Arquivos do Blog

Santoral Franciscano: 15 de julho – São Boaventura (1221-1274)

São-Boaventura

Bispo, cardeal e Doutor Seráfico da Primeira Ordem (1221-1274). Canonizado por Sixto IV no dia 14 de abril de 1482.

João de Fidanza, filho de João de Fidanza e Maria Ristelli, nasceu em Bagnoregio, do distrito de Viterbo, dos Estados Pontifícios, em 1221. Curou-se na infância de grave doença, depois de uma invocação a São Francisco de Assis feita por sua mãe, a que faz referência o próprio São Boaventura (Sermo de B. Francisco, serm.3).

Pelo ano 1234 seguiu para a Faculdade das Artes, de Paris, onde se graduava pelo ano 1240. Ingressou aos 17 anos na Ordem dos Franciscanos, onde assumiu o nome de Boaventura. Talvez estivesse motivado pela devoção a São Francisco que lhe vinha da infância, e ainda pela admiração a Alexandre de Hales, por quem se deixara orientar doutrinariamente, enfim pelo apreço em que levava o espírito da Ordem, como se infere de suas mesmas palavras.

A teologia a estudou provavelmente sob Alexandre de Hales (+ 1245), porque o chama de pai e mestre. Boaventura principia o magistério em 1248 como bacharel bíblico, com o Comentário ao Evangelho de S. Lucas; conforme os estatutos da Universidade, dois anos depois, como bacharel sentenciário, explicaria a Sentenças, o que teria feito, então, em 1250 e 1251; na mesma sequência deveria chegar ao doutorado em teologia em 1253. Frente às dificuldades criadas então aos religiosos, parece que Boaventura só conseguiu o reconhecimento do título em 1257.

Mas, abandonou exatamente, então, o magistério, passando então ao posto de Geral da Ordem franciscana; tinha 36 anos. Dedicou-se à causa da Ordem, à sua espiritualidade e à pregação em geral. Em 1273 foi feito cardeal e bispo de Albano.

Exerceu especiais incumbências no Concílio de Lyon, quando foi conseguida a união com a Igreja Grega (6-7-1274), a qual todavia foi precária. Oito dias após o Concílio faleceu o cardeal (14-7-1274). Foi canonizado em 1482 e declarado doutor da Igreja em 1587.

Boaventura chegara mais cedo a Paris que São Tomás; enquanto o primeiro se graduava em artes em Paris em 1240, Tomás chegará a Paris em 1245, para seguir em 1248 para Colônia. Boaventura completa o tirocínio para a conquista do grau de mestre em 1253, Tomás, que retornara a Paris, lecionou ali de 1252 a 1259, depois seguindo para a Itália (1259-1268).

Cessou, porém o magistério de Boaventura em 1257. Entretanto Boaventura não paralisou as suas preocupações intelectuais. Foi a um tempo, um homem de estudo, de ação e além de místico. Não participou das controvérsias tomistas de 1270, mas apoiou tacitamente a oposição, que era agostiniana.

A obra literária de S. Boaventura é relativamente grande, principalmente tendo em consideração que lecionou apenas 10 anos (1248-1257), de quando datam os livros do tipo escolar. São de interesse filosófico:

  • Comentários sobres as Sentenças (c. 1248-1255);
  • Quaestiones disputates, sendo 7 De scientia christi, 8 de Mysterio Trinitatis, 4 de perfectione evangelica;
    Itinerarium mentis ad Deum (1259);
  • Breviloquium (antes de 1257);
  • De reductione artium ad theologiam; 
  • e os tratados sobre os Tópicos, Meteoros, e De generatione de Aristóteles.

Deixou também numerosos sermões e escritos de natureza mística.

São Boaventura morreu no dia 15 de Julho do ano de 1274.

