Arquivos do Blog

Santoral Franciscano: 19 de setembro – Bem-aventurado Francisco de Santa Marta (+1627)

Sacerdote e mártir no Japão, da Primeira Ordem (+1627). Beatificado no dia 7 de julho de 1867 por Pio IX

frades-poloneses

Francisco de Santa Marta, martirizado no Japão, era natural de Alvernajo, perto de Toledo, Espanha. Quando jovem, foi admitido na Ordem dos Frades Menores, onde foi admirado por seus confrades por causa de suas virtudes e sua inteligência. O amor de Deus e das almas o levou a oferecer-se como missionário para se dedicar a sua vida à conversão dos infiéis. Em 1623, juntamente com o mexicano franciscano Laurel Bartolomeu chegou ao Japão, onde desenvolveu uma atividade dinâmica apostólica. Ele teve a sorte de encontrar um excelente catequista na prisão e que o acompanhou no martírio: o Bem-aventurado Antônio de São Francisco.

Francisco de Santa Marta pôde realizar um excelente trabalho com o seu catequista, sempre com muito zelo, de valor e de esplêndidas iniciativas, assíduo na assistência aos enfermos. Com outros terceiros bem formados espiritualmente, teve a alegria de batizar muitos pagãos.

Um dia, em Nagasaki, era hóspede do terceiro Gaspar Vaz, juntamente com Frei Bartolomeu Laurel e alguns terceiros, quando um grupo de guardas invadiu a casa e prenderam os dois frades, seis netos, Gaspar Vaz e sua esposa Maria.

Enquanto estavam sendo levados à prisão, um jovem japonês enfrentou o governador por sua crueldade e ofereceu para morrer com seu mestre. Ele foi recebido na Primeira Ordem e alcançou a graça do martírio: Frei Antônio de São Francisco.

O bem-aventurado Francisco, depois de um sofrimento indescritível, sustentado e iluminado pela fé e pela esperança do céu, foi queimado vivo no dia 16 de agosto de 1627 em Nagasaki, na Santa Colina dos Mártires.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.


logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts


Anúncios

Santoral Franciscano: 30 de agosto – Bem-Aventurado Junípero Serra (1713-1784)

Sacerdote da Primeira Ordem, apóstolo da Califórnia (1713-1784). Beatificado por João Paulo II no dia 25 de setembro de 1988.

Bem-Aventurado Junípero Serra

Este bem-aventurado, conhecido como o Apóstolo da Califórnia, nasceu em Petra na ilha de Maiorca, a 24 de novembro de 1713, de Antônio Serra e Margarida Ferrer, pais exemplares pelos costumes e piedade, embora pessoas de pouca instrução. A criança foi batizada com o nome de Miguel José e foi crismado com a idade de apenas dois anos, por ocasião da visita do bispo de Maiorca, Atanasio Esterripa. Criança ainda, ajudava os pais nos trabalhos do campo e freqüentou a escola anexa ao convento franciscano de São Bernardino, dando provas de inteligência viva e aberta e desta forma pôde ser encaminhado para fazer estudos superiores.

Depois de um ano de estudos filosóficos no convento de São Francisco de Palma, com 17 anos, vestiu o hábito franciscano no convento Santa Maria de Jesus. A 15 de setembro de 1731 emitiu os votos religiosos mudando o nome de batismo para o de Junípero, devido à grande admiração que tinha para com Frei Junípero, um dos primeiros companheiros de São Francisco. Concluídos com brilhantismo os estudos teológicos, foi ordenado diácono em 1736 e, posteriormente, sacerdote. Em 1743, já tinha sido designado para o ensino de filosofia no convento de São Francisco de Palma. Nesse período manifestou dotes de fino orador. Foi chamado a ocupar a cátedra de teologia escotista na Universidade Lulliana de Palma de Maiorca. Nunca haveria de deixar o ministério da pregação.

Aos 35 anos de idade, não obstante a fecundidade de seu apostolado na ilha, Frei Junípero, obedecendo a uma vocação interior, partiu rumo às Missões da América junto com um seu discípulo, Frei Francisco Palòu. Os dois permanecerão juntos por toda a vida. Partiram no dia 13 de abril de 1749, de Málaga. Depois de dramática travessia chegaram a São João de Porto Rico no dia 18 de outubro e a 7 de dezembro alcançaram Vera Cruz, na costa sul do México. A pé prosseguiram até a cidade do México. Passou a exercer apostolado junto aos indígenas falando em sua língua. Fez um catecismo na língua do povo e ensinava rudimentos de ciência e técnicas a respeito do trabalho da terra. Graças à ajuda dos que eram missionados, Junípero e seu colega puderam construir em Santiago de Jalpán uma igreja de pedra, de estilo barroco ainda hoje tido como monumento de interesse histórico e tomado, posteriormente, como modelo para a realização de quatro outras igrejas na missão. Em seu trabalho pastoral insistia nas graças dos sacramentos da eucaristia e da reconciliação. Costumava confessar-se a seu confrade Frei Francisco diante de todos, antes da celebração da missa. Levou os indígenas a uma qualidade de vida respeitável e digna.

O colégio de São Ferdinando (Fernando), ao qual padre Serra pertencia, em 1751 contava com cinco missões das quais ele tinha sido nomeado presidente e primeiro responsável até que foi enviado por seus superiores ao Texas para restaurar a missão de São Sabas, destruída um pouco antes pelos índios Apaches, tarefa pouco depois revogada, devido ao perigo que comportava para o missionário. De 1758 até 1767 permaneceu no colégio apostólico de São Ferdinando como mestre de noviços e pregador de missões em várias dioceses mexicanas. Nunca deixou de frisar a importância das celebrações litúrgicas, mas, sobretudo, implantará modelo de vida comunitária e de organização econômica, ensinando como trabalhar o campo, criar o gado e exercitar-se na arte da cerâmica.

Em junho de 1767, depois da expulsão dos jesuítas das possessões do vice-reino de Espanha por decisão de Carlos III, as missões da Baixa Califórnia foram confiadas aos Franciscanos e Frei Junípero foi nomeado seu superior. Em 1º de abril de 1768, junto com 14 companheiros, empreendeu a corajosa e extenuante viagem rumo à península da Baixa Califórnia, cujo clima é caracterizado por longos períodos de seca e de temperaturas muito elevadas. Estabeleceu o quartel general da missão em Loreto. Fez o que pode sempre sob a vigilância do governo civil sobre as missões. Incansável foi seu trabalho também porque a população local vivia somente de caça e da pesca desconhecendo as técnicas do cultivo da terra.

