Na prática, ter um padroeiro como São Francisco de Assis é ter uma espiritualidade que me una a Deus e me dê o limiar existencial e escatológico sobre a vida. É aprender com ele, é recolher da sua experiência de vida os elementos que me dão a razão de existir. Digo isto, porque tem gente que dá razão a sua existência em coisas temporais e efêmeras, dizendo: “eu sou feliz, porque eu tenho um bom emprego e um bom salário”. Ledo engando, pois a nossa existência não tem sentido no estar e adquirir coisas, senão na essência da vida criada e gerada em Deus.

Fazer memória de São Francisco é um convite a entender a visão otimista da vida, do cosmos, do mundo. Entender que este santo viu nas misérias humanas, nas coisas terríveis da nossa coletividade e até no pecado, a grande possibilidade de entrar em harmonia com o universo, com a criação. São Francisco não se coloca como aquele que quis destruir e dominar as criaturas, como aquele que corta as árvores, que mata os animais, que polui as cidades. Não se achava ele um ser diferente em dignidade criacional melhor que as plantas e os animais, maior que a terra ou os astros. Para Francisco, os seres humanos foram presenteados por uma criação especial, porém não por uma matéria melhor ou diferente daquela de todo o Criado. A espiritualidade que emerge dessa fabulosa e fantástica capacidade integradora de São Francisco é a espiritualidade da inclusão, da harmonia, da gratuidade, da fraternidade, do encontro com o próximo. Daí em diante, ele abraçou todo mundo, lançou-se universalmente de uma forma integradora que culminou nos estigmas: sinal de seu mais profundo desejo de ser como Cristo o verdadeiro homem, já que Jesus foi o verdadeiro Filho de Homem.

Esse “Universalismo Franciscano” não é de se perder de vista, uma vez que nos lança sempre mais a um otimismo significativo, cheio de desejo, transformação, construção de um mundo novo e buscá-lo é nosso dever. Na prática da vida precisamos conquistar espaços para nos tornar significativos. Lembram daquela história que eu sempre conto nas homilias? Abrindo a janela do convento em que morei na Itália, na cidade de Roma, em um museu à frente, tem escrito – “Itália: terra de santos, heróis e navegadores” – está frase fica na fachada do museu e nos faz recordar a essência histórica de uma nação que transformou a realidade, que questionou a os sistemas, que deu exemplo de cultura, de dignidade à sociedade e nela inclusa os homens e as mulheres de muitos tempos. Francisco de Assis nasceu em uma terra de cultura “secular”, para não falar em “milenar”. Uma terra que deu testemunho da ação e construção do cristianismo ocidental, um povo que não ficou só na palavra. A exemplo dessa São Francisco se fez pobre com os pobres, para que os seus percebessem os excluídos, os pobres fora dos muros das cidades. Francisco não fez e nem realizou somente uma “assistência social”, acolhendo, alimentando, cuidando ds leprosos, nem dando seu manto para um pobre, como se assistisse à miséria humana, mas São Francisco quis ser pobre com os pobres, em par de igualdade. Nós éramos quando entendemos a espiritualidade franciscana a partir do assistencialismo descomprometido com o ser humano, como fazem os sistemas de governo ao construir creches, dar cestas básicas, bolsa família, etc. Isto é assistência social ou simplesmente um assistencialismo. São Francisco não deu assistência material, contudo trouxe o sentido para vida dos pobres, percebem a diferença? – é para isso, “caros amigos”, que nós somos convocados e questionados. Enfim, percebemos que a espiritualidade de São Francisco está muito longe de nós.

Vemos, então, claramente que São Francisco na sua dimensão encarnada e real, nos leva ao foco da existência humana. Desta forma, nos encontramos como que diante de nós mesmos, vazios e sem respostas. São Francisco nos arrasta junto com ele, porque não esteve no mundo como passivo, mas na ação a serviço do ser humano. A exemplo dele nós podemos transformar a sociedade, transformar a vida da minha família, da escola, do trabalho. Os valores que posso colher da vida dele, não são somente imagens, não é um romance, é real.

É imprescindível que com o otimismo universal de São Francisco, jamais percamos de vista sua história e exemplo. Que possamos levá-lo para a nossa vida real, mesmo que nos sintamos incomodados porque não sabemos como realizar o que ele nos ensinou. Porém, animados pela força que o impulsionou possamos dizer que é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna. T

Fonte: Reflexões Franciscanas

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