ORAÇÃO – Concedei-nos, Pai todo-poderoso, que, celebrando a festa de São Boaventura, aproveitemos seus preclaros ensinamentos e imitemos sua ardente caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Anúncios

Santoral Franciscano: 14 de julho – São Francisco Solano (1549-1610).

solano

Santoral Franciscano: 14 de julho
São Francisco Solano (1549-1610)

Sacerdote da Primeira Ordem (1549-1610). Canonizado por Bento XIII no dia 27 de dezembro de 1726.

Apóstolo do Novo Mundo, Francisco nasceu em Montilla (Córdoba, Espanha) a 10 de março de 1549, terceiro filho de Mateus Sánchez Solano e de Ana Jiménez, família abastada e de nobre ascendência. Fez seus estudos em Córdoba, junto dos jesuítas onde mostrou ser pessoa dotada de viva inteligência, dada à contemplação e à caridade. Antes de concluir os estudos de medicina, que havia iniciado com brilhantismo, pediu para ingressar na Ordem dos Frades Menores da Província de Granada. Em 1569, vestiu o hábito dos frades e, no ano seguinte, emitiu a profissão religiosa.

Sempre muito austero, paciente, humilde e perfeito na observância da Regra, continuou os estudos de filosofia e teologia no Convento de Santa Maria de Loreto, em Sevilha, morando em minúsculo canto do coro. Celebrou sua primeira missa a 4 de outubro de 1576. Em 1581 foi nomeado mestre de noviços do convento de Arruzafa (Córdoba), ofício que continuou a desempenhar no Convento de São Francisco do Monte da Serra Morena para onde foi transferido em 1583 e onde exerceu depois as funções de guardião e de pregador. Em todas as partes, acompanhava-o a fama de santidade e de taumaturgo devido aos milagres que realizava. Quando ocorreu o alastramento da peste bubônica na vizinha cidade de Montoro, voluntariamente se ofereceu para cuidados dos empestados. Transferido em 1587 para o convento de São Luís da Zubia, perto de Granada, foi eloquente e estimadíssimo pregador popular e apóstolo entre os doentes e presidiários em todo o território circunvizinho.

Uma vez abandonada a ideia de se dirigir aos países muçulmanos para morrer mártir querendo assim fugir da veneração do povo, pediu para fazer parte da expedição missionária destinada à América. No dia 28 de fevereiro de 1589, partiu no navio Sanlucar de Barrameda com outros onze confrades conduzidos pelo padre Baltazar Navarro, custódio de Tucuman, e chegou a Cartagena, na Colômbia, em maio do mesmo ano. Daí continuou até Nome de Deus, no Panamá, que atravessou a pé até atingir as margens do Pacífico.

Quando se dirigia ao Peru, o galeão em que viajava com o grupo, afundou perto da ilha de Górgona em frente à Colômbia. Francisco se considerou pastor desta comunidade de desesperados, entre as quais, muitos escravos. Depois de dois meses de sofrimento foram recolhidos em outra embarcação e levados até um porto ao norte do Peru. O santo frade continuou a viagem a pé até a cidade de Lima. Foi, então, designado imediatamente missionário na longínqua Tucuman, ao norte da Argentina. Para lá chegar deveria fazer a cansativa viagem de três mil quilômetros através dos Andes a pé ou sobre o lombo de um pobre animal.

Tendo chegado a Tucuman em novembro de 1590 foi lhe dada a incumbência da Custódia Franciscana de São Jorge, fundada em 1565, com a finalidade de ocupar-se das missões. Vencendo não poucas dificuldades de língua, fundou a missão ou redução de Socotonio e Madalena, das quais foi pároco missionário, exercendo ministério junto a indígenas Diaguitas, dos quais se tornou evangelizador, civilizador, pacificador e defensor, tendo sido muitas vezes agraciado com dom das línguas. Entre todas as suas grandezas conta-se a da pacificação desta população rebelde na quinta-feira santa de 1591. São atribuídos a Francisco duzentas mil conversões e batizados de infiéis. Em 1592 estendeu seu apostolado aos brancos e “crioulos”.