Depois de dois anos, devido também às condições econômicas favoráveis, pôde fundar a primeira missão californiana de San Diego de Alcalà. Deslocou-se na direção da Alta Califórnia e fundou as Missões de São Carlos Borromeu, de Santo Antônio de Pádua, São Gabriel e de São Luis Bispo e muitas outras. Segue-se um período de incompreensão com um comandante militar da Nova Espanha, José de Galvez. Por este motivo, o bem-aventurado retirou-se a pé para o México permanecendo no Colégio de São Ferdinando até 13 de março de 1774. Volta aos antigos campo de atividade. A missão prosseguia lenta, mas perseverantemente. Foram refundadas as missões destruídas pelos índios e abertas outras novas. No final de tudo, retirou-se com seu confrade fiel para Monterey, na Califórnia, que escreveu a biografia do bem-aventurado como testemunha ocular.

Merecidamente, Junípero Serra foi definido como um colosso de evangelizador. Durante dezessete anos, precisamente de 1767 a 1784 percorreu, apenas na Califórnia, perto de 9.900km a pé, 5.400 em embarcação, não obstante a idade e as enfermidades. Fundou 9 missões, das quais derivam os nomes franciscanos de cidades californianas muito importantes, como São Francisco, São Diego, Los Angeles, etc.

Frei Junípero, fortemente debilitado em sua saúde, pela asma e gangrena numa perna, morreu a 28 de agosto de 1784 no retiro do Carmelo de Monterrey na Califórnia com 71 anos de idade, sendo que 36 deles foram dedicados à missão.

Considerado o pai dos índios, foi honrado como herói nacional. Desde 1º de março de 1931, a sua estátua representando o Estado da Califórnia, está entre as outras dos Pais fundadores dos Estados Unidos na Sala do Congresso de Washington, estátua única de um religioso no Santuário dos americanos ilustres. O ponto mais alto da cordilheira de montanhas de Santa Lucia na Califórnia tem o seu nome.

Joao Paulo II o beatificou a 25 de setembro de 1988.

(Tradução e adaptação da obra Frati Minori Santi e Beati, publicada pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, Roma 2009, p. 334-337).


logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Santoral Franciscano: 15 de agosto – Bem-Aventurado Claúdio Granzotto (1900-1947)

Religioso da Primeira Ordem (1900-1947). Beatificado por João Paulo II no dia 18 de setembro de 1994.

Bem-aventurao Claudio Granzotto

Claudio Granzotto (Ricardo no batismo) nasceu em S. Lucia di Piave (Treviso) em 23 de agosto de 1900, filho de Antônio Granzotto e Joana Scotta. Até 17 anos era um pedreiro, em seguida, durante três anos, foi militar, depois, por 7 anos, estudante na Academia de Belas Artes de Veneza, onde se especializou em escultura. Desde 1939, ao se tornar um franciscano, viveu nos conventos do Veneto. Ele morreu de um tumor cerebral na manhã da Assunção de 1947, no hospital de Pádua. Seu corpo repousa em Chiampo (Vicenza), ao lado da Gruta da Imaculada construída por ele.

Quando brilhava em sua mente uma ideia elevada, nunca a deixava, agarrava-a e já a transformava em mármore. Aos 22 anos, levado por um instinto profundo, teve a coragem de se aprofundar na arte. Abandonou seus instrumentos de pedreiro e se matriculou na Academia de Belas Artes de Veneza, deixando de lado qualquer inclinação juvenil. Dedicou-se ao estudo durante sete anos até que em 1929 recebeu o diploma de escultor com qualificação máxima. Tornou-se um escultor conhecido e ganhou muitos prêmios, ajudando com seus ganhos os mais necessitados.

Da mesma forma se comprometeu no campo da fé. A Ação Católica foi o primeiro terreno fértil: o incentivou várias iniciativas, como a comunhão frequente, a leitura de bons jornais, adoração noturna, várias formas de penitência, dormindo em terra e, finalmente, o voto privado de castidade.

Assim, arte e virtude, ótimas irmãs, empreenderam juntas o caminho para realizar uma obra-prima. Aos 33 anos, em pleno vigor físico, gozando de fama, dinheiro, fortuna e amor terreno, tomou uma decisão: ingressou no convento de São Francisco do Deserto (Veneza). E ele se tornou um artista diáfano e um religioso de sua vocação.

A arte sagrada se tornou para ele um meio de ação com todo o valor religioso de um apostolado espiritual. Construiu quatro Grutas de Lourdes, altares belos, anjos em adoração, santos em êxtase.

Como um frade, de acordo com seu espírito corajoso de humildade, renunciou ao acesso proposto para o sacerdócio. Ele escolheu os ofícios humildes e escondidos, exercitou-se em fervorosas orações e penitências, dando especial atenção aos pobres e necessitados, especialmente durante a guerra. Passou para a eternidade na aurora da Festa da Assunção de 1947.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.


logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts


GARIMPANDO ALGUMAS ANOTAÇÕES SOBRE FRANCISCO DE ASSIS

Sem dúvida, São Francisco, é o Santo que mais ocupa o mundo dos ensaios, artigos, textos e teses. É o Santo presente nas artes plásticas e em debates de diversos setores de assuntos religiosos ou não. Conhecido dentro e fora do cristianismo tem o respeito e a admiração de protestantes, anglicanos, ortodoxos. Atravessa a fronteira do ocidente e é conhecido na Índia, China e Japão. Um pastor calvinista, professor em Strasburgo, o grande Paul Sabatier, o trouxe para o mundo das Fontes Franciscanas com um sério estudo histórico-crítico de seus Escritos e Biografias. Personalidades conhecidas da política e dos espaços acadêmicos se referiram a ele, como por exemplo Lênin e Renan.

Francisco é seguido por muitos discípulos e discípulas nas suas Três Ordens, das Terceiras Ordens Regulares, das muitas famílias religiosas e leigas que brotaram da sua inspiração e Regra de Vida. Irrompeu desde os Concílios de Latrão em 1216, como seu espírito estava presente em tantas  propostas, mesmo a partir  do Vaticano II que gritou pelo retorno às Fontes, quando  Francisco já era uma Fonte consolidada. Sua cidade, Assis, atrai peregrinos de todas as partes do mundo. Buscar Francisco é entrar no modo de ser de Jesus Cristo. Um Santo de ontem, de hoje e do futuro. Os jesuítas Lippert, Von Galli  e Van Doornik o consideram um profeta de nosso tempo. O fato é que este Poverello de Assis abre trilhas de seguimento natural de Cristo. Um Santo com jeito ecumênico, interdisciplinar, holístico e inter-religioso, da unicidade e da reconciliação, da paz e da sonhada fraternidade universal.