Em 1595 foi chamado pela obediência a dirigir-se ao Peru onde foi nomeado guardião do convento de recoleção de Santa Maia dos Anjos em Lima, cargo que renunciou considerando-se sem capacidade e sem méritos para o exercício. Em 1602 foi transferido para Trujillo, onde exerceu a função de guardião. Pregador enérgico e inspirado ficou célebre com o fato de ter profetizado em 12 de novembro de 1603 a destruição da cidade, que aconteceu em 14 de fevereiro de 1619. Tendo voltado a Lima e nomeado ainda uma vez guardião, no dia 20 de dezembro de 1604 percorreu ruas e praças da cidade com um crucifixo nas mãos provocando um tal estado de comoção que obrigou o vice-rei a intervir. Mesmo sendo muito austero, mostrava-se alegre e costumava tocar violino para alegrar-se a si mesmo e aos confrades e também como instrumento de pastoral para aproximar-se dos índios.

Devido às suas penitências, nos últimos tempos de sua vida, viveu no convento-enfermaria conhecido como Máximo de Jesus ( hoje São Francisco), em Lima. Durante o terremoto de 1609, padre Francisco levantando-se com dificuldade queria confortar a população com sua palavra de fé. Não conseguiu mais recuperar a saúde. Morreu santamente em Lima a 14 de julho de 1610, enquanto, a seu pedido, os frades cantavam o Credo. Suas últimas palavras foram: “Glorificetur Deus”. Foi sepultado na igreja do convento. Seu corpo foi carregado pelo arcebispo de Lima, pelo vice-rei e por outros personagens ilustres.

Foi canonizado por Bento XIII a 27 de dezembro de 1726.

(Tradução livre da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação da Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 275-277).

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Santoral Franciscano: 12 de julho – São João Jones (1559-1598)

st-john-jones

Santoral Franciscano: 12 de julho
São João Jones (1559-1598)

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1559-1598). Canonizado por Paulo VI no dia 25 de outubro de 1970.

Após a separação da Igreja da Inglaterra da Igreja de Roma, o rei Henrique VIII perseguiu os católicos, que não o reconheciam no direito de proclamar-se chefe de uma religião do Estado. Sob ele caiu, entre outros, o bispo John Fisher, o chanceler Sir Thomas Moro, o Beato João Forest, João Jones e João Wall. Aos católicos era proibida qualquer atividade religiosa.

Sob essas leis veio a cair em 1596 João, da família galesa Jones que, tendo crescido num ambiente católico e educado religiosamente, ingressou na Ordem dos Frades Menores. Ao se destacar entre os seus confrades pela sua simplicidade e espiritualidade, foi enviado a Roma, no convento franciscano de Araceli, no Campidoglio, Itália. Poderia ter permanecido na Itália vivendo tranquila e santamente. Mas ele pediu para voltar à Inglaterra, e não quis o País de Gales, onde havia maior tolerância religiosa, mas Londres, o centro irradiador da Reforma Anglicana.

Em Londres conseguiu fazer sua atividade missionária por um bom tempo sob o nome falso de John Buckley, até ser pego pelos chamados “caçadores de padres.” Ele foi cruelmente torturado e mantido na prisão de dois anos aguardando julgamento.

Finalmente, em julho 1598 houve o processo do frade franciscano acusado de ser ordenado no exterior e voltar ilegalmente para a Inglaterra para sublevar o povo. O frade se defendeu: “Eu sou um frade franciscano e sacerdote de Cristo, vim à Inglaterra para conquistar o maior número possível de almas para Jesus. Se este é um crime, eu sou o primeiro a acusar-me e estou pronto para dar a vida pela fé católica e pelo primado do Romano Pontífice”.