“A santidade de um só superava a multidão dos imperfeitos”

“Mas Francisco era consolado abundantemente pelas visitas de Deus, que lhe davam segurança de que as bases de sua Ordem haveriam de permanecer firmes. Recebeu até a promessa de que os escolhidos haveriam de substituir sempre, garantidamente, os que fossem indo embora. Numa ocasião em que estava sofrendo por causa dos maus exemplos e se apresentou perturbado na oração, recebeu do Senhor esta interpelação:” Por que te perturbas, homenzinho? Será que eu te coloquei como pastor da minha Ordem para desconheceres que o patrono principal sou eu? Foi para isto que eu te escolhi, homem simples, a fim de que siga quem quiser as obras que eu fizer em ti e que devem ser imitadas por todos os demais.  Eu chamei, guardarei e apascentarei. Para reparar a queda de uns colocarei outros, de maneira que, se não vierem ao mundo, eu mesmo os farei nascer. Por isso, não te perturbes, mas cuida da tua salvação porque, mesmo que a Ordem ficasse reduzida a três frades, permanecerá sempre firme pela minha proteção”. A partir daí, dizia que a santidade de um só superava a multidão dos imperfeitos, porque são inumeráveis as trevas que se dissipam com um só raio de luz” (2Cel 158)

Tudo foi colorido e florido na vida de Francisco? Não! É só conferirmos 2Cel 157 e  sentiremos suas crises sobre si mesmo, crises ao ver o mau exemplo dos que o seguiam: “Dizia que os bons frades são confundidos pelas ações dos maus frades e, mesmo não tendo pecado, são postos em julgamento pelo exemplo dos perversos. Por isso estão atravessando com uma cruel espada, que enterraram o dia inteiro em meu coração.”

Afastava-se às vezes dos frades “para não ter sua dor renovada por ouvir alguma coisa má contada a respeito de alguns deles” ( 2 Cel 157). E dizia: “Tempo virá em que esta Ordem, amada por Deus, vai ser difamada pelos maus exemplos, a ponto de ficarem envergonhados de sair em público. Mas os que entrarem na Ordem neste tempo serão trazidos unicamente pela ação do Espírito Santo, não terão mancha alguma da carne e do sangue, e serão verdadeiramente abençoados por Deus. Em seu meio, não haverá grandes ações meritórias, pelo resfriamento da caridade, que faz com que os santos ajam com fervor, mas terão provações imensas, e os que forem aprovados nesse tempo serão melhores que seus predecessores” (idem).

Podemos pesquisar muitos autores e o grande apreço que se tem por São Francisco de Assis. Embora cada um tenha o seu ponto de vista, todos convergem para uma mesma verdade: Francisco irradia Cristo, mostra de um modo transparente o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar, o Evangelho vivido a partir de virtudes evangélicas encarnadas, a identificação com a Senhora Dama Pobreza,  a nítida humildade, a vivência indiscutível do amor fraterno, a pequenez, a simplicidade, a filiação divina, a liberdade de espírito, a disponibilidade, o espírito cortês-cavaleiresco, a nobreza de alma, a alegria, a liberdade e a responsabilidade, a grande presença e compreensão de estar entre os pobres e os pequenos, os acenos de uma nascente compreensão de gênero no modo de chamar tudo e todos de irmãos e irmãs, seu modo de tratar as mulheres, os pecadores, as plantas, os animais, os vermes da estrada e a verdade contida nos sinais e símbolos. Francisco é um grande ser humano e santo que nos provoca, interpela, vai fundo no pisar o chão da existência, um ser medieval e global. Um santo de ontem, de hoje e do nosso futuro.

Podemos consultar as Fontes Franciscanas e Clarianas, os Escritos de São Francisco, as Legendas, as Biografias Hagiográficas, o que ele disse, o que disseram sobre ele, a opinião de seus companheiros, há a prova de tudo o que falamos acima, e nos remete a conhecer seu espírito, sua vida, seu jeito, seu tempo, seu modo de compreender e resgatar a eclesiologia da época, de ser um sinal para o mundo de então, e para os tempos de agora.

Francisco de Assis é uma fonte inesgotável de palavras e interpretações, porque tem o manancial dos segredos do Evangelho. Um humano santo que soube escutar, ler e praticar uma inspiração divina e fazer dela uma honesta e profunda convicção e uma prática saudável e eficaz. Nele a Palavra de Deus, especificamente do Evangelho, se funde com sua escolha e vida.

Para Francisco Jesus Cristo não é um ser histórico descrito em letras, mas a mais eloquente encarnação de Deus na terra dos humanos. Ele não se apegou literalmente a trechos do Evangelho, assim como fizeram os valdenses, cátaros e “umiliati”. Não é um inovador fanático que repete versículos apenas por repetir e moralizar. Não representa o poder que exalam  alguns pregadores  de se apegarem  a esta ou aquela palavra do texto evangélico e se descuidam da vivência.

Ele é a maior prova de que assumir o Espírito  vivifica, como dizem João e Paulo; mas a letra mata. Francisco não morre nas palavras, mas funde-se nelas para espiritualizar-se primeiro antes de falar.

Fonte: Blog Carisma Franciscano – Frei Vitório Mazzuco Filho, OFM
É natural de Campo Limpo Paulista, São Paulo. Nasceu no dia 28 de abril de 1953 e ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 20 de janeiro de 1973. Fez a profissão solene no dia 2 de agosto de 1977 e foi ordenado sacerdote no dia 7 de julho de 1979. Estudou Filosofia e Teologia de 1974-1979 no Instituto Teológico Franciscano, Petrópolis. Fez Mestrado em Teologia com especialização em Teologia Espiritual Pontificium Athenaeum Antonianum, Roma, Itália.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts


Santoral Franciscano: 14 de agosto – São Maximiliano Maria Kolbe (1894-1941)

MaximilianoMariaKolbemedalha da imaculada

 

Religioso da Primeira Ordem (1894-1941), canonizado dia 17 de outubro de 1971, pelo Papa Paulo VI.

Raymond Kolbe, filho de Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, nasceu aos 8 de janeiro de 1894, em Zdunska Wola, perto de Lódz, na Polônia. Sua família era pobre, de humildes operários, mas muito rica de religiosidade. Ingressou no Seminário franciscano da Ordem dos Frades Menores Conventuais aos treze anos de idade, logo demonstrando sua verdadeira vocação religiosa.

Ao ser mandado para terminar sua formação em Roma, Maximiliano, inspirado pelo seu desejo de conquistar o mundo inteiro a Cristo por meio de Maria Imaculada, fundou o movimento de apostolado mariano chamado ‘Milícia da Imaculada’. Como sacerdote foi professor, mas em busca de ensinar o caminho da salvação, empenhou-se no apostolado através da imprensa e pôde, assim, evangelizar em muitos países, isto sempre na obediência às autoridades, tanto assim que deixou o fecundo trabalho no Japão para assumir a direção de um grande convento franciscano na Polônia.

Com o início da Segunda Grande Guerra Mundial, a Polônia foi tomada por nazistas e, com isto, Frei Maximiliano foi preso duas vezes, sendo que a prisão definitiva, ocorrida em 1941, levou-o para Varsóvia, e posteriormente, para o campo de concentração em Auschwitz, onde no campo de extermínio heroicamente evangelizou com a vida e morte. Aconteceu que diante da fuga de um prisioneiro, dez pagariam com a morte, sendo que um, desesperadamente, caiu em prantos:

“Minha mulher, meus filhinhos! Não os tornarei a ver!”. Movido pelo amor que vence a morte, São Maximiliano Maria Kolbe dirigiu-se ao Oficial com a decisão própria de um mártir da caridade, ou seja, substituir o pai de família e ajudar a morrer os outros nove e, foi aceita, pois se identificou: “Sou um Padre Católico”.

Os 10 prisioneiros, despidos, foram empurrados numa pequena, úmida e totalmente escura cela dos subterrâneos, para morrer de fome. Durante 10 dias Frei Maximiliano conduziu os outros prisioneiros com cânticos e orações, e os consolou um a um na hora da morte. Após esses dias, como ainda estava vivo, recebeu uma injeção letal. Era o dia 14 de agosto de 1941.

O corpo de Maximiliano Kolbe foi cremado e suas cinzas atiradas ao vento. Numa carta, quase prevendo seu fim, escrevera: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”.

Ao final da Guerra, começou um movimento pela beatificação do Frei Maximiliano Maria Kolbe, que ocorreu em 17 de outubro de 1971, pelo Papa Paulo VI. Em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, que sobreviveu aos horrores do campo de concentração, São Maximiliano foi canonizado pelo Papa João Paulo II, como mártir da caridade. Por seu intenso apostolado, é considerado o patrono da imprensa.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.


logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts


Homilia – 19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

eu-sou-o-pao-vivo-descido-do-ceu-a

A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta, uma vez mais, da preocupação de Deus em oferecer aos homens o “pão” da vida plena e definitiva. Por outro lado, convida os homens a prescindirem do orgulho e da auto-suficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus.

O Evangelho apresenta Jesus como o “pão” vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse “pão” sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é preciso “acreditar”, isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projeto,  segui-lo no “sim” a Deus e no amor aos irmãos.
A segunda leitura mostra-nos as consequências da adesão a Jesus, o “pão” da vida… Quando alguém acolhe Jesus como o “pão” que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver no caridade, a exemplo de Cristo.

ALELUIA – Jo 6,51

Aleluia. Aleluia.

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu, diz o Senhor; quem comer deste pão viverá eternamente.

Anúncio do Evangelho (Jo 6,41-51)

O Senhor esteja convosco.

Ele está no meio de nós!

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 41 os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”.

42 Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que desceu do céu?”

43 Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna.

48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

O AMBIENTE

No seu “Livro dos Sinais” (cf. Jo 4,1-11,56), João apresenta-nos um conjunto de cinco catequeses sobre Jesus; e, em cada uma delas, usando diferentes símbolos, Jesus é apresentado como o Messias que veio ao mundo para cumprir o plano do Pai e fazer aparecer um Homem Novo. Todas essas catequeses (“Jesus, a água que dá a vida” – cf. Jo 4,1-5,47; “Jesus, o verdadeiro pão que sacia todas as fomes” – cf. Jo 6,1-7,53; “Jesus, a luz que liberta o homem das trevas” – cf. Jo 8,12-9,41; “Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas” – cf. Jo 10,1-42; “Jesus, vida e ressurreição para o mundo” – cf. Jo 11,1-56) terminam com uma secção onde se manifesta a oposição dos judeus a essa vida nova que Jesus veio propor aos homens. João vai, dessa forma, preparando os seus leitores para aquilo que vai acontecer em Jerusalém no final da caminhada histórica de Jesus: a morte na cruz.
O texto que nos é hoje proposto apresenta-nos uma dessas histórias de confronto entre Jesus e os judeus. No final do discurso explicativo da multiplicação dos pães e dos peixes, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,22-40), Jesus propusera-Se como “o Pão da vida” e convidara os seus interlocutores a aderirem à sua proposta para nunca mais terem fome. O nosso texto é a sequência desse episódio. Refere a murmuração dos judeus a propósito das palavras de Jesus e descreve a controvérsia que se seguiu.

A MENSAGEM

Os interlocutores de Jesus não aceitam a sua pretensão de Se apresentar como “o pão que desceu do céu”. Eles conhecem a sua origem humana, sabem que o seu pai é José, conhecem a sua mãe e a sua família; e, na sua perspectiva, isso exclui uma origem divina (vers. 41). Em consequência, eles não podem aceitar que Jesus Se arrogue a pretensão de trazer aos homens a vida de Deus.
Em lugar de discutir a questão da sua origem divina, Jesus prefere denunciar aquilo que está por detrás da atitude negativa dos judeus face à proposta que lhes é feita: eles não têm o coração aberto aos dons de Deus e recusam-se a aceitar os desafios de Deus… O Pai apresenta-lhes Jesus e pede-lhes que vejam em Jesus o “pão” de Deus para dar vida ao mundo; mas os judeus, instalados nas suas certezas, amarrados às suas seguranças, acomodados a um sistema religioso ritualista, estéril e vazio, já decidiram que não têm fome de vida e que não precisam para nada do “pão” de Deus. Não estão, portanto, dispostos, a acolher Jesus, “o pão que desceu do céu” (vers. 43-46). Eles não escutam Jesus, porque estão instalados num esquema de orgulho e de auto-suficiência e, por isso, não precisam de Deus.
Para aqueles que, efetivamente, o querem aceitar como “o pão de Deus que desceu do céu”, Jesus traz a vida eterna. Ele “é”, de facto, o “pão” que permite ao homem saciar a sua fome de vida (“Eu sou o pão da vida” – vers. 48). A expressão “Eu sou” é uma fórmula de revelação (correspondente ao nome de Deus – “Eu sou aquele que sou” – tal como aparece em Ex 3,14) que manifesta a origem divina de Jesus e a validade da proposta de vida que Ele traz. Quem adere a Jesus e à proposta que Ele veio apresentar (“quem acredita” – vers. 47) encontra a vida definitiva. O que é decisivo, neste processo, é o “acreditar” – isto é, o aderir efetivamente a Jesus e aos valores que Ele veio propor.
Essa vida que Jesus está disposto a oferecer não é uma vida parcial, limitada e finita; mas é uma vida verdadeira e eterna. Para sublinhar esta realidade, Jesus estabelece um paralelo entre o “pão” que Ele veio oferecer e o maná que os israelitas comeram ao longo da sua caminhada pelo deserto… No deserto, os israelitas receberam um pão (o maná) que não lhes garantia a vida eterna e definitiva e que nem sequer lhes assegurava o encontro com a terra prometida e com a liberdade plena (alimentada pelo antigo maná, a geração saída da escravidão do Egito nunca conseguiu apropriar-se da vida em plenitude e nem sequer chegou a alcançar essa terra da liberdade que buscavam); mas o “pão” que Jesus quer oferecer ao homem levará o homem a alcançar a meta da vida plena (vers. 49-50). “Vida plena” não indica aqui, apenas, um “tempo” sem fim; mas indica, sobretudo, uma vida com uma qualidade única, com uma qualidade ilimitada – uma vida total, a vida do homem plenamente realizado.
Jesus vai dar a sua “carne” (“o pão que Eu hei-de dar é a minha carne” – vers. 51) para que os homens tenham acesso a essa vida plena, total, definitiva. Jesus estará aqui a referir-se à sua “carne” física? Não. A “carne” de Jesus é a sua pessoa – essa pessoa que os discípulos conhecem e que se lhes manifesta, todos os dias, em gestos concretos de amor, de bondade, de solicitude, de misericórdia. Essa “pessoa” revela-lhes o caminho para a vida verdadeira: nas atitudes, nas palavras de Jesus, manifesta-se historicamente ao mundo o Deus que ama os homens e que os convida, através de gestos concretos, a fazer da vida um dom e um serviço de amor.