Foi a confissão de que eles esperavam. A sentença foi dada imediatamente. Ele tinha 39 anos.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesfranciscanos
YouTube: https://www.youtube.com/c/fradesfranciscanos
Google+: https://plus.google.com/u/2/+FradesFranciscanos/posts

Santoral Franciscano: 1º de julho – São Teodorico Endem (1499-1572)

martires-gorcum

Mártir em Gorcum. Sacerdote da Primeira Ordem (1499-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867

Mártir em Gorcum. Nascido em 1499, na cidade de Amersfoot, Holanda, quando jovem era um estudante aplicado e dedicado às obras de caridade e de misericórdia. Possuía um caráter manso e sereno. Em um determinado dia revelou a seus pais: “Já escolhi o meu caminho. Serei religioso franciscano e sacerdote”.

Sua família não aceitou passivamente a decisão dele dedicar-se à vida religiosa, de tudo fazendo para dissuadi-lo, mas sua veemência estava sustentada pela graça divina. Aos familiares respondia sempre que “quando o Senhor chama não se pode dizer não. Deve-se responder a Seu chamado, Ele é nosso Pai e nosso Deus”.

Conseguiu vencer a oposição familiar, que aceitou a sua decisão de ingressar na vida religiosa, mas com uma condição: deveria entrar em uma ordem beneditina. Esta condição deveu-se ao fato dos franciscanos serem muito pobres e conviverem com regras muito rígidas. Quanto aos beneditinos, seriam estes possuidores de dotes intelectuais e nobres de coração, podendo chegar, inclusive, à condição de Abade e levar uma vida de regalias.

Mas Teodorico estava decidido a seguir os passos de São Francisco e, novamente, sua vontade prevaleceu sobre a oposição paterna. A vida de pobreza, orações e penitências era o que o atraia. Ingressou na Ordem dos Irmãos Menores e após cumprir o noviciado e os estudos exigidos foi ordenado sacerdote, em solenidade que contou com a presença dos seus pais.

Durante um período de vários anos de isolamento foi um severo e fiel observador das Regras criadas por São Francisco, sendo muito respeitados pelos fiéis e pelos irmãos de ordem, sendo considerado um modelo de santidade e erudição.

Foi designado para o Convento de Gorcum, onde assumiu a missão de confessor, passando a maior parte do dia ouvindo as confissões dos fiéis. Também, no mesmo período, foi confessor e orientador espiritual no Mosteiro das Irmãs Terciárias Franciscanas.

Na época da rebelião de Lutero e Calvino diversos católicos do norte da Europa se afastaram da Igreja, ocorrendo muitas rebeliões e conflitos. Após assumirem o poder na Holanda os calvinistas passaram a perseguir duramente os católicos. Durante a ocupação da cidade de Gorcum, no ano de 1572, todos os irmãos franciscanos foram presos, juntamente com outros sacerdotes, humilhados e ridicularizados. Foram conduzidos através de cidades e povoados sendo expostos publicamente a todo tipo de ridicularização por parte das pessoas inimigas do catolicismo.

Conduzidos para a cidade de Brielle (Holanda) foram ali torturados, para que, pressionados, renunciassem à Igreja Católica, negando os dogmas da presença real de Cristo na Eucaristia e o primado do Sumo Pontífice. Porém todos permaneceram inabaláveis e confirmaram sua fé e não atenderam às exigências dos torturadores. Faleceu, martirizado na forca, juntamente com seus irmãos, no dia 09 de julho de 1572, aos 73 anos de idade. Desta forma Teodorico confirmou a sua fé, cheio da graça e do Espírito Santos. Foi canonizado por Pio IX em 29 de junho de 1867. Sua festa é comemorada em 1º de julho.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, Edizioni Porziuncola.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesosf

Santoral Franciscano: 30 de junho de 2015 – Bem-Aventurado Raimundo Lulio (1235-1316)

beato-raimundo-lulio

SANTORAL FRANCISCANO: 30 de junho de 2015
Bem-Aventurado Raimundo Lulio (1235-1316).

Mártir da Terceira Ordem (1235-1316). Aprovou seu culto Clemente XIII no dia 19 de fevereiro de 1763.