ATUALIZAÇÃO

• Repetindo o tema central do texto que refletimos no passado domingo, também o Evangelho que hoje nos é proposto nos convida a acolher Jesus como o “pão” de Deus que desceu do céu para dar a vida aos homens… Para nós, seguidores de Jesus, esta afirmação não é uma afirmação de circunstância, mas um facto que condiciona a nossa existência, as nossas opções, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar à vida verdadeira e definitiva. Que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? É à volta d’Ele que construímos a nossa existência? O projeto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas opções que fazemos em cada instante?

• “Quem acredita em Mim, tem a vida eterna” – diz-nos Jesus. “Acreditar” não é, neste contexto, aceitar que Ele existiu, conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considerações teológicas a propósito da sua mensagem… “Acreditar” é aderir, de facto, a essa vida que Jesus nos propôs, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-l’O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos; é fazer da própria vida – como Ele fez da sua – uma luta coerente contra o egoísmo, a exploração, a injustiça, o pecado, tudo o que desfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objectividade, que “acredito” em Jesus?

• No seu discurso, Jesus faz referência ao maná como um alimento que matou a fome física dos israelitas em marcha pelo deserto, mas que não lhes deu a vida definitiva, não lhes transformou os corações, não lhes assegurou a liberdade plena e verdadeira (só o “pão” que Jesus oferece sacia verdadeiramente a fome de vida do homem). O maná pode representar aqui todas essas propostas de vida que, tantas vezes, atraem a nossa atenção e o nosso interesse, mas que vêm a revelar-se falíveis, ilusórias, parciais, porque não nos libertam da escravidão nem geram vida plena. É preciso aprendermos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança no “pão” que não sacia a nossa fome de vida definitiva; é necessário aprendermos a discernir entre o que é ilusório e o que é eterno; é preciso aprendermos a não nos deixarmos seduzir por falsas propostas de realização e de felicidade; é necessário aprendermos a não nos deixarmos manipular, aceitando como “pão” verdadeiro os valores e as propostas que a moda ou a opinião pública dominante continuamente nos oferecem…

• Porque é que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e não estão dispostos a aceitá-l’O como “o pão que desceu do céu”? Porque vivem instalados nas suas grandes certezas teológicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imutável e estéril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles construíram um Deus fixo, calcificado, previsível, rígido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abundância. Esta “doença” de que padecem os líderes e “fazedores” de opinião do mundo judaico não é assim tão rara… Todos nós temos alguma tendência para a acomodação, a instalação, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias política ou religiosamente corretas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elaborações teológicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espaço para o mistério de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. É preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pré-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; é preciso termos sempre o coração aberto e disponível para esse Deus sempre novo e sempre dinâmico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abundância.

BILHETE DE EVANGELHO
Antes de nos pormos a caminho para receber o Pão da Vida, Jesus recorda-nos que, antes de mais, somos convidados, que é Deus que dá o primeiro passo: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor!” De seguida, pede-nos que façamos um acto de fé: “Dizei uma palavra e serei salvo!” Crer n’Aquele que Deus enviou… Crer, isto é, ter confiança nas suas palavras e nos seus gestos. Aquele que tem confiança sabe que não ficará decepcionado. O que Cristo quer é que vivamos plenamente, enquanto vamos ao seu encontro: a sua palavra é alimento, a sua carne (a sua pessoa) é alimento, com Ele ficamos saciados. Ele vem até nós para que vivamos d’Ele e, por Ele, a nossa vida ganhe sentido, os nossos gestos possam dar a vida, as nossas palavras possam exprimir a ternura, a nossa oração se torne relação filial com o Pai.

À ESCUTA DA PALAVRA
Os judeus recriminavam Jesus: “Esse homem não é Jesus, filho de José? Conhecemos bem seu pai e sua mãe. Como pode dizer «Eu desci do céu»?” Os adversários de Jesus discutiam a sua origem e a sua pretensão exorbitante. Devemos reconhecer que a dificuldade dos compatriotas não era pequena. Jesus não tinha nada de extraterrestre. Se estivéssemos lá, talvez tivéssemos a mesma atitude… Ora, para descobrir o mistério profundo de Jesus, é preciso ir para além das aparências. Para conhecer Jesus, é preciso acolher a luz que vem da Palavra de Deus, ter o olhar da fé. A fé é uma “luz obscura”, pede um salto numa “confiança nocturna”, na noite. Isso verifica-se já nas nossas relações humanas de amor e de amizade. A fé-confiança não é uma evidência “científica” que leva a uma adesão imediata da inteligência. A fé só se pode aceitar e viver numa relação de amor, de amizade. Para além das aparências… Só podemos aceitar a Palavra de Jesus se nos abrirmos a Deus. Jesus pede aos seus discípulos para terem confiança: “Crede em Deus, crede também em Mim”. A fé é uma graça, um dom gratuito. Mas é também um combate, segundo São Paulo: “Combati até ao fim o bom combate… guardei a fé”. Em definitivo, somos reenviados a uma escolha que, certamente, não suprime as exigências da nossa razão, mas ultrapassa-as, porque aceitamos entrar numa relação de amor e de amizade com Jesus, “o filho de José”, que reconhecemos também como “o Filho de Deus”.

PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Saborear Deus, saborear a bondade da Criação…Vamos saborear a bondade do Senhor através da beleza da sua Criação. Paisagens, elementos naturais, animais, astros, etc… E, no cume, as pessoas que encontramos, todas criadas à imagem do Criador!

Abraços fraternos e solidários a todos, e uma abençoada semana, paz e bem!


Frei Fábio, OSF
 

Frei Fábio, OSF é formando em Filosofia, professo perpétuo, hoje o Ministro-Geral da Ordem  de São Francisco, OSF no Brasil, diácono transitório, amante e um defensor da ecologia,  desenvolve trabalhos com moradores de rua, e os mais oprimidos pela sociedade, realiza  palestras sobre franciscanismo, bíblia, ecologia, cura interior e amorização. Atualmente reside em  Florianópolis, SC.


logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Santoral Franciscano: 27 de julho – Bem-Aventurada Mattia de Nazarei (1236 – 1320)

Bem-Aventurada Mattia de Nazarei

Virgem religiosa da Segunda Ordem (1236-1320). Aprovou seu culto Clemente XII no dia 27 de julho de 1765.