Raimundo Lúlio nasceu em Palla de Maiorca, entre os anos de 1232 e 1233 e morreu em 29 de junho de 1315. Também conhecido como Raimundo Lulio em espanhol, foi o mais importante escritor, filósofo e poeta, missionário e teólogo da língua catalã. Foi um prolífico autor também em árabe e latim, bem como em Langue d’Oc (ocitano).

Foi um leigo próximo aos franciscanos, talvez tenha pertencido à Ordem Terceira dos Frades Menores. É conhecido como “Doctor Illuminatus”, embora não seja um dos 33 doutores da igreja.

Ramon era filho de uma família de boa situação financeira, eram seus pais Ramon Amat Llull e Isabel d’Erill.

Dedicou-se ao apostolado entre os muçulmanos. Casou-se com 22 anos com Blanca Picany da qual teve dois filhos: Domingos e Madalena. Mais tarde, após converter-se em 1262 tornou-se terciário franciscano. Em 1275, depois de uma experiência mística, da qual saiu com o duplo propósito de preparar-se para o Magistério e dedicar-se à conversão dos infiéis, e em vista das insistentes queixas de sua esposa abandonou definitivamente a família.

De acordo com Umberto Eco, o lugar do nascimento foi determinante para Llull, pois Maiorca era uma encruzilhada, ná época, das três culturas: cristã, islâmica e judia, até o ponto de que a maior parte de suas 280 obras conhecidas terem sido escritas inicialmente em árabe e catalão.

Além de ser o primeiro autor que utilizou uma língua neolatina para expressar conhecimentos filosóficos, científicos e técnicos e de se destacar por uma aguda percepção que o permitiu antecipar muitos conceitos e descobrimentos, foi o criador do catalão literário, com um elevado domínio da língua e seu primeiro novelista.

De família cristã, Lúlio conviveu com muçulmanos e judeus em sua ilha de origem. Lúlio converteu-se definitivamente ao cristianismo em 1263, no ano da famosa Disputa de Barcelona, entre um teólogo judeu, o mestre Mosé ben Nahman de Girona, e um judeu convertido, Pau Crestià. Nessa Disputa, foi utilizado o procedimento de partir das argumentações do livro revelado do opositor. A partir dessa época, os apologetas cristãos passaram a estudar em profundidade os textos islâmicos e judeus.

Mas Lúlio seguiu uma outra vertente. Em seu diálogo interreligioso, motivado pela tentativa missionária de conversão do “infiel”, preferia partir do que chamava de “razões necessárias”. É o que desenvolve, por exemplo, em O Livro do Gentio e dos Três Sábios (1274-1276).
Futuramente, criará uma forma de argumentação baseada na automatização do pensamento, na chamada Grande Arte, utilizando um procedimento baseado na Zairja.

Conhecido em seu tempo pelos apelidos de Arabicus Christianus (árabe cristiano), Doctor Inspiratus (Doutor Inspirado) ou Doctor Illuminatus (Doutor Iluminado), Llull é uma das figuras mais fascinantes e avançadas dos campos espiritual, teológico, literário da Idade Média. Em alguns de seus trabalhos propôs métodos de escolha, que foram redescobertos séculos mais tarde por Condorcet (século XVIII).

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesosf

São Francisco e a Palavra de Deus

Pregue sempre o evangelho

Frei Dorvalino Fassini, OFM

São Francisco de Assis palmilhou a estrada de sua existência no e a partir do Evangelho de Cristo. Foi na Sagrada Escritura que Francisco encontrou aconchego, conselho e exortações para sua vida. Na Palavra de Deus o Homem de Assis soube certamente buscar o que ansiava sua alma, e estabeleceu nesta Palavra o fundamento de sua vida.