 

Mattia, nascida no ano de 1235 em Matelica,  nas Marcas – Itália, pertencia à família nobre De Nazarei.  Cresceu rodeada dos amorosos cuidados familiares, que fizeram tudo para prepará-la para um brilhante porvir.  Seu pai sonhava para ela um matrimônio digno de sua categoria.  Porém,  um fato inesperado transtornou todos os seus planos. O exemplo das  duas santas irmãs Clara e Inês de Assis também se repetiu em Matelica. Um dia Mattia sem avisar a ninguém, fugiu de casa e foi bater às portas do mosteiro de Santa Maria Madalena das  Irmãs Clarissas, pedindo à abadessa que a recebesse entre suas co-irmãs.  Esta a  fez notar que isto era impossível sem o consentimento de seus pais. Pouco depois, o pai e alguns parentes, irritadíssimos, irromperam no mosteiro decididos a levá-la de novo para casa à força. Porém,  tudo foi inútil. O pai foi vencido pela insistência da sua filha, que assim pôde realizar seu sonho de  seguir a Cristo pelo caminho da perfeição. Tinha dezoito anos quando começou o noviciado e  antes da profissão, distribuiu parte de seus bens aos pobres e  parte reservou para urgentes trabalhos de restauração do mosteiro.

Atrás de seu exemplo, outras moças a  seguiram pelo caminho da vida evangélica que haviam traçado São Francisco e Santa Clara. Depois de oito anos de  vida religiosa foi eleita abadessa unanimemente.  Durante quarenta anos Mattia foi a zelosa superiora das Clarissas,  iluminada guia espiritual e  ao mesmo tempo sagaz administradora. Possuía as qualidades aparentemente contraditórias de  uma grande mística e de uma sábia organizadora.  Confiando na divina Providência, com ofertas da população e de sua família, reconstruiu desde os fundamentos da igreja até o mosteiro.

A vida interior da Beata Mattia se modelou sobre a Paixão do Senhor. Por muitos anos todas as  sextas-feiras sofreu dores e  numerosos arroubamentos. Foi uma mulher de governo que as virtudes contemplativas unia às virtudes práticas. Manteve-se também em contato com o mundo, sabendo dizer uma palavra de consolo, ajuda e exortação aos muitos que ajudava na medida das possibilidades e ainda a indigentes e pobres.  Um menino estava a  ponto de morrer como consequência de uma queda. A mãe, desesperada, o levou à Beata Mattia que, depois de rezar o tocou com a mão e o restituiu são e salvo à sua mãe. E se contam dela muitos outros prodígios.

Em 28 de dezembro de 1320, depois de ter exortado e abençoado pela última vez a suas queridas coirmãs, morreu serenamente aos 85 anos, deixando atrás de si uma doce recordação, que logo se transformaria em culto, o qual confirmaria Clemente XIII,  ao beatificá-la em 27 de julho de 1765.

Milagre recente – cura de câncer

Em 1987 constatou-se a cura milagrosa de um farmacêutico e doutor napolitano, Alfonso de D’Anna. O diagnóstico do Instituto Pascal de Nápoles, confirmado pelo Instituto Nacional de Tumores de Milão, era carcinoma, um tumor maligno.  Em 6 de março de 1987 tinha que iniciar o tratamento de quimioterapia, porém a Beata Mattia apareceu em sonhos à senhora Rita Santoro, da ordem Franciscana Secular e Ministra da Fraternidade de Santa Maria Francisca de Nápoles. A senhora Rita então não conhecia o Dr. D’Anna, porém, a Beata Mattia lhe proporcionou informações detalhadas, para que pudesse identificá-lo. A senhora Rita tinha que dar-lhe uma de suas relíquias e o azeite bento de sua lâmpada, que arde sempre em seu convento, e que as clarissas oferecem aos fiéis em pequenos frascos.

Em 7 de março de 1987, o Dr. Alfonso D’Anna dirigiu-se à sua farmácia, para retomar o trabalho. As revisões periódicas estiveram precedidas, muitas vezes, por um forte odor de jasmim, como havia predito o sonho, e confirmaram a incrível e completa cura do Dr. D’Anna.

A última revisão, um TAC realizado no hospital Cardarelli de Nápoles, confirmou a perfeita ventilação de seus pulmões e a ausência de lesões tumorais.

Toda a documentação foi posta à disposição das autoridades eclesiásticas, a fim de proceder a canonização da Beata Mattia.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Franciscanos celebram em agosto o Perdão de Assis

porciunculaNos dias 1º e 2 de agosto será celebrado em todas as paróquias do mundo e em todas as igrejas franciscanas o Perdão de Assis, ou, a Indulgência da Porciúncula. A origem desta graça está ligada à história da pequena Porciúncula, dentro da Basílica Santa Maria dos Anjos, em Assis, de São Francisco e de toda a Ordem Franciscana.

A visão

“Na noite do ano do Senhor de 1216, Francisco estava mergulhado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula quando, improvisadamente, uma luz muito forte tomou conta do local e Francisco viu sobre o altar o Cristo revestido de luz e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundada por uma multidão de Anjos”.

Este é o início da história, atestada pelo Diploma de Teobaldo (FF 3391 – 3399), que deu início a este evento celebrado no início de agosto. Prostrado com a visão mística, Francisco pediu a Jesus uma graça: “Senhor, peço que todos aqueles que, arrependidos e confessados, entrando nesta igrejinha, tenham o perdão de todos os seus pecados e a completa remissão das penas devidas às suas culpas”.

Jesus respondeu a ele: “Grande é a graça que me pedes, ó Francisco; todavia, a concedo a ti, se minha Mãe me pedir”. Francisco então pediu a mediação da Virgem Maria, a qual com sua súplica, seu Divino Filho concedeu a graça. Porém, quis que apresentasse ao seu Vigário, o Sumo Pontífice, para obter a sua confirmação.

Papa Honório III

Dito isto, cessou a visão e Francisco imediatamente foi ao Papa Honório III e ele, depois de várias dificuldades, lhe confirmou a graça, limitando-a, porém, a um dia somente, por todos os anos e fixando para esta o dia 2 de agosto, a começar das Vésperas da Vigília.

Indulgência estendida a todas igrejas franciscanas

Mais tarde, com a Bula do dia 4 de julho de 1622, o Papa Gregório XV estendeu esta grande indulgência a todas as Igrejas da Ordem Franciscana e prescreveu que, além da confissão, era necessária a comunhão e a oração pelo Sumo Pontífice. Em 12 de janeiro de 1678, o Papa Inocêncio XI declarou que a dita indulgência estava aplicada também às almas do Purgatório.

Toties quoties

Esta indulgência tornou-se célebre pela sua origem extraordinária e pela circunstância singularíssima que esta pode ser lucrada toties quoties, isto é, tantas vezes quanto se visita a igreja que goza de tal favor e nas quais se cumprem as prescrições requeridas, fato confirmado pela Santa Sé.

O Papa Pio X permitiu, para maior comodidade dos fiéis, que o Perdão de Assis poderia ser obtido também nas igrejas ou oratórios que, na aplicação do privilégio com o consenso do Bispo e que o Perdão de Assis pudesse ser transferido do dia 2 de agosto para o Domingo seguinte.

O Papa Bento XV, em 16 de abril de 1921, estendeu esta indulgência do Perdão de Assis a todos os dias do ano, in perpetuo, mas somente na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis. Ainda hoje, em todas as Igrejas do mundo, a indulgência é aplicada neste dia.

Jubileu do Perdão

Particularmente solenes e participadas, como em todos os anos, serão as celebrações na Basílica Santa Maria dos Anjos, onde os Freis preparam-se para festejar, no próximo ano, um Grande Jubileu do Perdão no oitavo centenário (1216-2016) do pedido do Pobre de Assis na Porciúncula, em “feliz e providencial” concomitância com o Jubileu extraordinário da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco, de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016.

Marcha Franciscana

Da intensa programação, consta a chegada da XXXV Marcha Franciscana, com o tema este ano “Busco a tua face”, e que verá chegar na Porciúncula cerca de 1,6 mil jovens caminhantes provenientes de toda a Itália e também de países vizinhos, como Albânia, Croácia, Eslovênia e Áustria. Os jovens expressarão com uma festa na Praça diante da Basílica a alegria pelo Perdão recebido na Porciúncula.

Fonte: Radio Vaticano, Site Franciscanos – RS

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Santoral Franciscano: 16 de julho – Memória de Canonização de São Francisco de Assis

san-francesco

Santoral Franciscano: 16 de julho

Memória de Canonização de São Francisco de Assis

No dia 16 de julho de 1228, dois anos depois de sua morte, São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Na ocasião, ele publicou a Bula de Canonização “Mira circa nos” “aos veneráveis irmãos arcebispos, bispos etc…”

1). É maravilhoso como Deus se digna ter piedade de nós e inestimável é o amor de sua caridade, pela qual entregou-nos o filho à morte para remir o escravo!
Sem renunciar aos dons de sua misericórdia e conservando com proteção contínua a vinha que foi plantada por sua destra, continua a mandar operários para ela mesmo na décima primeira hora para que a cultivem bem arrancando com a enxada e o arado com o qual Samgar abateu seiscentos Filisteus (Jz 6,31) os espinhos e as ervas más, para que, podados os ramos supérfluos e os brotos espúrios que não levam às raízes, e extirpados os espinheiros, ela possa amadurecer frutos suaves e saborosos.

Aqueles frutos que, purificados na prensa da paciência, poderão ser levados para a adega da eternidade, depois de ter queimado de uma vez, como com o fogo, a impiedade junto com a caridade esfriada de muitos, destinada a ser destruída na mesma ruina, como foram precipitados os filisteus caindo por causa do veneno da volubilidade terrena.

2). Eis o Senhor que, enquanto destruía a terra com a água do dilúvio, guiou o justo em uma desprezível arca de madeira (Sb 10,4), não permitindo que a vara dos pecadores prevalecesse sobre a sorte dos justos (Sl 124,3), na hora undécima suscitou seu servo o bem-aventurado Francisco, homem verdadeiramente segundo o seu coração (Cfr. 1Sm 13,14), lâmpada desprezada no pensamento dos ricos mas preparada para o tempo estabelecido, mandando-o para a sua vinha para que arrancasse os seus espinhos e espinheiros, depois de ter aniquilado os filisteus que a estavam assaltando, iluminando a pátria, e para que a reconciliasse com Deus admoestando com assídua exortação Cfr. Jz 15.15).

3). O qual, quando ouviu interiormente a voz do amigo que o convidava, levantou-se sem demora, despedaçou os laços do mundo cheio de bajulações, como um outro Sansão prevenido pela graça divina e, cheio de Espírito de fervor, pegou uma queixada de asno (Jz 11,15), com uma pregação feita de simplicidade, não enfeitada com as cores de uma persuasiva sabedoria humana (1Cor 1,17), mas com a força poderosa de Deus, que escolhe as coisas fracas do mundo para confundir os fortes, prostrou não só mil mas muitos milhares de filisteus, com o favor daquele que toca os montes e os faz fumegar (Sl 103,32), e reduziu à servidão do espírito os que antes serviam às impurezas da carne.

Quando eles ficaram mortos para os vícios e vivos para Deus e não mais para si mesmos, pois a parte pior tinha perecido, saiu da mesma queixada água abundante (cfr. Jz 15,10), que restaurava, lavava e fecundava todos os que tinham caído, sórdidos e ressecados, aquela água que, brotando para a vida eterna, pode ser comprada sem dinheiro e sem nenhuma outra despesa (Is 55,1) . Expandindo-se por toda parte, seus regatos irrigam a vinha, estendendo até o mar seus ramos, até o rio os seus rebentos (Sl 79,12).

4). Afinal, imitou os exemplos de nosso pai Abraão, saindo espiritualmente de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai, para ir para a terra que o Senhor lhe havia mostrado com sua divina inspiração (Gn 12,1). Para correr mais expeditamente, para o prêmio da vocação celeste (Fl 3,34), e poder entrar mais facilmente pela porta estreita (Mt 7,15), deixou a bagagem das riquezas terrenas, conformando-se com Aquele que, de rico que era fez-se pobre por nós, distribuiu-as, deu-as aos pobres (2Cor, 8,9), para que assim, sua justiça perdurasse para sempre (Sl 111,9).

E quando chegou perto da terra da visão, na montanha que lhe tinha sido mostrada (Gn 22,3), isto é, sobre a excelência da fé, ofereceu ao Senhor em holocausto sua carne, que antes o havia enganado, como filha unigênita, à semelhança da Jefté (Cfr. Jz 11), colocando-se no fogo da caridade, macerando sua carne pela fome, sede, frio, nudez, vigílias sem conta e jejuns. Quando a tinha, assim, crucificado com os vícios e as concupiscências (Gl 5,24), podia dizer com o Apóstolo: Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim (Rm 4,25). E, de fato,  já não vivia para si mesmo mas para Cristo, que morreu por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação, para que já não servíssemos o pecado de maneira alguma.

Suplantando também os vícios, travou uma viril batalha contra o mundo, a carne e os poderes celestes. E, renunciando à mulher, à casa de campo e aos bois, que afastaram os convidados da grande ceia (Lc 14,15-22), levantou-se com Jacó (Cfr. Gn 35,1-11) ao comando do Senhor e, recebendo a graça septiforme do Espírito Santo, assistido pelas oito bem-aventuranças evangélicas, subiu através dos quinze degraus das virtudes, indicadas misticamente nos Salmos, para Betel, a casa do Senhor, que a tinha preparado para ele.