São Francisco radicalmente viveu o Evangelho, não porque era um homem santo desde seu nascimento, pelo contrário, soube abrir espaço em seu coração para escutar, amar, refletir e viver a Palavra de Deus. São Francisco foi como o mestre da lei da Parábola de Jesus, do Evangelho de Hoje (1), “que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas”. (2)

Embora Francisco mesmo em seu testamento considerava-se “iletrado”, ele soube profundamente compreender a Palavra de Deus. Para tanto, Francisco ouvia, refletia e vivia. Ouvir no modo de São Francisco não significa apenas ouvir a algo que me é dito, mas sim auscultar, que por sua vez diz do modo simples de ouvir atentamente. Quem ouve atentamente a algo ouve com o coração. Uma vez ouvido com o coração Francisco memoriza a Palavra de Deus e reflete profundamente com amor em seu coração. Para refletir profundamente a Palavra de Deus é preciso abrir-se a luz da divina sabedoria. Quando nos ‘pré-dispomos’ a refletir algo sob a luz divina percebemos que tal reflexão brota em nosso coração, pois é próprio Deus agindo em nosso ser.

São Jerônimo que rememoramos hoje, assim como a Bíblia, pôs seus talentos a serviço de Deus por intermédio do papa Dâmaso, que o encarregou de preparar a Bíblia em latim. “Jerônimo nasceu em Estridão (Dalmácia) cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi batizado. Tendo abraçado a vida ascética, partiu para o Oriente e foi ordenado sacerdote. Regressou a Roma e foi secretário do Papa Dâmaso. Nesta época começou a revisão das traduções latinas da Sagrada Escritura e promoveu a vida monástica. Mais tarde estabeleceu-se em Belém, onde continuou a tomar parte muito ativa nos problemas e necessidades da Igreja. Escreveu muitas obras, principalmente comentários à Sagrada Escritura”. (3)

São Jerônimo assim como São Francisco nos ensina a amar e colocar a Palavra de Deus em nosso coração.

Sendo assim, ouvir, refletir, amar e viver a Palavra de Deus foi o cotidiano da vida de Francisco. Por isso, entendemos que “para o santo de Assis a Sagrada Escritura se define como uma pedagogia divina. Nela e com ele Francisco cresceu até a maioridade do amor. Através da Sagrada Escritura atingiu a união com Deus e a contemplação, que Boaventura chamava de o prêmio da felicidade eterna” (4)

Com esta reflexão encerramos o mês da Bíblia, comprometendo-nos com a Palavra de Deus e deixando que a Inspiração divina nos guie nos caminhos da existência, assim como fez com São Francisco.

(1) Cf. Mt 13,47-53
(2) Mt 13, 52
(3) OFICIO DIVINO. (Breviário) Petrópolis: Vozes, 2000, p.1384.
(4) DRAGO, Augusto. Palavra de Deus, Sagrada Escritura. Dicionário Franciscano. Petrópolis: Vozes, 1983, p. 532.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesosf

Santoral Franciscano: 21 de junho – São Nicásio Jonson (1522-1572)

martires-gorcum
SANTORAL FRANCISCANO:
21 de junho – São Nicásio Jonson (1522-1572)

Nicasio Jonson nasceu no castelo de Heeze em 1522. Seu pai, Adriano, era ilustre por sua honestidade de vida e, sobretudo, por sua inflexível fé. Nicasio foi enviado por ele uma vez terminados seus estudos e alcançada a idade, à célebre universidade de Lovaina, onde por seus rápidos progressos no estudo, obteve o bacharelado em Filosofia e Teologia.

Depois de ter meditado seriamente sobre suas possibilidades e uma vez formado, decidiu fazer-se religioso. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, onde se distinguiu por sua piedade e mortificação. Consagrado sacerdote, se dedicou ao apostolado da evangelização e do ensino. Foi um pregador persuasivo e assíduo.

Sofreu o martírio em Gorcum quando tinha 50 anos de idade.

Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

logo1

FRADES FRANCISCANOS
Ordem de São Francisco – OSF
Igreja Anglicana Tradicional do Brasil

CONTATOS:
Site: http://www.fradesfranciscanos.com
E-mail: contato@fradesfranciscanos.com
Blog: https://fradesfranciscanos.wordpress.com
Twitter: @fradesosf
Facebook: https://www.facebook.com/ordemdesaofrancisco
Instagram: @fradesosf