E lá, construindo o altar de seu coração para o Senhor, ofereceu sobre ele os aromas de suas devotas orações, que os anjos haveriam de levar à presença do Senhor com suas mãos, agora que já estava prestes a tornar-se um concidadão dos anjos.

5). Mas, para não ajudar somente a si mesmo lá na montanha, unido apenas no abraço de Raquel, bela mas estéril, isto é, na contemplação, desceu para o quarto proibido de Lia (Cfr. Gn 29), para conduzir o rebanho fecundo de filhos gêmeos através do deserto, procurando para eles as pastagens de vida, a fim de que, lá, onde o alimento é o maná celeste para os que se apartaram do estrépito do mundo, enterrando suas sementes com abundância de lágrimas (Sl 125, 5-6), pudesse colher exultando, os feixes para o celeiro da eternidade, ele destinado a ser colocado entre os príncipes de seu povo, coroado com a coroa de justiça.

É certo que ele não buscou seus próprios interesses mas antes o de Cristo (Fl 3,21), e o serviu como abelha industriosa; e, como estrela da manhã que aparece no meio das nuvens e como lua nos dias de seu pleno esplendor (Sl 50,6), e como sol resplandecente na Igreja de Deus, tomou em suas mãos a lâmpada e a trombeta para chamar para a graça os humildes com as provas de suas obras luminosas, e retirar os calejados no mal de suas graves culpas aterrando-os com uma dura reprovação.

Assim, inspirado pela virtude da caridade, irrompeu intrepidamente no acampamento dos madianitas, isto é, daqueles que evitam o juízo da Igreja por desprezo, com a ajuda daquele que, enquanto estava fechado dentro do seio da Virgem, atingia o mundo inteiro com o seu domínio; e arrebatou as armas em que punha sua confiança o forte armado que guardava sua casa (Lc 11,21-22), e distribuiu os despojos que ele mantinha, levando como escrava a escravidão (Ef 4,8) dele em homenagem a Jesus Cristo.

6). Por isso, tendo superado enquanto estava na terra o tríplice inimigo, fez violência ao Reino dos Céus e com a violência arrebatou-o (Mt 11,12). E depois das numerosas e gloriosas batalhas desta vida, triunfando sobre o mundo, voltou ao Senhor, precedendo muitos dotados de ciência, ele que deliberadamente era sem ciência e sabiamente ignorante.

7). Na verdade, ainda que sua vida, tão santa, operosa e luminosa, tenha sido suficiente para que conquistasse a companhia da Igreja triunfante, a Igreja militante, que só vê a face exterior, não tem a presunção de julgar por sua própria autoridade aqueles que não são de sua alçada, para apresentá-los à veneração baseando-se só sobre a sua vida, principalmente porque algumas vezes o anjo de satanás transforma-se em anjo de luz (2Cor 11,14); o Onipotente e misericordioso Deus, por cuja graça o referido servo de Cristo serviu-o dignamente e com louvor, não permitindo que uma lâmpada tão maravilhosa ficasse escondida embaixo do alqueire, mas querendo colocá-la sobre o candelabro para oferecer a restauração de sua luz a todos aqueles que estão na casa (Lc 11,33), declarou com múltiplos e grandiosos milagres que a vida dele era agradável para ela e que sua memória devia ser venerada na Igreja militante.

8). Portanto, como já nos eram plenamente conhecidos os traços mais singulares de sua vida gloriosa, pela familiaridade que teve conosco quando estávamos constituídos em um cargo menor, e fosse feita fé plena a respeito do esplendor de seus múltiplos milagres, através de testemunhas idôneas de que nós e o rebanho a nós confiado seríamos ajudados por sua intercessão e teríamos como patrono no céu aquele que foi nosso amigo na terra, reunindo o consistório de nossos irmãos [os cardeais], e tendo obtido o consentimento deles, decretamos que o inscrevíamos no catálogo dos santos para a devida veneração.

9). Estabelecemos que a Igreja universal celebre devotamente e com solenidade o seu nascimento para o céu no dia 4 de outubro, o dia em que, livre do cárcere da carne, subiu ao Reino celeste.

10). Por isso pedimos, admoestamos e exortamos no Senhor a todos vós, e comunicando-o através deste escrito apostólico que, nesse dia, vos apliqueis intensa e alegremente aos divinos louvores na sua comemoração e imploreis humildemente que por sua intercessão e méritos possamos chegar à sua companhia. Que isso vos conceda Aquele que é bendito nos séculos dos séculos. Amém.

Dado em Perusa, no dia 19 de julho de 1228, no segundo ano de nosso pontificado.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Santoral Franciscano: 12 de julho – São João Jones (1559-1598)

st-john-jones

Santoral Franciscano: 12 de julho
São João Jones (1559-1598)

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1559-1598). Canonizado por Paulo VI no dia 25 de outubro de 1970.

Após a separação da Igreja da Inglaterra da Igreja de Roma, o rei Henrique VIII perseguiu os católicos, que não o reconheciam no direito de proclamar-se chefe de uma religião do Estado. Sob ele caiu, entre outros, o bispo John Fisher, o chanceler Sir Thomas Moro, o Beato João Forest, João Jones e João Wall. Aos católicos era proibida qualquer atividade religiosa.

Sob essas leis veio a cair em 1596 João, da família galesa Jones que, tendo crescido num ambiente católico e educado religiosamente, ingressou na Ordem dos Frades Menores. Ao se destacar entre os seus confrades pela sua simplicidade e espiritualidade, foi enviado a Roma, no convento franciscano de Araceli, no Campidoglio, Itália. Poderia ter permanecido na Itália vivendo tranquila e santamente. Mas ele pediu para voltar à Inglaterra, e não quis o País de Gales, onde havia maior tolerância religiosa, mas Londres, o centro irradiador da Reforma Anglicana.

Em Londres conseguiu fazer sua atividade missionária por um bom tempo sob o nome falso de John Buckley, até ser pego pelos chamados “caçadores de padres.” Ele foi cruelmente torturado e mantido na prisão de dois anos aguardando julgamento.

Finalmente, em julho 1598 houve o processo do frade franciscano acusado de ser ordenado no exterior e voltar ilegalmente para a Inglaterra para sublevar o povo. O frade se defendeu: “Eu sou um frade franciscano e sacerdote de Cristo, vim à Inglaterra para conquistar o maior número possível de almas para Jesus. Se este é um crime, eu sou o primeiro a acusar-me e estou pronto para dar a vida pela fé católica e pelo primado do Romano Pontífice”.

Foi a confissão de que eles esperavam. A sentença foi dada imediatamente. Ele tinha 39 anos.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts